Vendas de soja do Brasil têm atraso em comparação com a média histórica

A negociação da safra que está sendo colhida avançou apenas 2,8 pontos percentuais ante o índice do mês anterior

5 de fevereiro de 2024 às 20h21

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Comercialização foi estimada em 31,9% da produção frente à média histórica de 44,5% para período | Crédito: REUTERS/Jorge Adorno

A comercialização da safra brasileira de soja do ciclo atual (2023/24) foi estimada em 31,9% da produção projetada para o Brasil, indicou a consultoria Safras & Mercado, apontando um atraso na comparação com a média histórica para o período (44,5%), em meio a preços mais baixos do produto no mercado global.

A negociação da safra que está sendo colhida avançou apenas 2,8 pontos percentuais ante o índice do mês anterior. “Esta queda dos preços travou completamente as negociações, o produtor não quer vender nesses preços baixos. Ele acabou segurando à espera de preços melhores que acabaram não vindo”, disse o analista da Safras para soja, Luiz Fernando Roque.

Os contratos futuros da soja negociados na bolsa de Chicago chegaram a bater ontem uma mínima desde dezembro de 2020, mas depois passaram a operar em leve alta, a cerca de US$ 11,96 por bushel.

Essa mínima em Chicago ocorreu apesar de uma quebra acentuada da safra do Brasil, pressionada principalmente por uma produção menor que a esperada em Mato Grosso, o principal Estado produtor do país.

De outro lado, os preços internacionais sofrem impacto do avanço esperado na colheita da Argentina, que tem potencial de dobrar na comparação com a temporada anterior atingida pela seca. Até a semana passada, o Brasil havia colhido pouco mais de 15% da safra projetada, segundo números da Safras.

Apesar da comercialização atrasada na comparação com a média histórica para o período, o ritmo está ligeiramente à frente do visto nesta mesma época do ano passado (30,5%) para a temporada anterior.

Segundo o analista, a comercialização tende a avançar à medida que a oferta do Brasil aumente com o desenvolvimento da colheita, ainda que os preços não melhorem. “O produtor que está descapitalizado agora vai ter que vender nos próximos meses durante a colheita para fazer caixa, então de alguma forma pode ser que, mesmo com preço mais baixo, em fevereiro, a partir de março, o ritmo de negócios melhore um pouco”, opinou Roque. E continuou: “Porque muito produtor vai ter de vender mesmo na baixa de preço para poder fazer caixa”.

Os trabalhos de colheita no Brasil estão mais adiantados se comparados com o mesmo período do ano passado (7,8%) e também superam a média dos últimos cinco anos, de 10,4%. Segundo a Safras, a colheita no Paraná é de 22%, comparada com a média de 9,8%. Em Mato Grosso, os trabalhos chegaram a 39%, superando a média de 28% para o período, conforme números da consultoria divulgados na sexta-feira (2).

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