Aço da China faz Aperam adiar investimentos em Minas Gerais

Terceira fase do plano de aportes no País é postergada

8 de dezembro de 2023 às 0h28

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Diretor-presidente da Aperam South America, Frederico Lima fala em “asfixia” da siderurgia | Crédito: Elvira Nascimento

A Aperam South América decidiu postergar a terceira fase de seu plano de investimentos no Brasil, previsto para o biênio 2024-2025. A decisão foi atribuída ao momento enfrentado pela siderurgia nacional, com queda nas vendas e recordes na importação de aço, sobretudo, da China. O mesmo motivo levou outras siderúrgicas a reduzirem a produção e demitirem funcionários. 

O projeto, que ainda não havia sido divulgado pela companhia, incluiria a instalação de um novo laminador a frio de bobinas de alta produtividade e automação na usina de Timóteo, no Vale do Aço, em Minas Gerais. Segundo a empresa, até 1.500 vagas temporárias seriam geradas durante a implementação da iniciativa. Os valores que seriam investidos não foram relevados.

O objetivo da Aperam com as inversões para a implantação do equipamento era se consolidar como uma referência global na indústria siderúrgica 4.0. A companhia também pretendia estar totalmente preparada para atender às demandas para produção de aços mais complexos, assim sendo fundamental para a transição de energia e eletrificação do setor de automóveis. 

“Como uma empresa que sempre acreditou no Brasil e no crescimento da economia, nos deparamos com um cenário muito desafiador que nos leva a repensar nossos planos de expansão para os próximos anos. Devido a uma questão de sustentabilidade do negócio, vamos reavaliar esse projeto”, disse o diretor-presidente da Aperam South America, Frederico Ayres Lima. 

Investimentos anunciados anteriormente estão mantidos

A nova etapa de aplicações estava planejada como uma continuação dos investimentos iniciados em 2021 e que estão em execução. Dessa forma, o adiamento do plano futuro não impacta os aportes anunciados em maio do ano passado. Na ocasião, a siderúrgica informou que aplicará R$ 588 milhões em Minas Gerais até 2024, valor que está mantido, conforme a companhia.

O projeto em andamento é voltado para modernização e atualização tecnológica da laminação a quente em Timóteo, cuja capacidade produtiva é de cerca de 900 mil toneladas de aço líquido por ano, e para a Aperam BioEnergia, que produz carvão vegetal no Vale do Jequitinhonha. Essa foi a segunda onda de investimento da empresa no Estado, visto que, em 2021, a empresa desembolsou R$ 243 milhões para atualização das linhas de aço inox e aços elétricos.

Entrada massiva de aço da China, associada à queda da demanda, está asfixiando o setor, diz Aperam

Em comunicado divulgado pela empresa nessa quinta-feira (7), Ayres Lima diz que a entrada massiva de aço da China no País em 2023, associada à redução da demanda em função de uma desaceleração econômica mundial, está “asfixiando a siderurgia nacional”. Ele classifica a situação como “muito séria e insustentável” e afirma que para lidar com tal cenário, o Brasil deve adotar uma alíquota de importação de 25%, o mesmo adotado por diversos outros países. 

Segundo o Instituto Aço Brasil, os chineses respondem por 56,7% das importações brasileiras, cujo volume deve atingir 5 milhões de toneladas neste ano, um aumento de 48,7% frente a 2022. Sob efeitos da importação elevada, a Gerdau, ArcelorMittal e Usiminas também anunciaram medidas que incluem paralisação de plantas, demissões e a não contratação de colaboradores.

No caso dos aços inoxidáveis e elétricos, carro-chefe da Aperam, o nível de importados cresceu 18% no primeiro semestre de 2023 ante o mesmo período do ano passado, conforme a companhia. Em nota, a siderúrgica ainda ressalta que o número excessivo de produtos da China no mercado, a política predatória de preços e a demanda reduzida representaram uma queda de mais de US$ 800 por tonelada nos valores internacionais, o que compromete os projetos de longo prazo.

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