Aéreas devem elevar valor das passagens ainda este mês

12 de março de 2022 às 0h27

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Crédito: Reprodução

São Paulo – O conflito na Ucrânia, responsável por disparar a cotação do petróleo em nível mundial, o que acabou elevando o preço dos combustíveis no Brasil, chegou às passagens aéreas. A Folha apurou que Gol, Latam e Azul preparam aumento no valor das passagens aéreas ainda neste mês de março. A medida pega as companhias aéreas em um momento delicado, interrompendo o movimento de recuperação do turismo doméstico iniciado no último trimestre do ano passado.

As aéreas foram um dos setores mais impactados pela Covid-19, por causa das restrições sanitárias que impediram ou limitaram os deslocamentos, além da ampliação do home office, que fez desabar a demanda do mercado corporativo –viagens a negócio representavam um terço da receita das aéreas.

“Toda a indústria, não só a Latam, responde a esse tipo de crise com duas medidas: a primeira é um aumento das tarifas e, a segunda, uma redução da oferta. Uma em função da outra”, disse à reportagem Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil.

Segundo ele, o movimento de aumento das tarifas já vem desde o mês de janeiro, porque o ano começou com o petróleo mais alto, o que se acentuou nas duas últimas semanas por causa da guerra.

“A gente vai ver, sim, tarifas mais altas e isso vai desacelerar a recuperação do setor, que já vinha caminhando depois do impacto muito forte do ano passado, por causa da pandemia”, diz Cadier. “A gente agora posterga a recuperação completa da quantidade de voos”.

A empresa está ajustando a oferta, principalmente a partir do segundo trimestre. “Quanto às tarifas, ainda não temos de quanto vai ser o aumento, porque vai depender do patamar em que o preço do petróleo vai estacionar”.

Nas palavras de um alto executivo do setor aéreo, ninguém sabe ainda quanto tempo a guerra vai durar e quanto tempo em que o petróleo vai ficar neste patamar, o que faz com que as previsões sejam voláteis.

Ainda há uma demanda de viagens de lazer reprimida, e o valor das tarifas não subiu significativamente até agora. Mas, segundo ele, o aumento no preço da tarifa é “inevitável”.

A concorrente Gol está em período de silêncio, porque divulga os resultados do quarto trimestre de 2021 na segunda-feira (14). Mas a Folha apurou que a companhia pretende mexer no preço das tarifas ainda este mês, uma vez que considera “insustentável” operar nos atuais patamares da cotação do petróleo. E acredita que isso deve impactar a demanda.

Procurada, a Azul confirmou que a alta do petróleo deve afetar as tarifas aéreas ainda este mês. Por meio da sua assessoria de imprensa, a empresa argumentou que o impacto do conflito sobre o preço do petróleo também afetou fortemente o QAV (querosene de aviação).

Segundo a Azul, a situação atual é bem pior do que há 14 anos, quando o valor do barril do petróleo já tenha ultrapassado este patamar. “Naquela época o valor do dólar estava muito abaixo dos atuais R$ 5, era cotado abaixo de R$ 2. Essa matemática é bastante impactante para o setor aéreo, em especial para as empresas brasileiras, que têm diversos custos em dólar e um dos combustíveis mais caros do mundo”, afirmou em nota. (Folhapress)

Governo pede esclarecimentos à Petrobras

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro (PL) notificou na sexta-feira (11) a Petrobras pedindo esclarecimentos sobre o reajuste nos preços de até 25% da gasolina, diesel e GLP, o gás de cozinha. A notificação foi feita pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor). Essa é a segunda notificação recebida pela Petrobras em cinco meses.

A Acelen, que é a responsável pela Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA), também foi notificada pelo governo e tem o prazo de 10 dias para responder aos questionamentos. Entre outros assuntos, a empresa deve encaminhar o valor médio praticado nos últimos meses e o volume de produção, assim como as medidas adotadas para reduzir os impactos da alta de preços.

A secretaria que pediu os esclarecimentos é comandada por Rodrigo Roca, que defendeu o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso das chamadas “rachadinhas” – quando o parlamentar fica ilegalmente com parte do salário dos servidores empregados em seus gabinetes. A sua nomeação foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) nesta semana.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Petrobras, mas não houve retorno.

O repasse da Petrobras para o consumidor final, afetando diretamente os preços das bombas e do botijão de gás, ainda não está definido se e quando irá ocorrer, porque depende de cada revendedor.

Nas distribuidoras, o preço médio da gasolina passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 o litro, um aumento de 18,77%. Para o diesel, o valor irá de R$ 3,61 a R$ 4,51, alta de 24,9%. O gás de cozinha passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo, um reajuste de 16%. A última alteração no preço dos combustíveis foi há quase dois meses, em 11 de janeiro. Já o GLP foi reajustado em outubro do ano passado, há 152 dias.

Com isso, a Petrobras chega ao seu 13º aumento desde janeiro de 2021, quando teve a escalada de preços de combustíveis no Brasil, segundo levantamento realizado pelo Observatório Social da Petrobras, organização ligada à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo. No caso do diesel, foram 11 aumentos no período.

A Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Fertilizantes) calcula que, com o aumento, a gasolina nos postos de abastecimento deve subir para média de R$ 7,02 o litro no País, contra a média atual de R$ 6,57 por litro. Já o diesel vai subir para uma média de R$ 6,48 o litro, contra a média atual de R$ 5,60 o litro.

Os cálculos levam em conta o Levantamento de Preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que, caso o barril de petróleo chegue a US$ 300 no mercado internacional, como alertou o governo russo, o preço do litro da gasolina no Brasil poderia atingir R$ 18,22.

Na quinta-feira (10), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base para a criação de um ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) único sobre os combustíveis. A medida que conta com o apoio do governo de Bolsonaro tenta conter a escalada dos preços. A proposta, que já havia sido aprovada em votação no Senado, será enviada à sanção presidencial. (Folhapress)

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