Aeroporto de Betim pode iniciar operações em 2025

Obras tendem a aumentar no segundo semestre, com aportes de R$ 100 milhões

2 de fevereiro de 2023 às 0h30

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O aeroporto que está sendo construído nas proximidades do Distrito Industrial (DI) Bandeirinhas, batizado de Aeródromo Inhotim, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), deverá receber os primeiros pousos e decolagens em 2025.

As obras haviam sido autorizadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e receberam a licença ambiental do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema) em 2018, mas, desde então, pouco avançou.

A expectativa é do prefeito Vittorio Medioli (sem partido), que, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, disse que os trabalhos devem ganhar novo ritmo no segundo semestre deste ano e que pelo menos R$ 100 milhões deverão ser aportados no empreendimento em 2023.

“O projeto é de um fundo de investidores que inclui bancos, como o Santander, que é o administrador, escritórios, empresários e proprietários de áreas na região. Os integrantes possuem interesses convergentes e o município não terá um centavo de despesa, como também estabeleceu a transferência de propriedade. Ou seja, eles ficarão com a concessão por 35 anos e os terrenos do entorno, enquanto a prefeitura ficará com a infraestrutura, gerando garantias reais ao equilíbrio financeiro do município”, explicou.

Assista o vídeo:

Lançado oficialmente em fevereiro de 2018, quando também tiveram início as primeiras intervenções, a construção do aeródromo foi suspensa naquele mesmo ano, após recomendação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em virtude de descumprimentos ambientais. Na época, o órgão argumentou que as medidas de compensação ambiental eram insuficientes para compensar os impactos e perdas.

Informações do projeto original davam conta de investimentos da ordem de R$ 160 milhões da iniciativa privada para viabilizar o Aeródromo Inhotim, que incluiria uma pista de pouso de 1.800 metros de comprimento por 45 metros de largura na primeira etapa, com possibilidade de expansão ao longo dos anos para 2.500 metros. O plano é que o aeroporto receba voos de aviação executiva, charter e cargas, voos regionais, além de dar suporte às atividades de manutenção e hangaragem de aeronaves.

Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, prevê gerar entre 15 mil a 20 mil vagas com Aeródromo Inhotim | Crédito: Divulgação

Aeródromo Inhotim receberá até R$ 450 milhões em investimentos

Após a realização de ajustes no projeto orientados pelo MPMG e novo licenciamento ambiental emitido em dezembro de 2021, conforme a prefeitura, o valor estimado para o empreendimento é de R$ 190 milhões, podendo chegar, em um segundo momento, a R$ 450 milhões.

“Até o momento, já foram realizadas mobilização do canteiro de obra e construção de galerias de escoamento fluvial. Além disso, está sendo discutido com a Cemig a remoção de quatro torres de transmissão de eletricidade. Para as próximas intervenções é aguardado um licenciamento do Ibama para fazer a supressão de vegetação mais densa e, a partir disso, iniciar os trabalhos de terraplanagem que ocorrerão depois do período chuvoso”, informou o Executivo municipal em nota.

Em conversa com a reportagem, Medioli detalhou o andamento das intervenções. “As obras preliminares já começaram, o licenciamento já foi preenchido e todas as aprovações também foram registradas, assim como as averbações na Aeronáutica e todo o plano de aproximação para viabilização do aeroporto. Esperamos que neste ano e no próximo, a obra tome vulto de forma que possamos chegar a 2025 com os primeiros aviões pousando e decolando do local”, disse.

O prefeito também ressaltou as expectativas em relação aos impactos econômicos para a cidade. Segundo ele, é justamente pensando nesses ganhos que os investidores do fundo têm apostado no projeto.

“O terreno praticamente foi doado pelo fundo, que é o idealizador. Se eu tenho uma área de 2 milhões de metros quadrados e cedo 200 mil, havendo a valorização da região, terei uma área de R$ 20 milhões, passando a valer R$ 200 milhões. O conceito é esse. Dar o start na obra e a partir de sua valorização, fazer novas inversões”, disse.

Conforme Medioli, recentemente o grupo aportou R$ 100 milhões, valor que, de acordo com ele, será suficiente para tocar a obra neste exercício. No fim do ano haverá outra chamada para uma nova capitalização, que poderá ocorrer por novo aporte ou até mesmo financiamento.

Além disso, o projeto foi desenvolvido levando em consideração conceito de aerocity e todo seu entorno será desenvolvido a partir do empreendimento. Ou seja, os proprietários das áreas ainda poderão comercializar e explorar seus terrenos.

“Quando começarem a pousar os primeiros aviões, um terreno que valia R$ 20 milhões e passou a R$ 200 milhões, poderá chegar a R$ 350 milhões. O modelo é sustentável e a iniciativa pública, além de não ter gastos, ainda ganha um aeroporto, melhorias no entorno e mais arrecadação. É assim que o setor público tem que trabalhar, dando sustentabilidade ao desenvolvimento”, reforçou.

Um estudo de impacto socioeconômico indica que o empreendimento influenciará de forma relevante a economia da cidade. A previsão é de um aumento de cerca de R$ 1 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros anos e de geração de 15 mil a 20 mil empregos diretos e indiretos em dez anos.

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