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Economia

Afastamento do trabalho aumenta com a Ômicron

Com avanço da variante Ômicron, número de casos da doença voltaram a disparar no País e já afetam atividades da economia

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pessoas sentadas em cadeiras e mesas de madeira ao ar livre, na frente de restaurantes durante o dia
Afastamentos afetam setores tanto do ponto de vista dos clientes como da mão de obra, e fluxo menor preocupa | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Os registros de Covid-19 com a chegada da variante Ômicron ao Brasil não param de aumentar. No último dia 31, eles apontavam para 10.282 casos por dia; no dia 7 deste mês, pularam para 63.292. Ontem, foram 183,7 mil casos. Com isso, o afastamento do trabalho de grande número de pessoas com Covid-19, além da gripe, já está causando prejuízos para vários setores da economia.

Algumas atividades são diretamente impactadas. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou as companhias aéreas Gol, Azul e Latam a reduzirem o número de comissários em seus voos, já que o avanço dos casos entre as tripulações estava ocasionando o cancelamento de voos.

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A mesma coisa acontece em lojas, bancos e até mesmo no serviço público, sem contar os serviços hospitalares, que estão sobrecarregados – grande parte dos leitos para Covid está ocupada como reflexo direto da falta de profissionais para operá-los. O professor aposentado Ricardo Wagner Lage sofreu com as consequências do avanço da variante quando foi procurar os serviços de sua agência bancária no início do mês.

“Quando cheguei, ela (agência) estava fechada. Fui informado por um gerente que o fechamento era temporário e devido ao grande número de funcionários com Covid. Alguns dias depois, a agência voltou a funcionar”, contou o professor.

Segundo o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings de Belo Horizonte, Alexandre Dolabella, os lojistas já vinham trabalhando com poucos funcionários, contratando no ritmo da reabertura. “Agora, com a Ômicron, estão perdendo funcionários e ficou muito difícil. Tem lojista que está deixando de abrir aos domingos, por causa da folga, mas nenhuma loja fechou”, diz Dolabella. A variante agravou a situação também sob outro prisma. “Por causa da Ômicron, os shoppings estão vazios e as vendas mais fracas”, aponta o dirigente.

Levantamento

Preocupada com os afastamentos, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) está fazendo um levantamento junto ao comércio para mensurar as ausências e os consequentes prejuízos para os lojistas. Os resultados serão divulgados ainda esta semana. Já a Abrasel-MG fez duas pesquisas este mês para detectar o tamanho do problema. No dia 5, 40% dos bares e restaurantes associados à entidade tinham funcionários afastados por gripe ou Ômicron. Dez dias depois, já eram 60%. “A maioria das casas teve afastamentos por este motivo, mas não houve nenhum relato de surto. Nenhum bar ou restaurante fechou por causa da Covid”, garante o presidente da Abrasel-MG, Matheus Daniel.

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Daniel calcula que o movimento, que estava crescendo até o final do ano, terá uma queda de 20% a 25% em janeiro, provocada por uma série de fatores. Alguns, históricos, como as férias escolares e o fato de a segunda quinzena de janeiro ser normalmente mais fraca. Mas a eles se juntou a variante Ômicron, que, este ano, amedrontou a clientela.    

Ou seja, a mesma Covid que contamina e manda empregados para casa é também a que afasta o cliente de locais como bares, restaurantes, hotéis e pontos turísticos.  Nos pequenos negócios, o proprietário acaba entrando na operação para não sobrecarregar ainda mais a equipe, como nas lojas e restaurantes. Outros setores, como o hoteleiro, já se acostumaram a trabalhar com equipes menores – um contexto que vem de antes da pandemia.  

Hotelaria se mostra mais preparada para desafio

O coordenador regional da Federação Brasileira de Hotelaria e Alimentação (FBHA), Marcos Valério Rocha, diz que o setor já vinha se ajustando, tecnologicamente, para trabalhar com menos pessoas. Ele lembra que, na década de 90, o Othon Palace, no centro de Belo Horizonte, tinha um funcionário para cada apartamento. Como o hotel tinha 300 apartamentos, o corpo funcional tinha o mesmo número de pessoas. Em 2018, pouco antes de fechar, o Othon tinha entre 70 e 90 funcionários.

“A pandemia ensinou todo mundo a funcionar com menos gente, e a hotelaria só ampliou esse processo”, revela Rocha. No início da pandemia, o setor de hotelaria foi um dos que mais rapidamente responderam aos protocolos de higienização e distanciamento e o recrudescimento dos casos é um balde de água fria para quem já comemorava a retomada. O setor de turismo e lazer foi o que mais sofreu durante a pandemia e se animou com o avanço da vacinação no segundo semestre de 2021. Foi quando famílias engrossaram a procura por hotéis de lazer e destinos próximos aos grandes centros, como a Serra do Cipó e Moeda, no caso de Belo Horizonte.

No turismo corporativo, que é o forte da capital mineira, surgiram algumas “ilhas de melhora” como um campeonato sul-americano de vôlei em outubro e duas provas de concurso público federal em dezembro e janeiro, eventos que lotaram os hotéis. Em novembro, diz Rocha, “o setor estava otimista com a temporada e com grandes expectativas para 2022. Aí veio janeiro, as chuvas…. e a Ômicron. Ouro Preto, por exemplo, ficou ilhada e teve 60% de queda nas reservas”.

Redes como a gigante francesa Accor, sexta maior do mundo, primeira no Brasil e com treze hotéis na Região Metropolitana de Belo Horizonte, não quiseram comentar o assunto. Representante do setor em Minas, Marcos Valério Rocha reconhece, porém, que boa parte do pessoal operacional foi contaminado. 

“A variante Ômicron e a gripe atingiram o cozinheiro, o garçom, a governanta, entre os vários profissionais que utilizam o transporte público, um dos principais focos de contágio”, aponta. “Fora aqueles que saíram de férias, viajaram e se contaminaram nas aglomerações familiares ou sociais”, completa Rocha.

Para estes setores da economia, mesmo que a maioria ainda não tenha medido as consequências, o resultado é que o aumento dos casos de Covid e consequentes afastamentos, tanto de pessoal quanto de clientes, devem comprometer seriamente os números de janeiro

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