Afetado por transportes, setor de serviços tem queda de 0,6% em setembro

Escoamento da produção agrícola foi menor neste segundo semestre, afetando o resultado

15 de novembro de 2023 às 0h21

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No acumulado do ano, segmento de transporte é um dos destaques positivos com alta de 10,9% | Crédito: Alessandro Carvalho

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o setor em Minas Gerais apresentou, em setembro, um recuo de 0,6% em relação a agosto. Essa é a segunda retração consecutiva do indicador, que registrou -1,8% no mês anterior. Já em comparação com o mesmo mês do ano passado, há uma alta de 4,3%. A pesquisa indica que o desempenho do setor de serviços está relacionado ao ramo de transportes, afetado pela produção agrícola do semestre.

Em todo o País, a queda no ramo de serviços foi de 0,3% em setembro, em relação ao mês anterior, e de 1,2% em comparação ao mesmo período de 2022.

No nono mês do ano, 17 das 27 unidades federativas apresentaram taxas positivas para o setor de serviços, em comparação com setembro de 2022. Ao considerar o peso que representa, Rio de Janeiro foi o maior destaque (5,5%), seguido por Paraná (11,1%) e Mato Grosso (20,8%). Em contrapartida, São Paulo assinalou o principal resultado negativo do mês, ao registrar queda de 7,3%.

Considerando a série histórica, depois de atingir o pico de crescimento em dezembro de 2022, com alta de 4,3%, o setor de serviços em Minas Gerais mostra quatro indicadores negativos e cinco positivos em 2023.

No acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período do ano anterior, o avanço no Estado foi 8,4%, acima do desempenho nacional, de 3,4%. Considerado o peso dos estados, Minas é o principal destaque nesse indicador, seguido por Paraná (11,9%) e Rio de Janeiro (5,2%).

Transportes

O setor de transportes, sobretudo o transporte de cargas, ainda é um dos que mais contribuem de forma positiva para os resultados de Minas. O Estado conta com grandes empresas do ramo e extensa malha rodoviária. Mas, segundo o levantamento do IBGE, o recuo de setembro pode estar relacionado justamente ao desempenho desse setor.

Tradicionalmente, a produção agrícola é mais concentrada no primeiro semestre, o que resulta em alta demanda para o transporte de cargas. Na segunda metade do ano, o desempenho do campo diminui, o que afeta diretamente o setor de transportes. Com explica o analista do instituto e responsável pela PMS, Daniel Dutra.

“O arrefecimento no setor de transportes é um indicativo disso. A principal safra de soja é a do primeiro semestre, milho também, enfim, tem uma relação com a sazonalidade das safras. As principais safras são no início do ano, então a demanda por transporte, principalmente pela agropecuária, cresce muito nesse período”, disse.

Dutra comenta que o setor de transportes tem um impacto muito grande na pesquisa e pode ser um dos fatores para a redução de 0,6%, que considera grande. “Minas ainda está bem positivo. Esse tipo de movimento é comum. No primeiro semestre, o que mais puxou, inclusive, foi o transporte, agora está tendo um arrefecimento. Minas foi o estado com maior crescimento no setor de serviço. (O setor de transporte) teve impacto muito grande nisso”.

Em outra mão

Este arrefecimento nos transportes de carga não atingiu quem não participa do escoamento da produção agrícola, como é o caso da Mello Transportes. A empresa obteve aumento de 30% no volume de serviço do segundo semestre, afirma o diretor administrativo da transportadora, Álvaro Bretas.

“Não trabalhamos com produtos agrícolas. Principalmente no segundo semestre, aumentou muito, basicamente pela demanda dos nossos clientes. No início do ano, estávamos com quase 200 funcionários. Hoje estamos com 420. Teve investimento em frota e tudo mais, só para esse ano, por volta de R$ 20 milhões. Ficamos na contramão desse resultado”, comentou.

Atividades

Nos resultados por atividades no Estado, na comparação com setembro de 2022, há variações positivas do volume de serviço em três das cinco categorias analisadas. Destaque para serviços de informação e comunicação (10,9%), transportes (5,3%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (4,6%).

Serviços prestados às famílias e outros serviços registraram recuo de, respectivamente, 1,6% e 17,8%. No total, o avanço foi de 4,3%. Na variação acumulada nos últimos 12 meses, a alta foi de 9,1% em comparação ao período anterior de 12 meses. No Brasil, de 4,4%.

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