COTAÇÃO DE 26/05/2022

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$4,7610

VENDA: R$4,7610

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$4,8500

VENDA: R$4,9530

EURO

COMPRA: R$5,1433

VENDA: R$5,1459

OURO NY

U$1.850,86

OURO BM&F (g)

R$284,80 (g)

BOVESPA

+1,18

POUPANÇA

0,6719%

OFERECIMENTO

Economia Juntos Por Minas Juntos por Minas

Agronegócio cobra ações estratégicas

COMPARTILHE

Tecnologias hoje em dia permitem uso de uma menor quantidade de água para a produção agrícola | Crédito: Evandro Rodney/Ag Minas
#juntosporminas

Quando há um acompanhamento contínuo e planejamento das atividades, que leve em conta a disponibilidade hídrica e suas oscilações sazonais, a perda do produtor rural com a escassez hídrica pode ser eliminada, ou pelo menos minimizada. Quando ocorre o contrário, aumentam os riscos de perdas do valor investido na produção.  O alerta é da gerente de Meio Ambiente da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Ana Paula Mello.

“O monitoramento e os alertas são importantes para o planejamento dos produtores, para que possam continuar o cultivo, mesmo com menor quantidade de água”, afirmou Ana Paula. Segundo a especialista, a redução da captação de água para uso na agricultura, de acordo com a disponibilidade hídrica, é feita dentro de parâmetros legais.

PUBLICIDADE




No início do mês, com a escassez hídrica, os órgãos ambientais determinaram a redução da captação de água em bacias hidrográficas mineiras. Segundo a especialista, a adoção dos parâmetros legais para equacionar o racionamento evita que algum produtor rural seja prejudicado nesse processo.

“Há situações legalmente determinadas de reduções de captações, em percentuais e áreas específicas. E há também, dentro de grupos organizados de produtores rurais, a decisão conjunta de redução para que não sejam todos prejudicados”, disse.

Ana Paula explicou que essas decisões levam em conta o acompanhamento contínuo das vazões disponíveis pelo órgão gestor das águas. “É a forma para manter as permissões de captações de todos, ainda que em menor quantidade, em detrimento de cortar direitos de uso, o que seria desastroso”.

Ela lembrou que o racionamento para os produtores rurais é temporário, com prazos que vão até início de novembro. Assim, podem trazer alguma redução na produção, mas é importante o planejamento para que o produtor não faça investimentos contando com uma água que não estará disponível.

PUBLICIDADE




Plano de segurança hídrica – “É uma medida urgente e é uma responsabilidade do Estado”, cobrou a executiva da Faemg ao referir-se à implantação de um plano de segurança hídrica que estabeleça diretrizes para soluções e para alocação planejada de reservatórios, para aumentar a disponibilidade e perenizar cursos d’água.

Ana Paula lembrou ainda que as tecnologias de produção agrícola estão avançadas. Atualmente, algumas plantações necessitam de menos água, o que potencializa a produção com ampliação da eficiência da irrigação. As situações de escassez hídrica são cíclicas, explica a especialista, e hoje há um maior preparo e planejamento do setor rural.

“Há plantações mais adaptadas ao déficit hídrico na agricultura de precisão, com menor uso de insumos, incluindo a água. Na irrigação, há o trabalho na eficiência de uso e no manejo correto, evitando-se situações prejudiciais. Há também tecnologias de monitoramento de vazões, por rede telemétrica de dados, que dão suporte ao planejamento”, completou.

Entre os contemplados no planejamento do Igam estão os afluentes do alto e do baixo São Francisco | Crédito: Divulgação

Igam anuncia plano de segurança para 7 unidades

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) prepara um plano de segurança hídrica para sete unidades estratégicas, e suas circunscrições hidrográficas. São os afluentes do Alto Rio São Francisco; os afluentes do Baixo Rio São Francisco; os afluentes do Rio Grande; os afluentes do Rio Doce; os afluentes dos Rios Mucuri, São Mateus, Jequitinhonha e Pardo; os afluentes do Rio Paranaíba, e os afluentes do Rio Paraíba do Sul.

 A iniciativa do Igam definiu também três eixos de atuação nas sete unidades: a conservação e restauração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos relacionadas à água; a produção sustentável e uso racional dos recursos hídricos; e o saneamento, controle da poluição e obras hídricas.

“O plano será executado em áreas prioritárias, definidas como regiões estratégicas para a realização de ações. A integração de ações setoriais, com a finalidade comum da gestão eficiente dos recursos hídricos, promoverá a segurança hídrica e, por consequência, a sustentabilidade do desenvolvimento econômico”, afirma o diretor-geral do Igam, Marcelo Fonseca.

O trabalho vai durar 15 meses e será feito por empresa de consultoria especializada em meio ambiente. A consultoria será escolhida em dezembro de 2021, por meio de licitação. O plano funcionará como uma ferramenta para a gestão dos recursos hídricos em Minas Gerais. O plano vai criar, ainda, um banco de projetos, com a definição de obras de infraestrutura e de infraestrutura verde, além de medidas de gestão para serem executadas nas regiões estratégicas.

BH, com pluviosidade três vezes maior que de Israel, enfrenta problemas hídricos piores que o país do Oriente | Crédito: Divulgação

Orçamento maior e aumento de pessoal são medidas urgentes

Entre as principais providências para que Minas Gerais reverta a severa escassez de água que experimenta nos últimos anos, agravada em 2020/2021, estão a ampliação do orçamento do Instituto de Gestão das Aguas (Igam) e o aumento do número de funcionários do órgão. A sugestão é da engenheira Patrícia Boson, uma das principais especialistas em meio ambiente do País.

Na avaliação da engenheira, o Igam tem a necessidade de “não apenas quadruplicar, no mínimo, sua equipe especializada, mas também elevar o orçamento atual, muito aquém de suas funções”.

Patricia Boson ressaltou que o orçamento do instituto é, atualmente, de R$ 161 milhões. Entretanto, R$ 141 milhões são provenientes de cobrança pelo uso da água paga pelo consumidor. Outros R$ 16,5 milhões são provenientes de convênios com a Agência Nacional de Águas (ANA). O governo do Estado repassa apenas R$ 3,5 milhões.

“Penso que (o governo estadual) falha em tratar a gestão apenas na parte mais visível, que é o processo produtivo. A verdade é que há poucos diagnósticos e pouco planejamento específico para a segurança hídrica no longo prazo”, afirmou a engenheira.

“Não à toa muitas empresas viveram, nas crises de 2013/2014 e de 2017/2018, paralisações por falta de abastecimento de água”, informou Patricia Boson, lembrando, ainda, que a crise hídrica é, para nós, também uma crise energética”.

A especialista lembrou que é difícil explicar como Belo Horizonte, que tem uma pluviosidade média de 1.205 mm, mais de três vezes superior à de Israel, enfrente uma insegurança como a atual. Em Israel, explicou Boson, um país com um território árido, com uma pluviosidade média 348 mm, não existe insegurança hídrica e racionamentos.

Segundo a engenheira, a explicação para Israel não ter insegurança hídrica é a gestão de água que é realizada no país. “De novo, a resposta simples. Israel tem uma longa história de gestão da água, assim como tantos outros países e regiões menos afortunados em recursos hídricos, ao contrário de Minas Gerais. Essa é a explicação”, advertiu Patricia Boson.

* Sobre o autor: Especial para o DC
Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!