Alimentos e bebidas pressionam e IPCA-15 acelera na RMBH

Produtos como carne, arroz e batata inglesa estão mais caros na Grande BH

29 de novembro de 2023 às 0h28

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Crédito: Alessandro Carvalho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) voltou a acelerar na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e subiu 0,46% no mês de novembro, ante 0,21% em outubro. A pressão exercida por Alimentos e Bebidas, com alta de 1,1% e impacto de 0,24 pontos percentuais (p.p.), foi o principal motivador para o resultado. O grupo, que tem o maior peso sobre o orçamento familiar e na composição inflacionária, vinha de cinco deflações consecutivas. 

Conforme explicação do economista e colunista do DIÁRIO DO COMÉRCIO Guilherme Almeida, esse aumento do setor foi conduzido pela alimentação no domicílio. Isso porque vários itens que as famílias consomem em casa apresentaram elevações no nível médio de preços em razão de sazonalidade e, sobretudo, de influências climáticas agravadas por efeitos do El Niño. 

Alguns dos produtos que mais encareceram no período foram: cebola (41,51%), batata-inglesa (29,88%), laranja-pera (11,34%), tomate (6,97%), arroz (2,08%) e carnes (1,83%). De acordo com ele, com uma forte seca no Norte e Nordeste do País e chuva severa na região Sul, diversas safras foram afetadas e até mesmo os custos de distribuição das mercadorias sofreram impactos. 

Além dos alimentos, as passagens aéreas contribuíram para a aceleração 

As passagens aéreas também pressionaram fortemente o IPCA-15 na Grande BH. O preço do subitem subiu 13,13% e impactou em 0,08 p.p. o índice de novembro, o que representa a maior contribuição positiva para o resultado. Almeida ressalta que esse cenário não é particular da região, visto que, nacionalmente, foi apurado uma elevação, inclusive, superior, de 19,03%. 

“Esse aumento pode ser explicado tanto pelo aumento do preço do combustível utilizado na aviação como por questões sazonais. Quanto mais nos aproximamos do fim de ano, das férias e das festividades, temos uma maior demanda por passagens aéreas e, consequentemente, o preço tende a aumentar. Então, é um misto de fatores de custos para as empresas, principalmente, por conta do querosene e por uma sazonalidade relacionada a maior procura de fim de ano”, explicou. 

Por outro lado, preço médio da gasolina recua e segura alta ainda maior do IPCA-15 

O IPCA-15 de novembro para a Grande BH foi o quarto maior entre as 11 áreas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ficou acima da média nacional, de 0,33%. Entretanto, o resultado negativo poderia ser pior, caso Artigos de Residência (-0,27%), Habitação (-0,04%) e Educação (-0,01%) não apresentassem deflações no período.

Além disso, apesar do setor de Transportes (0,43%) ter registrado inflação no mês, subitens pertencentes ao grupo como seguro voluntário de veículo (-6,57%), automóvel usado (-0,94%) e gasolina (-0,84%) baratearam e seguraram uma aceleração ainda maior do indicador. Segundo o economista, a queda do combustível, cujo impacto é altamente relevante no orçamento das famílias, tem relação com os reajustes praticados pela Petrobras no decorrer do mês.

Tendência é que a inflação de novembro acelere e de dezembro venha pressionada

Na passagem de setembro para outubro, o IPCA na RMBH saltou de 0,25% para 0,45%. E, conforme Almeida, a tendência é que se tenha uma nova alta em novembro e que o indicador de dezembro também venha pressionado, por consequência de razões sazonais e que podem ser comprovadas ao analisar o histórico do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. Segundo ele, historicamente, há uma elevação do nível médio de preços nessa reta final do ano.

“Fim de ano temos uma demanda maior por parte das famílias que recebem o décimo terceiro e destinam uma parte do benefício para o consumo de bens, muitas vezes, duráveis e semi-duráveis. Então, quanto maior a demanda, maior o preço desse bem. Várias pessoas estão viajando a lazer, de férias, para eventos corporativos e confraternizações. Isso também exerce uma pressão sobre o nível de preços de diversos itens e serviços e que se reflete no indicador oficial”, disse.

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