AngloGold suspende operações da mina de Santa Bárbara

Aumento do número de acidentes trabalhistas no complexo pode ter ocasionado a paralisação temporária; mineradora não descarta venda do ativo

23 de agosto de 2023 às 0h32

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Complexo na região Central tem duas minas subterrâneas e duas plantas metalúrgicas; suspensão começou na segunda-feira | Crédito: Divulgação/AngloGold

A AngloGold Ashanti resolveu paralisar as operações do empreendimento Córrego do Sítio (CDS), localizado no município de Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais. A suspensão dos trabalhos começou na segunda-feira (21) e não tem previsão para se encerrar. O complexo é composto por duas minas subterrâneas, uma a céu aberto e duas plantas metalúrgicas.

Conforme o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Extração do Ouro e Metais Preciosos de Santa Bárbara, Luis Fabiano Calazans, o que foi dito aos colaboradores é que a empresa decidiu suspender as operações devido à ocorrência de um elevado número de acidentes no local. Segundo ele, tanto os funcionários próprios da companhia quanto terceirizados estão em casa esperando por novas atualizações, no entanto, eles seguirão recebendo normalmente. 

Nas redes sociais circula um vídeo no qual um homem que parece ser um representante da mineradora informa aos colaboradores sobre a paralisação. Ele diz que a empresa optou por interromper temporariamente a produção pensando no número de eventos que vem ocorrendo e no aumento da taxa de frequência (TF) – indicador que determina a quantidade de acidentes por milhão de horas trabalhadas por cada homem que se expõe ao risco em um determinado período. 

Também nas redes sociais, em sua página “De Olho na Cidade Santa Bárbara”, o vereador Rodineli Ribeiro Santos afirma ter procurado a companhia para esclarecimentos. Conforme ele, o relato recebido de um representante foi de que a empresa vem acompanhando há três anos números ruins na operação e que pessoas já vinham se desligando ou sendo desligadas há alguns meses por performance ou até mesmo por uma reorganização corporativa.

Ainda de acordo com o post, “havia uma grande ansiedade generalizada no interior da mina, deixando as pessoas desatentas e fomentando acidentes trabalhistas, o que culminou na decisão”. 

AngloGold confirma paralisação e resultados operacionais negativos e não descarta venda do ativo

Procurada, a AngloGold disse, em nota, que como parte do processo natural de análise do seu portfólio, avalia continuamente as melhores opções para suas operações. E que o Córrego do Sítio mantém resultados operacionais negativos e alto custo crescente ao longo dos últimos anos. A mineradora não comentou especificamente sobre o possível aumento de acidentes trabalhistas.

No texto enviado à reportagem, a empresa afirmou que, na segunda-feira, interrompeu temporariamente as atividades para análises e processos internos, priorizando manter um ambiente seguro. Também ressaltou que qualquer anúncio oficial será compartilhado com os empregados, autoridade e demais stakeholders, mantendo o princípio de transparência. E salientou “que toda e qualquer solução não vai alterar seus compromissos e obrigações legais”. 

Ainda conforme a AngloGold, “a empresa continua trabalhando em planos de solução definitiva para esta situação, como eventual venda ou parceria, revisão ou suspensão temporária das atividades, entre outras”. Em janeiro, o DIÁRIO DO COMÉRCIO noticiou que a Jaguar Mining estaria negociando a compra do ativo. À época, a companhia não descartou a negociação e disse que mantinha conversas com empresas do setor avaliando as melhores opções para a operação. 

Trincas foram preenchidas e seladas e barragens seguem seguras e estáveis

Nos últimos meses, a Agência Nacional de Mineração (ANM) vinha monitorando as estruturas da mina CDS II, após uma vistoria detectar trincas na barragem. Questionada sobre o problema, a empresa afirmou ter concluído, na última semana, o preenchimento e o selamento das trincas. E disse que as barragens continuam seguras e estáveis. Por fim, disse que recebeu autorização para retomada das obras civis, mas que as obras de contrapilhamento da estrutura seguem suspensas.

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