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Entres os fatores que impulsionam a arrecadação está a alta na cotação do minério de ferro | CRÉDITO: ARQUIVO DC

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) em Minas Gerais chegou a R$ 1,418 bilhão no acumulado de janeiro a setembro deste ano. O montante representa um aumento de 3,95% sobre a mesma época do exercício passado, quando o valor arrecadado com os royalties da mineração chegou a R$ 1,364 bilhão no Estado. Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Ainda assim, Minas Gerais que era, historicamente, o maior produtor mineral e o maior recolhedor da Cfem do País, segue atrás do Pará na arrecadação. Para se ter uma ideia, neste ano, somente em fevereiro, Minas Gerais apurou arrecadação superior àquele estado: R$ 172 milhões contra R$ 169 milhões, respectivamente. Ao longo do exercício, o Pará apurou R$ 1,719 bilhão. Isso representa 21% a mais que Minas Gerais.

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Apenas no mês passado, os recolhimentos em Minas foram de R$ 202 milhões e no Pará chegaram a R$ 271 milhões, 34% a mais. Ao todo, a arrecadação da Cfem no Brasil chegou a R$ 3,555 bilhões até o mês passado.

Conforme já publicado, a elevação observada na arrecadação do Pará reflete o aumento já aguardado na produção de minério de ferro no Projeto S11D, localizado em Carajás. No entanto, a efetivação se deu de maneira mais forte e acelerada, em função da paralisação parcial das atividades minerárias no Estado, após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no ano passado.

Já o fato de o desempenho da arrecadação em Minas Gerais continuar em patamares elevados sobre igual época do ano passado, está relacionado às variáveis no mercado internacional. Entre eles, a desvalorização do real frente ao dólar, uma vez que a moeda norte-americana segue em patamares acima dos R$ 5, enquanto na mesma época de 2019 estava na casa dos R$ 4.

Outro fator diz respeito à cotação do minério no mercado global: enquanto a tonelada do insumo siderúrgico está sendo comercializada em patamares acima dos US$ 120 nos últimos meses, no ano passado era vendida a cerca de US$ 90.

Municípios O município mineiro que mais contribuiu para a arrecadação dos royalties da mineração no Estado entre janeiro e setembro deste exercício foi Conceição do Mato Dentro, no Médio Espinhaço. Ao todo foram R$ 262 milhões nos nove meses deste ano, representando 15% do total dos municípios mineradores de Minas Gerais. Na mesma época do ano passado, a cidade havia recebido R$ 112 milhões.

Congonhas, na região do Campo das Vertentes, apareceu logo em seguida com R$ 149 milhões recolhidos até o mês passado. O montante foi 27% inferior aos R$ 205 milhões apurados na mesma época do exercício passado.

Já em Itabira, também na região Central, a arrecadação da Cfem chegou a R$ 134 milhões entre janeiro e setembro de 2020. Em igual intervalo de 2019 havia sido de R$ 162 milhões. A baixa foi de 17% entre os períodos.

Perspectivas são positivas para metais explorados no País

MICHELLE VALVERDE

Os principais metais explorados no Brasil estão com perspectivas de demanda elevada e preços valorizados no mundo, o que deverá estimular os aportes nas empresas e a busca por investidores. O analista de research do Setor de Mineração e Papel e Celulose da XP Investimentos, Yuri Pereira, destacou o cenário mais otimista para alguns deles.

Segundo Pereira, durante evento on-line realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) na semana passada, o ouro é visto com ativo defensivo e seguro para investimento em períodos de crises, foi o que aconteceu em 2020 e causou forte valorização do metal. Além disso, a injeção de recursos por parte dos governos na economia também favorece a busca pelo ouro, já que enfraquece as moedas. “Investimentos em ouro são muito bem-vindos, os estoques estão bem comportados e, por isso, seguimos bem otimistas com a commodity”, disse.

Outro produto com demanda aquecida e crescente é o níquel. Além do aço inoxidável, que é o principal mercado, existe um crescimento mais rápido no mercado de baterias de íon de lítio. Segundo Pereira, a demanda global por níquel explodiu entre 2018 e a previsão até 2025 é que ela triplique. O anúncio da Tesla que passará a produzir baterias sem cobalto será um impulso ainda maior para o níquel, que é o principal candidato para a substituição. A Tesla pediu que as mineradoras aumentem a produção que haverá demanda.

“Há oportunidades diversas. A Vale é um grande produtor de níquel, que tem maior qualidade. Mas, mesmo o níquel de menor qualidade terá oportunidades de investimentos”, explicou Yuri Pereira.

As expectativas também são positivas para o minério de ferro. De acordo com Pereira, a urbanização na China ainda está abaixo de 70% e o governo ainda tem muito espaço para investir tanto em infraestrutura como no setor imobiliário. “A tendência é que os investimentos continuem e a demanda pelo minério de ferro tende a impactar positivamente na mineração”, explicou.

O preço do cobre tende a seguir valorizado. “As barreiras para novos entrantes são muito baixas. A concentração de cobre por tonelada de minério extraída vem caindo. Em 2001, a concentração era 1,4% e tende a cair até 2025 para 0,9%. Essa exaustão das minas acontece e os investimentos recentes não foram suficientes para compensar. O mercado está desbalanceado e, com a demanda mundial recuperando, os preços podem subir fortemente. A tendência é de preços elevados, o que pode atrair novos entrantes, trazendo muitas oportunidades”.

ESG – Com a tendência de mercado firme para vários metais no mundo, as empresas, para atrair investidores, principalmente no mercado de capitais, terão como um dos principais desafios a implantação dos critérios de governança ambiental, social e corporativa (ESG).

“Para as empresas atraírem investidores é importante que invistam no ESG. É uma realidade que veio para ficar no mercado. São mais de US$ 5 trilhões investidos em empresas bem ranqueados nos scores de ESG. São práticas muito importantes que o setor precisa ficar ligado. O mercado presta cada vez mais atenção e os ESG viraram um dos primeiros filtros para investimentos. Estão avalizando se a empresa tem as boas práticas antes mesmo de olhar para o ativo em si”, explicou o estrategista-chefe e head do Research da XP Investimentos, Fernando Ferreira.

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