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Artistas mineiros encontram no e-commerce um aliado contra a pandemia

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Gildásio Jardim | Crédito: Lori Figueiró
Gildásio Jardim | Crédito: Lori Figueiró

Alguns artistas plásticos mineiros levam tão a sério esta canção que nem o coronavírus conseguiu afastá-los do público. Neste período de isolamento, a navegação por mídias sociais, como o WhatsApp, o Facebook e o Instagram, fizeram da arte um nicho vitorioso de negócios.

O artista plástico Gildásio Jardim Barbosa, 39, morador de Padre do Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, ampliou suas vendas em 70% por meio das mídias sociais nestes meses de pandemia.

“Sou autodidata. Já vendia minha arte pelas mídias sociais e sites como o Mercado Livre. Mas nesta pandemia, algumas obras minhas viralizaram no Facebook e fui procurado por vários empresários.”, contou.

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Neste universo virtual, Daniela Coelho, proprietária de uma galeria nos Estados Unidos, tornou-se parceira de Jardim, a quem ajuda a comercializar suas obras pela web, não somente no Brasil, mas também no exterior.

Os preços das obras, conforme Jardim, variam de acordo com o tamanho e o estilo. Ele aceita encomendas, mas prefere investir em obras autorais. “A obra mais cara que foi vendida até agora custou R$ 20 mil”, exclama.

Arte e criatividade

Autodidata, Jardim começou ainda criança fazendo seus próprios brinquedos, e desenvolveu o estilo marcante de seus quadros por meio da experimentação.

“Eu não tinha tela e tinta própria para pintar. Estiquei um pano e adaptei tinta de construção e de tecidos para fazer a minha arte. A minha arte plástica é fruto da dúvida e da incerteza. Fiz muita coisa que deu errado, mas insisti”, conta Jardim.

O efeito tridimensional das pinturas de Jardim tornaram o artista famoso. Ele relata que este trunfo é fruto do afeto que ele tem pelas pessoas de sua cidade, fotografadas enquanto estão distraídas. Em seguida, o artista pinta os modelos  envoltos em imagens de tecido de chitas coloridas.

“Então aplico um jogo de luz e sombra para compor a pintura, criando uma  espécie de  ilusão  óptica que produz o efeito 3D”, disse Jardim.

Outra inspiração para as pinturas são os mais de 120 livros que leu em um boteco na cidade onde mora, antes de se tornar professor de Geografia, Filosofia e Sociologia da Zona Rural do município. Agora, ele pretende mudar um pouco a temática retratando também a natureza local. “Quero pintar animais como o Jacu (ave), o Catingueiro (cervo típico do cerrado) e o Carcará que é uma ave de rapina do sertão”, explica.

Sucesso internacional para a arte do Jequitinhonha

Antes  mesmo do coronavírus, no entanto, Jardim já tinha fama internacional. Em 2020, ele foi convidado a participar de exposições em Portugal e na França, ambas canceladas para prevenção à Covid-19.

Ele também foi responsável por fazer as capas de dois livros publicados na Espanha: Cuentos fluminenses”, de Machado de Assis, e “Los bruzundangas”, de Lima Barreto, todos publicados pela “Editora Apsoda”.

Sem nunca ter contado com financiamento estatal, Jardim lamenta a diminuição dos investimentos em arte, principalmente, no Vale Jequitinhonha. “Conheço aqui artistas com potencial para conquistarem o mundo. Mas sem ter como vender suas obras. Por causa do isolamento social, alguns estão mudando de profissão e indo para a construção civil”, afirmou.

Curiosidades da arte

Sem assistir à televisão por mais de cinco anos, Jardim conta ter vendido seis quadros pequenos para a jornalista Patrícia Poeta, da Rede Globo, quando estava expondo em Trancoso, na Bahia. “Meus amigos me contaram quem era ela. Eu não a conhecia.  Estava com o marido e os filhos”, explicou.

Outro episódio pitoresco aconteceu há poucos meses, quando um senador tentou comprar algumas de suas obras diretamente com ele. “Fui verificar quem era e descobri que ele era alvo de várias denúncias nos jornais. Além de corrupto, ele tentou comprar as obras por um preço muito baixo. Não vendi”, contou.

Do Triângulo Mineiro para o Mundo

Mineiro de Uberaba, região do Triângulo Mineiro, Mônico Reis, 37, sempre investiu em e-commerce. Conhecido por seu estilo colorido e heterogêneo, o artista também pinta  animais humanizados – que tomam café e andam de bicicleta -, santos e pessoas. A epidemia não o impediu de continuar vivendo da arte. Ele diz ter encomendas até o próximo mês de agosto.

“ Recebo cotações de clientes praticamente todos os dias, Por meio da estratégia correta qualquer artista consegue expor seu trabalho de maneira muito eficiente”, disse Reis.

Casado e pai de uma menina de seis anos, Reis apaixonou-se pela arte ainda na adolescência, fazendo caricaturas dos colegas na escola. Os desenhos o levaram à pintura e, por cinco anos, ele ficou dividido entre a profissão de analista de finanças e logística e a arte.

Reis trabalhava durante o dia em um escritório na área de Finanças e Logística e de madrugada investia seu tempo em pinturas feitas em tinta acrílica em tela de algodão.

Networking como prioridade para a arte

Aos poucos, as obras de Reis foram reconhecidas por marchands de galerias de arte e estabelecimentos comerciais, que passaram a divulgá-las e comercializá-las. “Fui melhorando minha técnica e consolidando o meu estilo. Com o sucesso, optei em viver só de arte. Mas não foi fácil tomar esta decisão”, afirmou.

Segundo Reis, as obras autorais de seu acervo refletem sua visão e sentimentos sobre o  mundo. Mas as encomendas, no entanto, são consideradas um desafio por ele.

“Nas telas feitas por  encomenda tento retratar o ponto de vista de meus clientes. É desafiador. Tenho sorte de encontrar em meu caminho pessoas incríveis e de bom coração”, conta Reis.

Entre as pinturas preferidas de Reis, está a coleção” Amores Improváveis”, que destaca o  amor, a diversidade e o respeito, pintada no ano de 2017. A obra “Sem destino” é a de maior valor do ateliê, custando R$ 7.200 e ainda está à venda.

Fama Intercontinental

Conhecido em países como a Alemanha, Angola, Canadá, Colômbia, EUA, Itália, Portugal e Japão, entre outros, Mônico Reis já participou de mais de 70 exposições no Brasil e no exterior com outros artistas. Ganhou 12 prêmios. Ele atribui seu sucesso às cores alegres que costuma imprimir em suas obras “ Procuro, com meu trabalho, levar mensagens boas e alegres às pessoas. Por isso, me recuso a pintar temas melancólicos, ou que se refiram à violência, à morte, às guerras ou outras tragédias etc.”, contou.

Governo aumenta os investimentos em cultura

Conforme dados do Portal da Transparência do Governo de Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) aumentou neste primeiro semestre o investimento disponibilizado para cultura no Estado em comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto em 2020, o valor empenhado – orçamento disponibilizado para o compromisso formal do fornecedor ou do credor – na primeira metade do ano foi de R$ 23,6 milhões, no exercício atual, durante o mesmo tempo, houve o acréscimo de, aproximadamente, 16% (cerca de R$ 4 mi a mais).

Em números aplicados, ou seja, pagos entre as funções desempenhadas diretamente na cultura, administração e comércio e serviços, houve o aumento proporcional de cerca de 16%. Em valores absolutos, no primeiro semestre de 2020, a Secult investiu na cultura e atividades necessárias para o exercício R$ 16.443.696,32. Enquanto neste ano, no mesmo período foram pagos R$ 19.138.028,32.

Conforme o balanço disponibilizado pela Secult, o incremento no setor se deve às metas que o Governo pretende implantar em 2021.  Entre estes objetivos, de acordo com as previsões, estão ações como  o plano de Promoção Turística do Circuito Liberdade, a Ampliação dos equipamentos integrantes e das rotas turísticas e a melhoria da sinalização das rotas e dos equipamentos. Também devem ser desenvolvidas a conexão com festivais e eventos culturais de BH e o lançamento de novos editais de fomento à cultura.

Ferocidade, doçura e encanto: é hora de voar com Azzula

Ela tem a voz forte, atitude feroz e várias faces. Ela entrou no mundo das artes como Sam Luca, mas é como a Drag Queen Azzula que a cantora mostra toda sua potência.

Há 13 anos investindo em várias modalidades artísticas, como o canto, o teatro, a dança e a arte circense, aos 26 anos a artista aproveitou a pandemia para inovar sua arte e recuperar-se da perda financeira — calculada em 50% da renda a que estava acostumada.

Ao assumir a personalidade de Azzula, pássaro azul, de canto melodioso e marcante, a cantora adquiriu força. Utilizando a face “Drag Queen” como “uma armadura”, ela se tornou “feroz”, “voraz” e transformou-se na profissional que gostaria de ser.

“Como Azzula, faço acontecer as coisas que Sam Luca não conseguia. Ela abriu meus olhos”, contou. A letra da música “Fera” reforça essa tese: “Sou fera ferida, aceito o seu pouco caso no amor. E mesmo com tantos planos e enganos, superei os danos que me causou”. 

O distanciamento social fez com que ela entrasse em contato consigo mesma e, no último mês de abril, lançou o EP “FERA”, estrelando o primeiro videoclipe no mês passado. 

“Produzi três vídeos na sede do Diário do Comércio, pois meu produtor tinha contatos na redação e achamos o lugar ideal para essa produção, pois os jornalistas estavam trabalhando em home office”, relata Azzula

Os três audiovisuais ilustram os singles “Suor”, “Fera” e “Agora” (disponíveis no Spotify) — este último em exibição pelo Youtube. Os outros dois videoclipes devem ser lançados em junho e julho.

Reconhecimento

O universo da economia criativa é vasto, e com o agravamento da pandemia artistas vivem um momento de reinvenção das suas obras e aprimoramento do acesso ao público para melhorar a receita.

O recorte para o trabalho de uma Drag Queen ainda conduz artistas à margem de todos os campos, o que atinge diretamente a receita da equipe, do trabalho e dos investimentos na carreira. Hoje, o que contribui com a carreira de Azzula é, basicamente, o patrocínio de apoiadores que já conhecem a artista.

Além disso, existem os editais de financiamento advindos do setor público. O momento foi oportuno para criar e me reconhecer dentro do meu próprio trabalho.

Mudanças na arte

Presente também no Facebook e Instagram, Azzula diz que o isolamento social a impediu de fazer shows e apresentações presenciais, mas, por outro lado, suas performances no meio digital ampliaram em 90% o seu público.

Além de participar do ““Festival Plural Música e Diversidade”, de Brasília”, promovido virtualmente em julho de 2020, no dia 5 de junho, ela se apresentou no canal “Música da Periferia”, produzido pelo “Circuito Municipal de Cultura financiado pela  Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria e da Fundação Municipal de Cultura.

MPB

Com letras fortes, as quais traduzem as discriminações sofridas por ser negra, ser “Drag Queen” e lutar pelos direitos da comunidade LGBTQI+, Azzula sente que sua arte ainda é marginalizada e associada, por muitos conservadores, à prostituição. Por isso, ela quer se firmar como uma grande cantora da Música Popular Brasileira (MPB) e os primeiros passos já foram dados.

Fã de Elis Regina e Maria Bethânia, Azzula considera que o show que marcou sua vida foi a apresentação na Virada Cultural de Belo Horizonte, em 2019. “Foi emocionante dividir o palco com tantos artistas que amo e admiro”, revelou.

Imponente, ela promete resistir. “Estamos em resistência na busca de patrocinadores e parceiros que se associam a trabalhos com mercado LGBTQI+. É uma luta diária e cautelosa. Mas tenho apresentado ao meu público conteúdos novos, criativos e que conversam com a identidade da cidade de Belo Horizonte”, afirmou.

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