Aurora investirá R$ 3 bilhões em geração solar no Norte de Minas

19 de junho de 2021 às 0h30

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A Aurora Energia vem investindo em vários projetos para a instalação de agrupamentos de painéis geradores de energia solar em Minas Gerais | Crédito: Divulgação

A produção de energia fotovoltaica em Minas Gerais ganhou um incremento de peso na sexta-feira (18). A Aurora Energia, empresa mineira com maior licença ambiental do País, responsável  por mais de 6.000 MWp, vai investir R$ 3 bilhões no cluster 3 “Sertão Veredas”, que faz parte da usina de Arinos, no Norte de Minas.

O cluster é um agrupamento de painéis geradores de energia solar. E de acordo com o CEO da Aurora, Fabrício Lopes, o cluster 3 “Sertão Veredas” é 100% desta empresa. Com o investimento espera-se que o parque de produção fotovoltaica da usina de Arinos seja implantado já em 2022 e passe a operar a partir de 2023.

O cluster 3 “Sertão Veredas”, segundo explicou Lopes, não está relacionado com o cluster 1 ”Sol do Cerrado” que vai gerar energia para a mineradora Vale. Com o cluster 3, a Aurora Energia amplia seus investimentos na geração de energia limpa em Minas Gerais. “A estimativa é que a longo prazo consigamos investir cerca de R$ 35 bilhões no Estado. Hoje temos mais de 8 mil megawatts em desenvolvimento”, afirmou.

A geração por meio da energia solar fotovoltaica tem como vantagens o fato de ser inesgotável , de garantir uma geração de energia autossustentável e apresentar um custo inferior em relação a outras fontes de energia poluentes.

“Juntos podemos nos aproximar de um futuro energético mais limpo e ajudar Minas Gerais no compromisso de alcançar o Race to Zero em 2050, contribuindo para um planeta ecologicamente mais sustentável”, argumenta o CEO da Aurora Energia.

Potencial – A Aurora Energia é considerada a empresa mineira com a maior licença ambiental no País (mais de 6.000 MWp). Em junho, ela conseguiu mais 698 MW de outorga, contribuindo cada vez mais com a matriz energética brasileira.

A escolha do município de Arinos justifica-se pelos altos índices de luz solar que fazem do Norte de Minas uma das áreas com maior potencial para geração de energia fotovoltaica em todo o mundo.

Com a implantação da usina estima-se que somente em Arinos, sejam gerados 100 empregos diretos e 1.200 indiretos. Os impactos  para a região são enormes, uma vez que a estimativa de investimento a longo prazo ultrapassa R$ 35 bilhões.

Belo Monte pode perder 1.800 MWh

Rio de Janeiro – A hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu (PA), poderá ter uma perda de 1.800 MWh médios em 2022, chegando a 6.000 MWh médios em fevereiro e em março, caso se mantenha decisão judicial de sexta-feira (18), que reduz a vazão da usina para a geração de energia, informou a sua concessionária Norte Energia em comunicado.

O cenário ocorre em um momento em que o governo tem lançado mão de diversas medidas para garantir o abastecimento de eletricidade do País, diante de uma grave crise hídrica nos reservatórios do Sudeste.

A queda de geração, frisou a companhia, poderá deixar de contribuir ainda com cerca de 7,5% dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) no próximo ano.

Na decisão, a Justiça acatou pedidos de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, cancelando um acordo entre a Norte Energia e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em fevereiro. O acordo entre as partes garantia o desvio de 80% das águas do rio Xingu para as turbinas da usina, segundo o MPF.

“A redução de geração da UHE Belo Monte provocado por este hidrograma representará um agravamento de cerca de 3,2% do GSF (risco hidrológico), e perdas estimadas para o Sistema Interligado Nacional (SIN) da ordem de R$ 3,5 bilhões”, afirmou a empresa no comunicado. A Norte Energia informou que ainda não foi notificada oficialmente da decisão, mas que tomará as medidas cabíveis.

“Com a decisão, a hidrelétrica fica obrigada a aplicar um hidrograma provisório, liberando água suficiente para a manutenção da vida na região da Volta Grande do Xingu até que apresente estudos técnicos suficientes sobre os impactos do desvio do rio”, disse o MPF em nota.

Segundo o MPF, a decisão “considera que, ao assinar o termo de compromisso, o hoje afastado presidente do Ibama, Eduardo Bim, deixou de considerar pareceres de sua própria equipe técnica – que atestavam a inviabilidade do desvio das águas do Xingu – e desrespeitou o princípio da precaução ambiental, que baliza o licenciamento ambiental no Brasil”.

Em contrapartida, o revés para a Norte Energia ocorre em um momento em que Belo Monte, considerada uma usina a “fio d´água” – que gera à plena carga na época da cheia – entra em um período de menor produção elétrica, devido a menos chuvas na região Norte do País.

“A decisão judicial tem pequeno impacto imediato sobre a produção de energia da usina de Belo Monte porque, a partir de junho, o Xingu está em regime de seca e a geração de energia é mínima até o próximo período de cheia”, disse o MPF.

Na véspera, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, negou que o governo trabalhe com uma hipóteses de racionamento, mas pediu aos consumidores que economizem energia. Ele também ressaltou que o baixo reservatório hídrico levou ao acionamento de usinas de outras fontes mais caras, o que terá impacto nas contas de luz.

A hidrelétrica de Belo Monte, que recebeu investimentos de mais de R$ 30 bilhões, possui 11,2 mil megawatts em capacidade e é uma das maiores do mundo.

A Norte Energia, responsável pelo empreendimento, tem como principais sócios empresas da estatal Eletrobras e elétricas como Neoenergia , Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) , Light , além da Vale e de fundos de pensão. (Reuters)

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