Banco Central eleva a taxa básica de juros para 13,25% ao ano

Novo ajuste deve ser feito em agosto

16 de junho de 2022 às 0h29

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Decisão do Copom foi em linha com as expectativas do mercado, mas era esperado fim do ciclo de aperto monetário | Crédito: REUTERS/Adriano Machado

São Paulo – O Banco Central subiu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, seguindo a indicação de que reduziria a intensidade de seu ciclo de aperto monetário para conter a inflação, mas surpreendeu ao dizer que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto.

Em comunicado, a autarquia afirmou ainda que as medidas de cortes de tributos para baratear combustíveis, energia e telecomunicações, em tramitação no Congresso, reduzem sensivelmente a inflação neste ano, mas elevam, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante da política monetária, atualmente focado em 2023.

O BC ressaltou que as projeções usadas para tomar a decisão desta quarta não incorporam o impacto dessas medidas tributárias, ressaltando que a incerteza em torno de suas premissas está maior do que o usual e cresceu desde a reunião de maio.

“O Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, explica o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado divulgado na quarta-feira.

A magnitude da elevação foi em linha com a expectativa do mercado, de acordo com pesquisa Reuters que ouviu 30 instituições. A pesquisa, porém, previa que o ciclo de aperto seria encerrado agora.

Com a decisão, que teve apoio unânime do colegiado, o BC levou a Selic a um patamar 11,25 pontos acima da mínima histórica de 2%, atingida em meio à pandemia de Covid-19 e que vigorou até março do ano passado. Foi a décima primeira elevação consecutiva da taxa básica, ao nível mais alto desde janeiro de 2017, quando estava em 13,75% ao ano.

Na reunião de maio, o Copom havia elevado a Selic em 1,0 ponto percentual, dizendo ser provável uma extensão do ciclo de alta dos juros com um ajuste de menor magnitude na reunião de junho.

A magnitude do ajuste na Selic anunciado nesta quarta era esperada pelo mercado, mas o foco dos analistas estava nas sinalizações que o BC daria no comunicado em relação aos passos futuros da política monetária diante do surgimento de novos riscos fiscais, com o governo abrindo os cofres em ano eleitoral para baixar preços de combustíveis, energia elétrica e alimentos.

Repercussão

Em nota, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) afirma que recebeu a decisão com “grande preocupação, mas sem surpresa”.

De acordo com a entidade, preocupa a “desconsideração” do Copom com o fato de o Brasil ainda conviver com sequelas da recessão de 2014-2016 e das perdas geradas pela pandemia de Covid-19. Além disso, aponta a Fiemg, há cerca de 12 milhões de desempregados no País e outros 30 milhões de brasileiros, aproximadamente, trabalham na informalidade.

Outro ponto destacado pela Fiemg é relativo às perspectivas, cada vez menores, de crescimento do PIB brasileiro em 2022 e 2023.

“As pressões inflacionárias são notórias e devem ser devidamente tratadas pelas autoridades públicas. Contudo, a relação entre o custo e o benefício dos movimentos de elevação dos juros precisa ser reequilibrada pelo Banco Central, considerando todos os impactos para o setor produtivo e para a sociedade brasileira” conclui.

O economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Paulo Casaca, afirma, em nota, que é esperado que a política de aperto monetário esteja chegou ao fim do seu ciclo. “A inflação pressionada no mundo todo e a resposta de alta dos juros pelos bancos centrais, obriga o Copom a promover essa elevação da Selic, mas há riscos que precisam ser acompanhados de perto nos próximos meses”, diz.

“Acredito que seja possível manter a taxa Selic em um nível próximo ao atual, ainda que por um período mais prolongado. A hipótese de se elevar a Selic indiscriminadamente pode ser muito perversa para atividade econômica interna, sem que houvesse o benefício esperado no controle dos preços, uma vez que boa parte dessa alta da inflação advém de choques externos”, afirma.

Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, os impactos podem ser negativos no comércio, pois o crédito junto aos bancos ficará mais caro. Nessa situação, o comerciante precisa repassar a diferença para o consumidor. “Isso se torna um efeito dominó onde produtividade, investimentos, consumo e vendas são simultaneamente prejudicados”, diz, em nota.

Por fim, o presidente da CDL/BH espera que o governo utilize a política monetária de forma a conter o avanço dos preços, mas sem comprometer a economia real em longo prazo. “Para isso, é necessário estabelecer um ambiente econômico seguro, capaz de atrair investimentos diretos e com responsabilidade fiscal”, conclui. (Com informações da Reuters)

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