Belo Horizonte é ou não é uma cidade inteligente?

28 de junho de 2021 às 13h51

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Em 2020, a cidade de São Paulo concentrou 9,8% do PIB do país, seguida por Rio de Janeiro (4,4%), Brasília (3,5%) e Belo Horizonte (1,3%), | Crédito: Breno Pataro/PBH

Conseguir realizar o desenvolvimento econômico e social de maneira sustentável. Esse é um dos principais conceitos que norteiam as cidades inteligentes — as Smart Cities. O uso da tecnologia somada à participação dos cidadãos são os ingredientes para fazer funcionar esse modelo de planejamento urbano.

A coordenadora do Programa de Pós-graduação de Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renata Abrante Baracho, explica que meio ambiente, tecnologia, união social, governança, mobilidade, tratamento de água e lixo, são alguns preceitos para uma cidade inteligente.

“Essas ações se aplicam em ambientes que valorizam a participação dos cidadãos e o uso da tecnologia para beneficiar o funcionamento dos sistemas”, explica.

Mas afinal, Belo Horizonte cumpre o que exige uma Smart City? 

Desde 2017, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) segue no caminho para se tornar uma cidade inteligente. Ações de sustentabilidade, mobilidade, segurança, governança e tecnologia foram os primeiros passos dados pelo município.

“Abrimos um diálogo direto com a população e avançamos com diversas ações pela cidade. Uma delas foi entregar 40 pontos de internet logo no primeiro ano de desenvolvimento. Hoje, temos 1.032 pontos espalhados pela cidade, sendo 170 em vilas e favelas, 40 nas estações do Move, além da inclusão digital, gerando emprego e renda”, conta o secretário municipal adjunto de Planejamento, Orçamento e Gestão, Jean Mattos Diarte.

Ainda de acordo com o secretário, com o plano de expansão tecnológica, mais de dois mil alunos da rede municipal, além dos professores, foram formados na área tecnológica.

Além da expansão tecnológica da cidade, da criação da rede de monitoramento 24 horas, da popularização do acesso gratuito à internet e do mapeamento de dados, a prefeitura investiu em outros programas, como a agricultura urbana, a construção de filtros de água para enchentes – mini jardins, plantio de árvores – e o planejamento do comércio em bairros para evitar grandes deslocamentos.

“Dentro do nosso plano diretor, buscamos alternativas que atendam melhor a nossa população, como dialogar com o setor produtivo para atender as demandas dos bairros, a iniciativa da agricultura urbana, que ajuda na questão da absorção da água da chuva, além da criação de laboratórios abertos para a criação de startups”, salienta.

Parque Municipal | Crédito: Vander Bras/PBH
Parque Municipal Américo Renné Giannetti | Crédito: Vander Bras/PBH

Para o secretário Jean Mattos Diarte, outro grande avanço da prefeitura foi à meta de carbono zero, no programa Race to Zero, dentro do evento da COP 26, que acontecerá na Inglaterra, em novembro deste ano.

“Para nós, a cidade inteligente é a que se preocupa com o bem estar da população e tem um planejamento consciente. Isso que estamos fazendo ao buscar soluções com temáticas que vão, também, junto com as cidades da região metropolitana”, reforça.

A pesquisadora e pós-doutoranda Renata Abrante Baracho, avalia que Belo Horizonte ainda está rumando para ser uma Smart City.

“A questão da tecnologia, da iluminação pública e da mobilidade tem avançado, mas ainda há muito a se fazer”, reforça. Ela pontua as iniciativas da Prodabel, nas ações de programação, acesso a dados e inclusão social.

Para uma cidade ser considerada inteligente, não há uma receita a ser seguida. A professora de arquitetura da UFMG, explica que tudo depende até mesmo da cultura da região. 

“Tanto os índices nacionais quanto os internacionais abordam isso. Não há como estabelecer critérios. Agora com a pandemia, por exemplo, a saúde, a mobilidade, a energia foram considerados os critérios principais. Em segundo plano ficou o abrigo, a economia e a cultura. Depende do momento que estamos vivendo”, opina.

Renata Baracho acrescenta que a tecnologia é primordial para a gestão pública na questão de mapeamento e coleta de dados da cidade. “Isso é fundamental para junto com o cidadão criar estratégias de soluções que possam ser aplicadas nas cidades. É aí que surgem as boas iniciativas”.

A pesquisadora afirma que ainda não há uma cidade totalmente inteligente no mundo. “O que temos são cidades em países de primeiro mundo com boa situação econômica. Totalmente inteligente, temos exemplos de algumas cidades que foram planejadas, porém, quando habitadas, começam a depender da convivência, do uso da tecnologia; depende até da gestão e de como vão saber lidar com a novidade”, opina.

Para Renata Boracho, as novas gerações deverão ter mais facilidade em adaptar ao novo modelo de Smart City, já que nasceram com o uso tecnológico. “Belo Horizonte está no caminho certo. É importante que não perca essa integração entre a gestão pública, o uso da tecnologia, o acesso ao pacote de dados, o cidadão e o mapeamento dos problemas da cidade para que assim seja encontrada a solução”, reforça.

O que é uma cidade inteligente?

De acordo com dados do Sebrae Minas, Smart City são aquelas cidades que otimizam a utilização dos recursos para melhor servir os cidadãos. Questões como mobilidade, energia, tecnologia, saúde, educação, são alguns dos exemplos que são necessários à vida das pessoas. 

As definições podem ser muitas e dependem da realidade de cada região, porém alguns fatores são essenciais em relação às cidades inteligentes:

  • São voltadas para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos
  • Precisam do envolvimento de stakeholders para dar certo (universidades, empresas, ONGs)
  • São construídas com base em planejamento e devem otimizar a utilização de recursos.
cidade inteligente de Songdo, Coréia do Sul | Crédito: Pixabay
Songdo, Coreia do Sul | Crédito: Pixabay

Cidade inteligente Bottom-up ou Top-Down?

Cidades inteligentes são classificadas por meio das abordagens bottom-up (de baixo para cima) e top-down (de cima para baixo). 

Nas bottom-ups, as cidades são mapeadas. Câmeras de monitoramento, redes sociais, dentre outras ferramentas ajudam nesse processo. Tudo é integrado em uma plataforma, que permite o eficiente gerenciamento de dados dos serviços. 

Nas top-down a cidade é recriada do zero, fazendo a estrutura inicial trabalhar em favor delas. Como exemplo, há o caso de Songdo, na Coreia do Sul, em que toda a estrutura foi montada para que a cidade seja inteligente. 

Em ambas as abordagens, o objetivo é tornar as localidades mais agradáveis, sustentáveis, limpas e acessíveis.

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