A ampliação das pesquisas minerais permitirá desenvolver o potencial do País | CRÉDITO: REPRODUÇÃO

As boas perspectivas para os produtos da mineração e o grande potencial a ser explorado no Brasil exigirá investimentos. A estimativa é que os aportes na mineração no País, nos próximos quatro a cinco anos, deve atingir cerca de US$ 40 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Com um enorme potencial a ser desenvolvido, o ingresso no mercado de capitais é visto como vantajoso e interessante para alavancar as empresas. O assunto foi discutido no seminário on-line “Mineração: Financiamento e Acesso ao Mercado de Capitais”, realizado ontem, pelo Ibram.

De acordo com o presidente do Conselho Diretor do Ibram, Wilson Brumer, o Brasil tem enorme potencial para ser desenvolvido, o que será permitido com a ampliação de pesquisas minerais. Ele destacou que o trabalho da Agência Nacional de Mineração (ANM) vem liberando centenas de áreas para essa pesquisa, permitindo que o setor mineral eleve suas projeções de investimentos.

Ainda segundo Brumer, há cerca de seis meses, o montante de investimentos previstos, em quatro a cinco anos, na mineração do Brasil era de US$ 32 bilhões e, hoje, subiu para US$ 40 bilhões. O mercado de capitais será uma alternativa viável para atrair investidores e sair do financiamento por empréstimo.

“Os investimentos não serão apenas nas pesquisas, que são fundamentais para o futuro da mineração, mas também queremos que médias empresas possam, de fato, ter acesso ao mercado e às alternativas de financiamento para projetos e para ampliar as operações. Criamos um memorando com a Bolsa do Canadá no sentido de ampliar os investimentos em pesquisa principalmente, mas deve ser ampliado para que as empresas possam ter acesso ao mercado de capitais, para sair do tradicional mecanismo de financiamento, via o sistema financeiro por empréstimos e com juros, e atrair investidores”.

A secretária-executiva do Ministério de Minas e Energia (MME), Marisete Pereira, ressaltou que o momento atual é oportuno para discutir novas formas de viabilizar financeiramente a mineração e projetos no Brasil.

“É primordial avançarmos nessa discussão de modo a incluir a mineração com atividade beneficiária de recursos captados na bolsa, como já ocorre em outros países e setores de grande relevância para nossa economia. Incluir a indústria mineral na cultura de captação de recursos no mercado financeiro poderá elevá-la a um patamar de desenvolvimento. O MME tem criado políticas públicas para dinamizar o setor mineral brasileiro, promovendo a ampliação dos players e a diversificação da matriz mineral”.

Ainda segundo Marisete , o setor de mineração terá papel fundamental na recuperação da economia em um momento pós-pandemia. Segundo ela, indicadores econômicos recentes apontam para o papel de destaque que o setor mineral vem exercendo na retomada econômica com reflexo do desempenho dos setores siderúrgico, de construção civil e o comércio exterior.

Meio ambiente – Marisete Pereira frisou ainda que os investimentos mundiais estão sendo cada vez mais guiados pelas mudanças climáticas que incluem a transição energética e a busca pela neutralização de carbono e o setor poderá contribuir com a exploração de novos minerais, favorecendo o movimento e colocando o setor de energia em linha com os princípios da sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG).

“Dessa forma, a inserção da mineração em cenários de captação de recursos em bolsas nacional e internacionais poderá ampliar, de modo substancial, o desenvolvimento alinhado com os compromissos com a sustentabilidade, com a responsabilidade ambiental, a ética, transparência no setor em resposta às exigências dos investidores no mercado de capitais”.

Ainda são poucas as empresas do setor na bolsa

Com as taxas de juros baixas, investidores têm buscado o mercado de ações para diversificar o portfólio, o que vem atraindo muitas empresas que pretendem se capitalizar e investir. No Brasil ainda são poucas as empresas do setor de mineração listadas na bolsa e para que o acesso seja ampliado e atinja inclusive as de menor porte e iniciais em projetos e pesquisas, será preciso superar obstáculos.

O diretor de relacionamento com clientes da B3, Rogério Santana, explica que para tornar o mercado mais acessível para empresas mineradoras, mesmo as de menor porte, é preciso pensar em três óticas. A primeira é a regulação setorial, já que o investidor olha riscos e oportunidades e um dos fatores primordiais é a estabilidade do marco regulatório do setor em que a empresa está inserida. Nos últimos anos, foram realizados avanços importantes na mineração, mas ainda tem espaço para avançar mais para trazer mais conforto ao investidor.

Outro ponto é a regulação do mercado de capitais. “É preciso entender se a regulamentação que temos hoje, e que se aplica às empresas que já estão com capital aberto e consolidadas, atenderia a necessidade de empresas juniores, com projetos nascentes. Caso não, seria necessário reajustar”.

Por fim, é preciso buscar formas de aproximar o investidor brasileiro do setor de mineração. Um dos caminhos é a criação de incentivos que podem acelerar esse processo de aproximação, como tributários, por exemplo. Outra ação é a educação do investidor, onde especialistas do setor de mineração precisam apresentar o funcionamento, as características, os riscos potenciais e a dinâmica do setor mineral.

“Há diversas formas para ajudar os investidos a entenderem melhor o funcionamento. Juntos – incentivos e educação – nós teríamos uma combinação positiva para o desenvolvimento do mercado e para aproximar o setor mineral do mercado de capital, principalmente de empresas nascentes ou inicial de desenvolvimento de projetos e pesquisas”.

O head South America da Toronto Stock Exchange (TSX), Guillaume Légaré, explica que o Brasil tem grande potencial na mineração e que para ingressar na bolsa canadense, as empresas precisam apresentar relatórios que comprovem a qualidade dos ativos e relatórios geológicos para comprovar as reservas. Além disso, é avaliada a experiência nas práticas de governança ambiental, social e corporativa (ESG).

O head of Primary Markets of the Americas da London Stock Exchange Group, Chris Mayo, explica que do ponto de vista da mineração, Londres é um mercado importante para o setor e que a listagem em várias bolsas é uma estratégia interessante e que vem sendo adotada pelas empresas de mineração. O ingresso na bolsa de Londres é mais indicado para empresas que pretendem investir no desenvolvimento e na exploração do que em pesquisas.

“Nós notamos, nos últimos anos, que as empresas passaram a adotar uma estratégia interessante, com a listagem em múltiplas localidades. O capital estrangeiro sempre será um componente importante em múltiplas listagens. Para a listagem em Londres, reconhecemos padrões de resultados e relatórios de mineração já aceitos em mercados financeiros como o do Canadá e da Austrália.