Brasil teve ano mais quente da história; veja como Minas enfrenta mudanças climáticas

Cerca de 5,5 milhões de mineiros vivem em cidades onde a vulnerabilidade para os impactos das mudanças climáticas varia de moderada a alta

28 de janeiro de 2024 às 8h00

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Crédito: Luis Graterol / Unsplash

O ano de 2023 foi o mais quente da história do planeta, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). No Brasil não foi diferente: um balanço do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgado neste mês de janeiro, confirmou que o país também registrou recorde de calor no mesmo ano.

Em 2023, a média das temperaturas no Brasil ficou em 24,92°C, o que equivale a 0,69°C acima da média histórica de 1991 a 2020, que é de 24,23°C.

Em 2022, a média anual tinha sido de 24,07ºC, ou seja, 0,16ºC abaixo da média histórica.

Ranking dos cinco anos mais quentes da história do Brasil

Desde 1961, quando se inicia a série histórica do Inmet, estas foram as maiores médias anuais de temperatura registradas:

  • 2023: 24,92°C
  • 2015: 24,89°C
  • 2019: 24,83°C
  • 2016: 24,66°C
  • 1998: 24,60°C

Dos 12 meses do ano de 2023, nove tiveram médias mensais de temperatura acima da média histórica, segundo o Inmet.

O mês mais quente foi setembro, que apresentou uma temperatura média de 1,6°C a mais que o historicamente registrado nesse mês.

Causas do excesso de calor

Foram nove episódios de onda de calor sentidos pelo Brasil ao longo do ano. O Inmet atribui esse agravamento a três fatores principais:

  1. o fenômeno El Niño (aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial),
  2. o aumento da temperatura global da superfície terrestre
  3. e o aumento da temperatura dos oceanos.

“Após análise dos desvios de temperaturas médias anuais do Brasil desde 1961 a 2023, o Inmet verificou uma tendência de aumento estatisticamente significativo das temperaturas ao longo dos anos, que pode estar associada à mudança no clima em decorrência da elevação da temperatura global e mudanças ambientais locais”, afirmou o instituto em seu balanço.

Anomalias climáticas em Minas Gerais

As temperaturas mais elevadas foram registradas nos seguintes Estados, segundo o Inmet:

  • Minas Gerais (algumas áreas)
  • Pará (sul do Estado),
  • Mato Grosso,
  • Mato Grosso do Sul (sul do Estado),
  • Paraná,
  • Rio Grande do Sul,
  • Goiás,
  • Bahia,
  • Pernambuco
  • e Ceará.
Anomalias de temperaturas médias registradas no Brasil em 2023, segundo o Inmet
Anomalias de temperaturas médias registradas no Brasil em 2023, segundo o Inmet

De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Minas Gerais teve 12 de 43 cidades com anomalias climáticas no ano passado.

Em novembro, a cidade de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, foi considerada a mais quente do país, alcançando a temperatura recorde de 44,8°C.

Impactos das altas temperaturas em Minas Gerais

Entre os potenciais impactos decorrentes dos efeitos das mudanças climáticas, estão:

  • previsão de queda no Produto Interno Bruto (PIB) em todas as áreas nos anos de 2035 e 2050, com reduções de 3,86% para a agropecuária, por exemplo (conforme o documento “Avaliação dos Impactos das Mudanças Climáticas na Economia Mineira”, de 2011);
  • vulnerabilidade das cidades mineiras em 2040, com perdas de renda e de empregos concentradas na região do Triângulo;
  • aumento de 13% das taxas de hospitalizações para doenças infecciosas e respiratórias;
  • queda na quantidade e qualidade da água;
  • impactos na distribuição dos biomas (conforme estudo da Fundação de Amparo às Pesquisas do Estado de Minas Gerais).

Segundo a plataforma Clima na Prática, desenvolvida em 2020 com apoio do governo francês, cerca de 5,5 milhões de mineiros vivem em cidades onde a vulnerabilidade para os impactos das mudanças climáticas varia de moderada a alta. São 443 (52%) municípios mineiros sensíveis a esses impactos.

Ações de enfrentamento às mudanças climáticas em Minas

O governo de Minas divulgou uma série de ações para evitar que essas projeções alarmantes se tornem reais. Entre elas, o Plano de Ação Climática (Plac), políticas de saneamento básico, transição energética, economia verde e o combate ao desmatamento.

“Em 2021, o Estado se tornou o primeiro da América do Latina e Caribe a aderir, oficialmente, à campanha global Race to Zero, e assumir metas de neutralidade de gases de efeito estufa (GEE) até 2050, juntamente com produtivo mineiro. Também assinaram o acordo a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), que assumiram o compromisso da economia de baixo carbono”, divulgou o Executivo, em novembro de 2023.

Conheça as principais políticas públicas de Minas para as mudanças climáticas divulgadas pelo governo:

  • Plano de Ação Climática: instrumento estratégico de diretrizes e ações gerais e prioritárias para conduzir o planejamento de Minas Gerais a alcançar seus objetivos no âmbito do enfrentamento das mudanças climáticas. Por meio dele, foram estabelecidas 28 ações setoriais, 103 subações e 199 metas, que foram atribuídas para a execução das secretarias e entidades do Governo de Minas em prol da descarbonização da economia do Estado.
  • Inventário de emissões de gases de efeitos estufa do setor industrial: em parceria com o Estado, a Fiemg está inventariando as 200 maiores indústrias do estado e apoiando o plano de ação para redução das emissões. Em 2022, foram atendidas 25 indústrias e, este ano, são 16 em andamento.
  • Plataforma Selo Verde: desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para subsidiar o monitoramento e avaliação de políticas de desenvolvimento agropecuário sustentável no estado. A plataforma disponibiliza estimativas da produção agropecuária e adequação ambiental por propriedades rurais com registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR), aplica análises geoespaciais, possibilitando a rastreabilidade da produção agropecuária, sendo importante aliada no combate ao desmatamento ilegal.
  • Minas Contra o Desmatamento: Minas tem intensificado as ações e alinhado estratégias com os municípios. No primeiro semestre de 2023 foram realizadas 5.251 ações de fiscalização. A cada uma hora, uma fiscalização contra o desmatamento ilegal foi feita no estado. Com isso, as áreas desmatadas diminuíram em relação ao mesmo período do ano passado. Somente na Mata Atlântica, a queda foi de mais de 40%.
  • Coleta seletiva: em 2022, das 18.583.597,78 toneladas de resíduos gerados em MG 34% foram encaminhadas para reciclagem e 11% para reutilização. De 2019 a 2022, houve uma redução do número de municípios destinando resíduos a lixões no estado, passando de 360 para 276. Em Minas, 234 municípios realizam coleta seletiva.
  • Vale do Lítio: lançado em maio de 2023, o projeto econômico-social visa desenvolver cidades do Nordeste e Norte do estado em torno da cadeia produtiva do lítio, gerando mais empregos e renda para a população das duas regiões. O mineral é usado em diversas aplicações, sendo a mais comum a fabricação de baterias de longa duração, que equipam veículos elétricos e aparelhos eletroeletrônicos. Até o momento, o Vale do Lítio já conta com cerca de R$ 5 bilhões em investimentos confirmados.
  • Energia solar: Minas Gerais é líder brasileiro em geração solar fotovoltaica, responsável por cerca de um quinto da energia solar produzida em todo o país, de acordo com o levantamento da Aneel. Hoje, os 853 municípios de Minas (100%) têm módulos fotovoltaicos geradores de energia solar.
  • Sol de Minas: o projeto estadual, lançado em 2019, simplificou o licenciamento ambiental para empreendimentos de energia solar fotovoltaica, renovou incentivos fiscais para a cadeia produtiva do setor e lançou, em conjunto com a Cemig, o mapa de disponibilidade de rede on-line, em que os ativos de energia da concessionária disponíveis para a conexão de empreendimentos de energia solar podem ser consultados com facilidade.
  • Etanol: quinto estado do Brasil em produção de etanol, o que ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promove a diversificação da matriz energética. O consumo de etanol total reduziu a emissão de GEE em mais de 600 milhões de toneladas de CO² desde março de 2003 (data do lançamento dos veículos flex no Brasil), até dezembro de 2022.
  • Biomassa: em 2022 foram gerados pelas usinas de moagem de Minas, 2.717,3 GWh de energia elétrica limpa e renovável, a partir do bagado e palha de cana-de-açúcar.

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