Crédito: Adriano Machado/Reuters

A menos de um mês para completar um ano do rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a mineradora Vale iniciará o depósito de rejeitos na cava da mina. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) autorizou a empresa a utilizar a estrutura para assentar os resíduos que já foram inspecionados e liberados para disposição final pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

De acordo com a mineradora, a ação facilitará o trabalho de buscas dos bombeiros em áreas ainda não vistoriadas, etapa fundamental para a recuperação das áreas atingidas. Até o momento são 257 mortos e 13 pessoas desaparecidas.

Ainda segundo a Vale, o uso do local é a solução definitiva e mais segura para acomodar o rejeito, uma vez que a cava é uma escavação realizada em rocha resistente, controlada e monitorada em termos ambientais, geotécnicos e operacionais.

“Além disso, a cava tem capacidade para receber o volume de rejeito que precisa ser armazenado. O transporte do rejeito até a local será realizado por caminhões, utilizando exclusivamente vias internas do complexo minerário”, disse a companhia em nota.

A liberação da cava foi concedida pela Semad e comunicada à Agência Nacional de Mineração (ANM). A Vale também já entregou aos órgãos competentes o Plano Integrado de Manejo de Rejeitos e Resíduos.

Em virtude do rompimento da estrutura foram carreados 10 milhões de metros cúbicos de lama da mineração na região de Brumadinho. A meta é de que tudo seja removido e transferido para a cava do Feijão até 2023. Para isso, a Vale estima inversões da ordem de R$ 1,8 bilhão.

Os trabalhos deste ano já permitiram a remoção de 1,2 milhão de metros cúbicos de rejeitos da área atingida. Para a execução das obras realizadas foram mobilizadas 45 empresas, 584 equipamentos e 2,8 mil trabalhadores.

Nas últimas semanas, a mineradora apresentou balanço das ações e indenizações desde o colapso da barragem, ocorrido em 25 de janeiro. Neste ano a empresa gastou R$ 4,5 bilhões, entre obras emergenciais de reparação e indenizações. Somente as intervenções estruturais e ambientais emergenciais somaram algo em torno de R$ 600 milhões. Para os trabalhos previstos para os próximos anos, a mineradora estabeleceu planos e orçamentos globais.

A mineradora estima ainda que, ao fim de 2019, terá desembolsado com reparação, indenizações e despesas pelo desastre US$ 1,6 bilhão (R$ 6,55 bilhões). Os valores foram informados no Vale Day, encontro anual com investidores em Nova York, que ocorreu no início deste mês.

Por meio de fato relevante, a empresa comunicou recentemente que alterou suas projeções de desembolsos relacionados a Brumadinho. Somente para o ano que vem, a mineradora estima aportes de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. Para 2021, de até US$ 1,9 bilhão; para 2022, de até US$ 1,25 bilhão. E, para o período de 2023 até 2031, aproximadamente US$ 8 bilhões. As cifras incluem os valores a serem aportados nos projetos de reparação e de descaracterização de barragens da mineradora.

Vale vende produtora de carvão

São Paulo – A mineradora Vale informou na sexta-feira (27) que fechou acordo para vender a totalidade de sua participação de 25% na produtora de carvão chinesa Henan Longyu Energy Resources por cerca de US$ 152 milhões.

A fatia na Longyu, que opera duas minas na província de Henan, com produção de cerca de 3,4 milhões de toneladas ao ano de carvão metalúrgico e térmico, foi vendida para o Yongmei Group, que já controlava a companhia, disse a Vale.

O fechamento da operação é esperado para o primeiro trimestre de 2020, após a conclusão de condições precedentes à transferência da participação, acrescentou a mineradora.

A Vale ressaltou que o acordo está em linha com sua estratégia de disciplina na alocação de capital e racionalização de portfólio de negócios. (Reuters)