Lucro da Codemge dobra e chega a R$ 181 milhões em 2023

Para 2024, a meta é manter a sequência de resultados positivos, que não ocorriam já há alguns anos, por uma série de fatores, entre eles a falta de competitividade dos ativos

2 de fevereiro de 2024 às 5h01

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A Codemig é uma companhia estatal integrante da administração pública indireta, organizada sob a forma de sociedade por ações | Crédito: Codemig / Google Maps / Reprodução

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), empresa estatal integrante da administração pública indireta do Estado, encerrou 2023 com lucro de 181 milhões. Em 2022, o resultado havida sido de R$ 89 milhões, o que significa avanço de 103% de um exercício para outro.

Para 2024, a meta é manter a sequência de resultados positivos, que não ocorriam já há alguns anos, por uma série de fatores. Entre eles, um básico na regra de qualquer negócio: as despesas serem maiores do que as receitas.

Os ativos da Codemge se dividem entre participações societárias, minerários e mobiliários e estão distribuídos em áreas como mineração e metalurgia; energia, infraestrutura e logística; eletroeletrônica e de semicondutores; telecomunicações; aeroespacial, automotiva, química; medicamentos e produtos do complexo da saúde; indústria criativa, esporte e turismo; e outros. Mas, na carteira há muitos ativos deficitários. Por isso, desde que assumiu a presidência da estatal, Thiago Toscano tem como missão a equalização das finanças em prol de sua viabilização.

Iniciando o quarto ano na função, o dirigente comemora o lucro e fala sobre os desafios que ainda persistem. A exemplo da federalização da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), que pouco avançou, apesar de ser uma das principais metas do governo de Romeu Zema (Novo).

“Os números mostram que estamos no caminho certo. Após prejuízos em 2020 e 2021, apuramos números positivos em 2022 e 2023. E a meta é manter a sequência também em 2024. Para isso, vamos dar continuidade à estratégia de reorganização dos ativos para melhorar a sustentabilidade da companhia, o que inclui a venda ou a concessão dos mesmos, sempre respeitando os limites legais“, explica.

Neste sentido, Toscano avalia positivamente o ano que passou. Segundo ele, o que impediu a gestão de avançar como o inicialmente planejado foi uma medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado que suspendeu a venda de ativos. Depois, no decorrer do exercício, alguns chegaram a ser liberados e a companhia conseguiu se desfez de outros.

Da lista, o executivo destaca o Laboratório de Produção de Ímãs de Terras Raras (LabFabITR), em Lagoa Santa (RMBH), vendido para a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) no fim de 2023, depois de duas licitações desertas. E a Helibras. Em janeiro do ano passado, a Codemge e a Airbus Helicopters formalizaram a compra das ações da Helicópteros do Brasil S/A – Helibras (15,51%) detidas pelo governo mineiro. A participação da Codemge foi adquirida por R$ 95 milhões.

Codemge teve dois anos de prejuízo e dois anos de lucro

  • 2020 – prejuízo de R$ 160 milhões
  • 2021 – prejuízo de R$ 200 milhões
  • 2022 – lucro de R$ 89 milhões
  • 2023 – lucro de R$ 181 milhões

Modelagens de concessão impulsionaram lucro da Codemge em 2023

Uma área que a Codemge avançou em 2023 foi a de modelagens de concessão, que até ganhou uma diretoria especificamente para cuidar desses projetos, inclusive junto a municípios. Aqui, Toscano ressalta a estruturação do projeto de universalização do saneamento básico no Vale do Jequitinhonha. E também o contrato para modelagem parceria público-privada (PPP) de um complexo hospitalar da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Ambos em parceria com a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

Além disso, em agosto do ano passado, a Codemge foi oficializada como estruturadora de projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Minas Gerais, o que validou ainda mais esse papel da companhia.

Para 2024, as novidades nesta área incluem a estruturação de um projeto de PPP de escolas para a instituição de fomento e, agora, a concessão da Serraria Souza Pinto. “Este é um case, pois fizemos a concessão com equipe própria e, em menos de um ano, conseguimos colocar o edital na praça. A expectativa é que haja interessados, a Serraria passe a ser operada pelo setor privado, e, assim como Minascentro e Expominas, tenha mais eventos e movimente mais a economia da cidade”, avalia.

O edital de concessão da Serraria foi lançado em dezembro. O contrato no formato de concessão onerosa terá vigência de 20 anos, período no qual o selecionado deverá repassar cerca de R$ 23 milhões à Fundação Clóvis Salgado (FCS). Os investimentos previstos para a infraestrutura do imóvel somam, no mínimo, R$ 7 milhões e entre as melhorias prioritárias está a revisão geral de todas as instalações, adequações elétricas, drenagem e acessibilidade.

O edital de concessão da Serraria foi lançado em dezembro | Crédito Paulo Lacerda Divulgação

Distritos industriais ainda seguem como desafio

Os distritos industriais (DIs) sob a gestão da Codemge também são um problema para a estatal. A Codemge possui hoje 54 espaços implantados em 45 municípios mineiros. Pouco menos da metade desses DIs está sob gestão da estatal, e 28 foram municipalizados.

Toscano explica que, neste caso, houve pouco avanço, pois os municípios que não assumiram a gestão dos espaços não possuem interesse nos mesmos. Assim, a companhia segue como administradora desses, mas não constrói novos. Para este tipo de demanda, a opção apresentada conta com parceiros privados.

“Inclusive, estamos trabalhando em um piloto que deverá ser implantado em alguma cidade da RMBH. A ideia é que os parceiros privados implantem condomínios logísticos nesses municípios. Desta forma não há custo para o município nem para o Estado e o privado tem maiores condições de atrair empresas”, justifica.

Federalização da Codemig pode ser solução para a dívida de MG

A Codemig é um caso à parte, afinal, segue o imbróglio para a federalização da companhia e de outras estatais como Copasa e Cemig como forma de pagamento da dívida de cerca de R$ 162 bilhões do Estado com a União.

Mas Toscano lembra que a transferência do controle acionário do Estado para a União requer processos legislativos que dificilmente serão concluídos em 80 dias, que é o prazo restante do tempo dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que a dívida do Estado volte a ser cobrada. Isso porque dada a complexidade da operação, possivelmente serão necessárias diligências, precificações e, até, uma manifestação do Tribunal de Contas da União (TCU), o que não ocorreria nos próximos meses.

Diante da complexidade, o governo mineiro já começa a estudar alternativas até mesmo dentro do escopo da própria federalização. Uma delas seria a antecipação do fluxo, ou seja, a empresa continuaria sob o guarda-chuva de Minas e o fluxo seria repassado em sua totalidade à União. “A União não herdaria os passivos, receberia apenas o que tem valor, os dividendos”, revela.

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