Combustíveis têm uma escalada de preços em MG

14 de julho de 2021 às 0h29

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Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo Dc

Os constantes reajustes anunciados pela Petrobras estão impactando de forma significativa os preços dos combustíveis comercializados em Minas Gerais. De janeiro até o fechamento dos primeiros 10 dias de julho, todos os combustíveis apresentaram expressivas altas.

Os dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que, na cotação do litro da gasolina, a alta já chega a 25,84% de janeiro até o início de julho. No diesel, o reajuste dos preços, no mesmo período, foi de 22,83% e no etanol, de 32,69%.

Na última semana, a Petrobras promoveu novos reajustes nos preços dos combustíveis. Na gasolina, a alta foi de 6,3% para as  distribuidoras. O diesel teve um reajuste de 3,7% por litro. Os reflexos já foram sentidos no Estado. 

Conforme os dados da ANP, em Minas, enquanto em janeiro o litro da gasolina era comercializado, em média, a R$ 4,72, no fechamento até o dia 10 de julho o mesmo volume passou a ser comercializado a R$ 5,95, reajuste de 25,84%.

O valor médio de R$ 5,95 por litro, praticado entre os dias 4 e 10 de julho, avançou 1,43% frente à semana imediatamente anterior, quando o preço do combustível estava, em média, a R$ 5,86. Já levando em consideração as quatro últimas semanas, os preços avançaram 0,26% em Minas Gerais.

No fechamento da semana passada, os preços da gasolina no Estado variavam do mínimo de R$ 5,66 por litro ao máximo de R$ 6,49 por litro. 

O aumento da gasolina também foi registrado em Belo Horizonte. De janeiro, quando o litro estava cotado a R$ 4,68, em média, ao fechamento dos primeiros 10 dias de julho, o avanço no preço ficou em 24,10%, com o litro sendo vendido no dia 10 de julho a uma média de R$ 5,81.

Na comparação da semana dos dias 4 a 10 de julho, o reajuste no preço do combustível chegou a 1,02% frente à semana imediatamente anterior. Nas últimas quatro semanas, encerradas em 10 de julho, a alta no valor da gasolina comercializada na capital mineira foi de 0,58%. O preço mínimo vigente foi de R$ 5,66 e o máximo de R$ 5,99.

Alta também foi registrada no valor do diesel em Minas Gerais. O levantamento da ANP mostra um avanço de 22,83% entre janeiro e os 10 primeiros dias de julho, com o litro saindo de R$ 3,74 para atuais R$ 4,59.

Na comparação com a semana anterior a 10 de julho, os preços do diesel subiram 1,43% e no acumulado das últimas quatro semanas, 0,7%. No Estado o preço máximo do diesel foi de R$ 5,00 e o mínimo de R$ 4,28.

Em Belo Horizonte, o valor do diesel praticado nos postos chegou a R$ 4,62 por litro na semana de 4 a 10 de julho, o que representa um aumento de 23,4% se comparado com o valor de R$ 3,74 por litro praticado em janeiro.

A alta também aconteceu na comparação entre as semanas dos dias 4 a 10 de julho e de 27 de junho a 3 de julho. No período, o reajuste nas bombas da Capital chegou a 2,05%, com o litro do diesel saindo de R$ 4,52 para R$ 4,62. No acumulado das últimas quatro semanas encerradas em 10 de julho, o preço do combustível apresentou incremento de 1,04%, já que entre os dias 13 de junho e 19 de junho o valor do litro era de R$ 4,57.

Etanol 

No caso do etanol hidratado, os preços nas bombas de Minas Gerais ficaram 32,69% mais caros entre janeiro e o início de julho, com a cotação do litro saindo de R$ 3,23 no primeiro mês do ano para R$ 4,29 na semana de 4 a 10 de julho.

Apesar do aumento no acumulado do ano, os preços na comparação semanal e das quatro últimas semanas recuaram. No confronto da semana de 4 a 10 de julho, com a semana anterior, os preços retraíram 0,34%, saindo de R$ 4,31 para R$ 4,29. Já na comparação com os valores praticados entre 13 e 19 de junho, a queda ficou em 3,97%.

O mesmo movimento foi verificado em Belo Horizonte. Na última semana, frente à imediatamente anterior, foi verificada queda de 1,22%, com o litro caindo de R$ 4,24 para R$ 4,19 entre 4 e 10 de julho. Na comparação com quatro semanas antes, a queda chega a 4,48%. 

Já no acumulado do ano, de janeiro a 10 de julho, o etanol hidratado ficou 30,9% mais caro em Belo Horizonte, com o preço médio avançando de R$ 3,20 por litro para R$ 4,19 por litro.  

Medida já vale a partir do 81º leilão do biocombustível, marcado para agosto | Crédito: Jamil Bittar/Reuters

Governo eleva mistura obrigatória de biodiesel para 12%

São Paulo – O governo federal anunciou na noite de segunda-feira que o 81º leilão de biodiesel terá mistura obrigatória de 12% do biocombustível no diesel, após uma redução temporária para o patamar de 10% nos dois certames anteriores, quando os altos preços da soja deram impulso à cotação do produto derivado da oleaginosa.

Embora represente uma elevação frente aos leilões 79 e 80, a mistura fixada para as contratações que atenderão ao bimestre setembro-outubro ainda fica abaixo da marca inicialmente estipulada para este ano, de 13% – percentual que produtores de biodiesel defendem que seja retomado ainda este ano.

A data de abertura do certame será em 6 de agosto, conforme edital publicado pela agência reguladora ANP.

Segundo nota publicada pelo Ministério de Minas e Energia, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) “entendeu ser adequada a continuidade da redução do teor de biodiesel na vigência do 81º leilão de biodiesel, embora com um percentual de biodiesel superior ao dos últimos dois leilões, a fim de evitar o incremento excessivo no preço final do diesel ao consumidor final”.

A resolução do CNPE foi aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A pasta destacou que a redução da mistura para 10% nos dois leilões anteriores havia ocorrido em função dos efeitos da valorização do custo do óleo de soja nos mercados brasileiro e internacional, que encareceu o biodiesel produzido no País, cuja principal matéria-prima é a oleaginosa.

O movimento de alta dos preços também acompanhou um aumento das exportações de soja do Brasil, apoiadas pelos altos preços internacionais, a firme demanda externa e a desvalorização do real frente ao dólar.

“Tal realidade acarretava a possibilidade de excessivo incremento do preço do óleo diesel e, por consequência, uma série de efeitos negativos ao transporte de cargas e à economia do País, especialmente se considerados os repasses dos preços ao longo da cadeia de abastecimento”, disse o ministério.

“Com o arrefecimento dessa tendência de aumento do preço do biodiesel, fizeram-se presentes as justificativas técnicas para que, no 81º leilão, o percentual de mistura de biodiesel fosse fixado em 12%”.

Mais avanços – Na indústria, a decisão do governo foi bem recebida, embora novos avanços na mistura ainda sejam solicitados.

“A decisão demonstra que prevaleceram os argumentos técnicos defendidos pelos Ministérios de Minas e Energia e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. É um forte indicativo de que estamos no caminho de retomar a previsibilidade da mistura de acordo com resolução CNPE”, disse em nota o diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Julio Cesar Minelli.

“Nós esperamos que já seja retomada a mistura de 13% no leilão seguinte seguindo os passos para 14% em março de 2022”.

Na mesma linha, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) disse que segue confiante que a mistura adotada no último leilão de 2021 será B13 e que o Brasil caminha com segurança para que o cronograma de aumento da mistura siga sendo aplicado no ano que vem. (Reuters)

Diesel terá redução no valor do PIS-Cofins

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro anunciou ontem que o governo vai reduzir em R$ 0,04 o valor do PIS-Cofins cobrado sobre o litro do diesel, passando de R$ 0,31 para R$ 0,27, em uma tentativa de reduzir o preço do combustível após reajuste feito pela Petrobras na semana passada.

Bolsonaro afirmou, em cerimônia de sanção da medida provisória de capitalização da Eletrobras, que a decisão foi tomada ontem, após a concordância do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo ele, a redução em R$ 0,04 será possível porque o governo, para compensar a perda de arrecadação, vai deixar de conceder uma isenção tributária a um determinado setor, que ele não revelou qual.

“O que eu decidi hoje (ontem) e o Paulo Guedes concordou: nós pegamos uma isenção -não vou entrar em detalhe aqui – e deixamos de dar essa isenção para tal setor. E o que vamos fazer com isso aí? Nós apontamos, sinalizamos, para reduzir o PIS/Cofins do diesel, que está em R$ 0,31 e vamos passar para R$ 0,27”, disse.

Na solenidade, Bolsonaro afirmou que a redução poderia representar uma economia de R$ 200 por mês para um caminhoneiro caso ele abasteça seu veículos dez vezes.

A medida foi anunciada uma semana após a Petrobras aplicar um reajuste de 3,7% no preço médio do diesel, na primeira alta realizada pela gestão do presidente Joaquim Silva e Luna à frente da empresa.

Neste ano, o PIS/Cofins incidente sobre o óleo diesel teve alíquota zerada por dois meses, entre o início de março e o final de abril, em tentativa do governo federal de conter uma escalada nos preços do produto nos postos.

A medida ocorreu por meio de decreto do presidente, que citou como justificativa a volatilidade dos preços. Na ocasião, foi determinada que parte da compensação pelos cortes dos tributos viria de um aumento na contribuição social sobre o lucro líquido de instituições financeiras.

Após o fim da medida, o preço do diesel voltou a subir, tendo registrado uma disparada de 5% apenas na primeira semana de maio, de acordo com números da ANP. Desde então, o valor do combustível tem operado com variações semanais menos bruscas, atingindo na última semana preço médio de R$ 4,545 por litro nos postos brasileiros.

Bolsonaro não deu detalhes sobre quando a nova redução do PIS/Cofins do diesel vai começar a vigorar. Ele disse que a redução era um exemplo e instou os governadores a adotarem medidas para reduzir o ICMS sobre o combustível.

“No transporte está a alma da economia. Se encarece muito, o preço é sentido nas prateleiras”, afirmou.

Na solenidade, Bolsonaro também disse que vai anunciar nos próximos dias uma redução dos impostos sobre os games. (Reuters)

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