Confiança do consumidor cai em Belo Horizonte no primeiro mês de 2024

A queda no desempenho do ICC-BH está ligada à piora na percepção da população em quatro dos seis componentes do indicador

31 de janeiro de 2024 às 17h49
Atualizada em 1 de fevereiro de 2024 às 16h01

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Os grupos de Eletrodomésticos e de Móveis lideram a lista de bens e serviços que o consumidor de Belo Horizonte planejam adquirir nos próximos três meses | Crédito: Charles Silva Duarte / Diário do Comércio

Após dois meses de alta, a confiança do consumidor belo-horizontino começou o ano em queda. Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), marcou 42,66 pontos. O resultado representa diminuição de 2,56% ou 1,12 ponto frente a dezembro (43,78).

Apesar disso, nos últimos 12 meses, o índice registra variação positiva de 4,93%. A queda no desempenho do ICC-BH está ligada à piora na percepção da população em quatro dos seis componentes do indicador. A visão mais pessimista do consumidor de Belo Horizonte surge logo após a última medição, que registrou uma percepção de melhora simultânea em todos os componentes. Uma situação que não ocorria desde agosto de 2022.

O economista da Fundação Ipead, Diogo Santos, aponta que gastos comuns no início do ano, como IPVA e material escolar, explicam a queda na pretensão de compra. Este foi principal fator para diminuição da confiança no mês. “É compreensível que uma parcela da população se concentre nesses gastos e adie outras compras, levando a uma queda da pretensão de compra”, disse.

O destaque positivo foi a inflação, que fechou o mês com uma alta de 5,12% de percepção positiva do consumidor, e marcou 30,54 pontos na avaliação da população da capital mineira. Já as percepções sobre situação financeira atual das famílias e situação financeira em relação ao passado foram as únicas acima de 50 pontos, com 59,64 e 55,54 pontos, respectivamente.

A melhora na percepção em relação à inflação também foi o principal fator para o aumento de 0,87% no Índice de Expectativa Econômica do País (IEE) frente ao mês anterior. Por ser a primeira medição de confiança do consumidor de Belo Horizonte em 2024, também é o mesmo registro para o acumulado do ano.

Já o Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) caiu 5% na comparação com dezembro do ano passado, puxado, principalmente, pelo já citado subgrupo de Pretensão de Compra, que teve queda de 12,06% em janeiro. Este subgrupo tem influenciado o IEF para baixo, com uma variação negativa de 20,65% nos últimos 12 meses.

O economista ressalta uma melhora na trajetória do índice comparada com o mesmo período do ano passado. Apesar da queda em relação a dezembro, o ICC-BH deste mês está em um patamar superior ao registrado em janeiro de 2023 (40,67). “Além disso, a queda entre dezembro e janeiro foi bem menor que entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 (-7,13%)”, aponta.

Pretensão de compra do consumidor de Belo Horizonte

A pesquisa do Ipead ainda revelou que os grupos de Eletrodomésticos e de Móveis lideram a lista de bens e serviços que o consumidor de Belo Horizonte planeja adquirir nos próximos três meses, com iguais taxas de 13,33%. Abaixo vem Veículos, com 12,86% da população consumidora.

O interesse em adquirir produtos ligados aos grupos de Eletrodomésticos e de Móveis é maior entre as mulheres, com variação positiva de 14,68% nos dois grupos, contra 11,88% no público masculino, também em ambos. A preferência dos homens é pelos Veículos, com 19,80%, contra apenas 6,42% entre as mulheres.

Melhores condições do consumidor

Diogo Santos destaca que os itens mais citados pelos consumidores no levantamento indicam uma melhora nas condições financeiras da população, ainda que acompanhada da queda da pretensão de compra. “Como móveis e eletrodomésticos são itens de maior valor em comparação com vestuários, isso indica que uma parcela da população está com maior capacidade de planejar gastos maiores”, afirma.

O economista analisa que pode ser um reflexo da melhora dos níveis de emprego do ano passado e da redução da inflação. “Em conjunto, ampliam a renda e o poder de compra da população”, completa.

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