Cotação do minério de ferro fechará ano em queda

18 de dezembro de 2021 às 0h29

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Crise no mercado imobiliário chinês afetou fortemente a demanda de insumos siderúrgicos | CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

O minério de ferro vai fechar 2021 em queda. Até sexta-feira (17), o preço da tonelada já recuou cerca de 30,5%, negociado a US$ 111,19 contra US$ 160 no final de 2020. A maior cotação, US$ 219,77, foi registrada no dia 16 de junho. Mas o que o mundo não esperava era que, a partir de julho, o preço despencaria. A tonelada chegou a ser vendida por US$ 91,98, no dia 9 de novembro, o menor valor registrado desde 2017. 

Vários fatores colaboraram para essa desaceleração. A China, principal consumidor de minério de ferro, adquiriu cerca de 80% de toda a produção mundial em 2020 e dita as regras do mercado. Só que o país enfrenta problemas internos, como inflação elevada, guerra comercial com a Austrália e baixa demanda na construção civil. Com isso, a produção de aço foi diminuída no gigante asiático e caíram os preços de outras commodities, como minério de ferro, soja e petróleo. 

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Flávio Penido, diz que a crise no mercado imobiliário chinês afetou fortemente a demanda de insumos siderúrgicos naquele país. E revela que as rígidas regulamentações ambientais, visando à melhoria do ar para as Olimpíadas de Inverno, em fevereiro de 2022, contribuíram para a desaceleração da demanda pelo minério. 

‘’Adaptações em diversas plantas levaram ao fechamento de unidades e adiamento de produção, o que pode desencorajar as siderúrgicas de reabastecer os estoques. O governo é muito sensível à melhoria das condições do ar para as Olimpíadas. Espera-se que esta regulamentação súbita e intermitente continue e se expanda até fevereiro’’, explicou.

O diretor de Estratégia da Belo Investment Research, Rafael Foscarini, espera que a demanda pelo minério volte a crescer em 2022 pela própria necessidade de expansão da economia chinesa. ‘’Os índices macroeconômicos do governo chinês estão vindo aquém do esperado pelo mercado. Você tem uma pressão de crescimento e se a China continuar com restrições à produção de aço, dificulta a retomada do crescimento e isso eles também não querem’’. Ainda de acordo com Foscarini, ‘’a expectativa para 2022 é que as forças de oferta e demanda se movam um pouco mais livremente, isso evita uma volatilidade muito alta’’.

O analista de investimentos da Mirae Corretora, Pedro Galdi, afirma que a retomada da economia chinesa também vai depender da situação da Covid-19. ‘’O crescimento na China não vai ser alto em 2022. O primeiro trimestre vai ser mais fraco, devido aos riscos da pandemia, inflação em alta no mundo, juros. Se a China vai desacelerar, acho que o preço médio da tonelada de minério vai ficar em torno de US$ 100’’. 

O presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da ACMinas tem uma visão otimista em relação à queda do preço do minério. Para Adriano Espeschit, ‘’a alta no meio do ano de 2021 é que foi fora da curva”. ‘’Todo mundo sabia que a tendência era voltar aos patamares de US$ 100, US$ 120 no fim do ano; está mais do que normal’’. Todos os especialistas ouvidos pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO afirmam que os valores registrados no primeiro semestre deste ano foram um recorde histórico, que não deve ser repetido no ano que vem.

Adriano Espeschit afirma que a situação cambial, com dólar em alta, ajuda a mineração e não haverá impacto negativo nas empresas. ‘’Minério de ferro é vendido muito facilmente, seja internamente ou externamente. A expectativa para o ano que vem é, com certeza, voltar a patamares melhores que em 2021. As coisas vão se ajustando e vamos superar este momento de turbulência’’, completou. 

O diretor-presidente do Ibram acrescenta que o segmento de metalurgia no Estado continua com alta demanda de minério de ferro. E as mineradoras estão fazendo investimentos que podem criar mais empregos. ‘’As empresas estão investindo em recuperação de resíduos para novos produtos da indústria da construção e em novas tecnologias para processamento a seco. Tudo isso movimenta um grande mercado de empresas e fornecedores, além de gerar postos de trabalho. Minério de ferro será sempre um produto importante para Minas Gerais, seja do ponto de vista histórico, seja por conta dos fatores de produção e diversificação de empresas produtoras’’, finalizou.  

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