Cotação do ouro dispara com a invasão da Ucrânia

26 de fevereiro de 2022 às 0h30

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A instabilidade no mercado financeiro, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, impulsiona a valorização do ouro | Crédito: Divulgação

Os impactos econômicos da crise gerada pela invasão militar da Rússia à Ucrânia já começam a ser sentidos mundo afora. O dólar, que apresentava cenário de queda no mercado de câmbio internacional, entrou em instabilidade e voltou a subir. A cotação do ouro, considerado um dos ativos mais seguros para períodos de crises, está avançando de forma significativa desde o mês passado, quando o confronto ainda era apenas uma possibilidade, e assim deve permanecer pelos próximos dias – ou semanas.

O preço da onça-troy chegou a US$ 1.888 no último dia 25 e, embora o valor tenha representado ligeira queda de 0,86% sobre o dia anterior, quando o metal foi cotado a US$ 1.912, vem subindo próximo de US$ 2 mil, com os maiores valores alcançados em um ano.

Especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO avaliam que a instabilidade do mercado financeiro pode ser mantida nas próximas semanas, fazendo com que o apetite pelo metal precioso continue elevado, assim como sua cotação. Ao mesmo tempo, lembram que por se tratar de um ativo de reserva de valor, tão logo o cenário alivie, deve acomodar-se.

“O ouro subiu muito nos últimos dias e, na sexta-feira, caiu um pouco, porque o mercado encarou com menos aversão ao risco os acenos dos Estados Unidos, mas segue acompanhando os desdobramentos do conflito geopolítico. O metal tem uma volatilidade, principalmente em momentos de crise, mas é uma reserva de valor e vai se acomodar”, diz o diretor de Estratégia da Belo Investment Research, Rafael Foscarini.

Segundo ele, a oscilação vem sendo observada desde o mês passado, quando o ataque russo à Ucrânia ainda era apenas aventado, uma vez que fundos de investimentos já faziam projeções antes mesmo de eclodir a guerra. Por isso também, neste momento, pode haver acomodação nos preços.

“É difícil prever, mas agora o que temos é uma variação natural diante do alto risco e da elevada demanda. São movimentos que se sucedem e tendem a acalmar ou piorar de acordo com o mercado. Daqui para frente, o pior cenário possível é o presidente Biden e outros membros de países europeus entrarem para escalar a guerra“, comenta.

Momento é de cautela

A gerente regional da XP Inc. em Minas Gerais, Jéssica Oliveira, observa que o ouro teve uma valorização significativa neste início de ano. Após cair aproximadamente 5% em 2021, já sobe 5% em 2022. Conforme ela, esse movimento demonstra que houve uma busca maior pelo ativo, mas não apenas por ele, um outro exemplo são os títulos de dívidas que também têm sido muito procurados.

Jéssica Oliveira lembra que se trata de um momento de muitas incertezas e que ainda é cedo para traçar uma tendência a médio e longo prazo diante das turbulências. Por isso, alerta que é preciso manter a calma e voltar o olhar para a diversificação dos investimentos.

“Acreditamos que a alta de preços pode se sustentar, alcançando não só o ouro, mas também outras commodities (energia, alimentos e metálicas) dada a forte demanda pós-pandemia e a oferta ainda com pouca resposta. As tensões geopolíticas envolvendo esses dois países, que são grandes exportadores de commodities, devem pressionar ainda mais os preços do setor”, diz.

O especialista de investimentos da Ivest, Juan Espinhel, relembra que após forte valorização do ativo em meio à pandemia, desde meados de 2021 o metal já não estava entre os prioritários entre os investidores, em função da expectativa de elevação da taxa de juros dos Estados Unidos e a consequente migração para ativos de renda fixa daquele país. Porém, o início do confronto no Leste europeu alterou a situação.

Segundo Espinhel, existe, inclusive, um movimento de descentralização da moeda norte-americana por parte de potências econômicas como a própria Rússia e a China, que fez com que Vladmir Putin se preparasse para a guerra com baixa reserva de dólares e muito ouro. Por isso, neste momento, apesar da perspectiva de alta da taxa de juros americana, para o investidor, a compra de dólares talvez não seja a melhor opção. “É neste contexto que o ouro tem avançado tanto”, completa.

Por fim, o economista e empresário, doutorando em Relações Internacionais na Universidade de LisboaIgor Macedo de Lucena, fala que o ativo deve continuar se valorizando nas próximas semanas, tomando ainda mais destaque. “É um ativo que vai ser procurado não apenas por investidores internacionais, mas também por pessoas físicas, a partir da estratégia da Rússia de ter aumentado suas reservas. Hoje aquele país é a nação com a terceira maior reserva de ouro do mundo. Ou seja, o metal vai ser usado também como salvaguarda pelas empresas do País“, avalia.


O que é Segurança Energética?

São medidas adotadas para evitar a falta do abastecimento de energia, provocada por fatores como a escassez hídrica e até mesmo dificuldades inerentes aos tipos de fornecimento. Associada a essas medidas está a segurança na disponibilidade de energia adequada, de qualidade e a preços acessíveis.

O que é o desafio energético?

Conforme o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, em seu portal on-line, em citação a Thomas B. Johansson, “os desafios energéticos incluem fornecer serviços energéticos para o bem-estar de uma população mundial crescente, facilitar o acesso a formas de energia modernas e que permitam à população pobre sair dessa condição, criar um nível razoável de segurança energética (energia a preços acessíveis e sem interrupções graves) e mitigar as mudanças climáticas e seus efeitos”.

Quais os próximos eventos sobre Segurança Energética?

“O desafio da Segurança Energética” é um evento on-line gratuito que ocorrerá no dia 16 de março de 2022, com transmissão via plataforma Youtube. Na ocasião, profissionais qualificados e renomados do setor discutirão sobre os caminhos a serem percorridos para garantir o fornecimento de energia elétrica seguro.

A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) é a instituição realizadora do evento, que tem correalização do jornal Diário do Comércio — veículo de imprensa de Minas Gerais quase centenário e especializado em economia, gestão e negócios.

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Segue abaixo a programação do evento on-line “O desafio da Segurança Energética”.

Evento sobre energia elétrica
Arte: Diário do Comércio

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