Cotação internacional do minério de ferro recua

21 de agosto de 2021 às 0h26

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Crédito: Divulgação

O preço do minério de ferro no mercado internacional teve uma queda de 13,5% para contratos futuros, sendo comercializado a US$ 132,66 a tonelada do minério de ferro 62%. Para especialistas na área de investimentos, o número foi considerado um recorde. Para se ter uma ideia, somente neste mês a commodity já registra uma desvalorização média de 27%.

O DIÁRIO DO COMÉRCIO consultou especialistas do setor para saber o que causou a retração no mercado. Para o analista de investimento Mirae Asset Corretora Pedro Galdi, o recuo nos preços já era esperado com o controle da pandemia da Covid-19. “A China foi a primeira a sofrer com o coronavírus. Quando eles estavam vivendo os piores momentos da pandemia, o país comprou várias commodities e fez muitos estoques. Ocorre que agora, com a doença controlada no país, a vacinação avançando e as commodities com os preços mais baixos, a China não tem interesse em ficar com os produtos com valor mais barato do que ela adquiriu”, explica.

Pedro Galdi esclarece ainda que com a inflação em alta no país asiático e com a expectativa de um baixo crescimento, a China optou por suspender a produção de aço, o que acaba impactando na produção do minério de ferro. “A China produz somente 50% do minério de ferro e é a maior produtora de aço do mundo. A preocupação na economia mundial e uma possível redução de investimentos pela economia americana podem ter estimulado a retração da China”, pontua. 

Para o diretor de Estratégica da Belo Investment Research, Rafael Foscarini, a combinação dos três fatores foi crucial para os preços mínimos anuais do minério de ferro. “A redução da produção de aço na China é realidade, bem como as crescentes preocupações com a inflação americana. Além disso, o temor do impacto da variante Delta na recuperação mundial precifica a commodity para baixo e atinge as principais exportadoras brasileiras”, opina.

Rafael Foscarini explica que o governo chinês vem sinalizando que não está “contente” com o preço do minério de ferro, que chegou à marca de US$ 237,57 dólares a tonelada e vinha pressionando a indústria de aço. “Como a China é o principal produtor de aço do mundo e o maior importador de minério de ferro, o alto preço do insumo estava refletindo em elevação de preços em toda a cadeia produtiva e gerando inflação acima da meta. Então, a justificativa do governo foi parar a produção do aço, para que assim diminuísse a emissão de carbono no meio ambiente e, consequentemente, elevasse a economia do país”, esclarece.

Retomada da economia

Um outro fator que contribuiu para preços baixos do minério de ferro, segundo o presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), Adriano Espeschit, foi a preocupação com a retomada da economia mundial, em especial com os possíveis impactos da variante Delta. O ceticismo instaurado no mercado freia os preços futuros e adiciona incerteza aos contratos. “Na verdade, os preços estavam sendo praticados muito acima dos valores normais. Agora, acredito que com o avanço da vacinação, mesmo com as dúvidas da variante Delta, os preços praticados do minério de ferro estão voltando ao valor médio dentro do mercado”, avalia.

Soma-se às demais pressões de queda do preço do minério de ferro as preocupações com a possível retirada de estímulos à economia por parte do governo americano. O Federal Reserve, através de ata do Fomc, sinalizou que deve retirar os estímulos em breve, sempre com um olhar atento à inflação, que vem apresentando comportamento acima da meta bianual, assim como, para o nível de atividade econômica.

No Brasil, as ações da Vale, segunda maior mineradora do mundo, registraram uma queda de 5,71% no pregão realizado na quinta-feira (19). Adriano Espeschit, da ACMinas, avalia que a mineradora terá poucos impactos com essa medida da China. “A Vale é uma importante mineradora para o País e não sofrerá impactos com essa mudança nos valores da commodity. Na verdade, os valores praticados entrarão na normalidade”, pontua.

Para os especialistas em investimentos, a expectativa é a de que no fim de 2021 e no primeiro semestre de 2022 as vendas do minério de ferro sejam positivas no mercado internacional.

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