Custo do material de construção registra maior alta em 26 anos

1 de junho de 2021 às 0h29

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O aumento do custo com materiais de construção já chegou a 38,24% em 12 meses | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Gabriela Sales

Construir em Belo Horizonte se tornou um desafio, que parece estar longe do fim. O custo do material de construção teve a maior alta registrada em 26 anos, conforme dados Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).  A pesquisa aponta um aumento de 1,64% no mês de maio. O dado é do Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² – projeto-padrão R8-N), calculado e divulgado pelo sindicato.

O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamentos. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sinduscon-MG, de acordo com a Lei Federal 4.591/64 e com a norma técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Segundo o presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Linhares, este é o décimo mês consecutivo, que o gasto com material de construção pressionou fortemente o custo da produção no setor, apresentando alta de 3,54% em maio. “Nos primeiros cinco meses do ano, o custo com os insumos básicos registrou elevação de 17,54%. Em maio, os produtos que tiveram o maior aumento em seus preços foram: emulsão asfáltica impermeabilizante (11,43%), aço CA 50 10mm (9,56%), tubo de ferro galvanizado (8,95%), chapa compensado plastificado (7,22%), telha de fibrocimento ondulada 6mm (5,67%) e porta interna semioca para pintura (4,17%)”, explica.

 Ainda, de acordo com o presidente do Sinduscon-MG, no acumulado de 12 meses, encerrados em maio de 2021, o custo com materiais de construção aumentou 38,24%, maior alta para o período de 12 meses, encerrados em maio, desde 1996.

Segundo Linhares, as construtoras ainda não sabem o que fazer para mitigar os impactos da alta de custo. “O primeiro trimestre do ano foi muito pesado com a alta dos insumos. Não estamos conseguindo entregar nada dentro do prazo, principalmente da linha (Casa) Verde e Amarela e standard. No início da pandemia, estávamos contratando muito mais até que o agronegócio hoje não tem certeza da manutenção dos empregos”, desabafa.

 Ainda, de acordo com o Sinduscon-MG, apenas os lançamentos de alto padrão e luxo seguem com lançamentos e vendas sem alterações. Já as  unidades com valores entre R$ 600 mil a R$ 700 mil estão com prazo de entrega em atraso. “Além disso, os custos elevados dos materiais já estão sendo repassados para as vendas, o que acaba refletindo no poder de compra do consumidor. Em média, houve um aumento entre 9% a 10% nos lançamento”, reforça Geraldo Linhares.  

Para as construtoras, por causa da pandemia, as grandes indústrias de insumos estão praticando preços de mercado praticados no exterior. “Os preços estão subindo em uma velocidade que é impossível acompanhar, é um absurdo. Estamos correndo um risco de poucos lançamentos, um aumento significativo na taxa de juros para os financiamentos imobiliários e até um desabastecimento de imóveis novos”, salienta o presidente do Sinduscon-MG.

Empregos – Geraldo Linhas alerta que com a dificuldade de insumos para a construção civil, outra preocupação é a geração de empregos. A média de geração de empregos, conforme dados do Sinduscon-MG, é de 44.327 novos empregos formais na construção civil no Brasil, registrada no primeiro bimestre do ano, que caiu para 23.215 nos meses de março e abril. “Isso significa que o setor reduziu em quase 50% o ritmo de criação de vagas”, completa Linhares.

Em Minas Gerais, o número de geração de novos postos de trabalho com carteira assinada na construção civil, em abril, foi de 2.340, o menor patamar do ano. Esse também é um reflexo do incremento expressivo no custo dos insumos. “Com essa realidade, não podemos garantir a empregabilidade no setor e isso é muito triste. Precisamos que o governo faça algo com esse aumento descontrolado no país”, reforça.

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