Crédito: REUTERS/Paulo Whitaker

O setor de transporte de cargas em Minas Gerais segue acumulando prejuízos devido à suspensão ou redução de diversas atividades econômicas para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Mesmo com algumas prefeituras já adotando medidas de flexibilização do isolamento e permitindo a retomada de algumas atividades, a recuperação do setor será lenta e gradual.

De acordo com a pesquisa feita pela NTC&Logística, em Minas Gerais, a demanda pelos serviços de transporte de carga, entre 1º e 25 de maio, atingiu uma queda média de 39,35% em comparação com os níveis registrados antes da pandemia de coronavírus.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Estado de Minas Gerais (Setcemg) e vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Lobato, explica que independentemente do setor de atuação, todas as empresas de transporte de cargas foram afetadas com o isolamento.

“Todas as empresas foram prejudicadas pela redução da demanda. Algumas foram mais impactadas, como as que atendem à demanda do comércio lojista e do setor automobilístico, por exemplo. As empresas do setor de transporte de cargas adotaram todas as medidas possíveis para reduzir as perdas, evitar demissões e controlar os gastos. Muitas empresas optaram por conceder férias, mas esse estoque de férias está no final e, se a crise se prolongar, haverá demissões. Além disso, foram feitas negociações para adiar financiamentos. Os problemas foram adiados e, se a economia não reagir, a situação ficará ainda pior”, explicou.

Recuo por segmentos – Os dados da pesquisa da NTC&Logística mostram uma estimativa de queda de demanda do setor automobilístico de 75%, no setor industrial geral de 57,8%, seguido pela retração de 57,7% no comércio lojista e de 34,1% nas lojas diversas de rua. Em combustíveis, a redução da demanda pelo transporte de cargas foi de 23%.

“Mesmo com a flexibilização do isolamento social, nossa expectativa é de que haverá uma recuperação lenta do setor. A retomada das atividades é muito esperada, mas a reação será gradual devido ao elevado índice de desemprego. Acreditamos que, após a retomada, o mercado levará de três a quatro meses para reagir. Estávamos no auge da retomada do setor, com boas expectativas para 2020. Agora, o empresário terá que preservar, ao máximo, o caixa e repensar o tamanho das empresas para superar este momento”.

Segundo o diretor da Fetcemg Ulisses Martins Cruz, o setor em Minas Gerais segue acumulando perdas, mas a situação ainda é melhor em relação a outros estados em função da menor disseminação do novo coronavírus. Mesmo assim, 95% das empresas do setor tiveram queda do faturamento de março a maio.