Demanda por financiamentos de eletrodoméstico avança 20% em abril

29 de maio de 2021 às 0h24

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Apesar do incremento, na ponta entre o produto e consumidor, essa alta nas vendas de eletrodomésticos é sentida de modo tímido | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Gabriela Sales

Levantamento da Lendico mostra que a demanda de financiamentos para a compra de eletrodomésticos cresceu 20% em abril de 2021 se comparado ao mesmo período do ano passado.  O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em março, a indústria do setor apresentou um crescimento de 29% em relação a 2020.

Segundo o Chief Marketing Officer (CMO) da Lendico, Bruno Borges, os números crescentes correspondem ao efeito da pandemia. “As pessoas foram obrigadas a criar novos hábitos. Nesse período de pandemia passam mais tempo em casa, buscam mais conforto. Com isso vieram as pequenas reformas, adaptação dos espaços para a criação do home office e tudo isso favoreceu a aquisição de novos eletrodomésticos, seja para a casa nova ou reformada, seja para a nova realidade do trabalho em casa. Com mais tempo dentro de casa, as pessoas sentem mais necessidades de simplificar a vida doméstica ou até mesmo trazer mais conforto para os familiares”, explica.

A tendência, de acordo com Borges, é de que haja um crescimento significativo para esse ano. “No ano passado, as pessoas estavam tentando entender a pandemia. Hoje, a questão do home office é uma realidade e a tendência é de que muitas empresas tornem esse modo de trabalho uma realidade daqui para frente, o que pode estimular a demanda para aquisição de eletrodomésticos e de outros produtos e serviços”, reforça.

As vendas on-line também movimentaram o setor. Para o CMO Bruno Borges, o comércio e crediários on-line podem estimular ainda mais as vendas no setor de eletrodomésticos. “Com a chegada da vacina, a expectativa é de que os trabalhos comecem a ficar de forma híbrida e que a confiança para o consumo da população, principalmente pós-pandemia, cresça ainda mais e a população retome a confiança”, opina.

O economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), Paulo Casaca, reforça esse pensamento. Para ele, a comodidade do delivery, compras on-line, linhas de financiamentos ou créditos via internet podem continuar facilitando a vida do consumidor pós-pandemia. “São novos hábitos que devem permanecer, principalmente, para aquisição desse tipo de produto”, disse.

Segundo o economista, na indústria, houve um crescimento, mas ainda pouco significativo. “Observamos uma melhora no setor. É uma indústria que sempre se mantém atualizada, com novas tecnologias. Com a pandemia, assim como outros setores, sofreram cortes, mas mantiveram uma venda significativa”, avalia.

Mas o economista faz um alerta ao consumidor. É preciso ficar atento às taxas de juros cobradas nas vendas desses eletrodomésticos. “No ano passado, a taxa de juros para crédito no Banco Central estava em 25% em dezembro de 2020. Atualmente está em 28,5%. É preciso avaliar se é a melhor maneira de comprar e como vai comprar”, reforça.

Consumidor

Na ponta entre o produto e consumidor, essa alta nas vendas de eletrodomésticos é sentida de forma tímida. Para a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos, as vendas ocorrem de maneira pontual e pouco expressiva. “No início da pandemia tivemos muitas vendas da linha branca, do programa do governo Minha casa, minha vida. E, com o passar do tempo, os consumidores passaram a procurar os produtos para reforma dos imóveis e conforto para o home office”, conta.

A grande maioria dos consumidores poupam suas economias e optam por pagamentos à vista. Os que escolhem parcelamento procuram fazer em no máximo cinco parcelas. “Isso significa a incerteza econômica que o País vive, principalmente a questão do emprego e o medo de não conseguir pagar as dívidas de longo prazo”, explica.

A economista reforça que a taxa de juros elevada ainda influencia na decisão de compra do consumidor e que os lojistas acreditam que, com a vacina, as incertezas econômicas no País devem diminuir. “Estamos com uma inflação pontual, claro que o consumidor já sente o aumento da taxa Selic nos financiamentos ou um pouco menos nos juros do crediário, mas com a vacinação, acreditamos que as coisas melhorem, o comércio se firme, pois acaba o abre e fecha e a atividade econômica do País volte a crescer”, salienta. 

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