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Em meio à pandemia cotação do minério de ferro está em alta

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Coronavírus já afeta ações de mineradoras
Crédito: Reprodução

Na sexta-feira (29), os preços do minério de ferro dispararam 6,4% em relação aos contratos futuros na China. A valorização do produto internacionalmente vem em uma crescente, e especialistas apontam que, em médio prazo, esse incremento poderá continuar sendo uma realidade.

Essa expansão, aliás, é de muita importância para Minas Gerais, grande exportador do produto, conforme destaca o sócio-diretor e estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Ele frisa que para a Vale os números mais altos são muito bons – e ela poderá, inclusive, ter de intensificar a sua produção, o que reflete positivamente em Minas Gerais.

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Além disso, diz ele, o dólar, que está em patamares altos e, mesmo tendo fechado em queda na sexta-feira, atingiu R$ 5,3364, também tem favorecido ainda mais os ganhos das exportadoras. Mais um ponto para o Estado.

Mas, afinal, o que tem ocasionado essa alta? Jefferson Laatus ressalta que a retomada das economias mundiais, inclusive a chinesa, tem aumentado a demanda pelo item.

“A China pega o minério de ferro e o transforma em aço e outros produtos, que são revendidos para o mundo, que, por sua vez, tem voltado a demandar os produtos chineses”, salienta ele.

O estrategista-chefe do Grupo Laatus diz que isso já era algo previsto, no entanto, a disparada dos preços do minério de ferro não deixaram de surpreender o mercado pelo momento em que veio a acontecer. “Não se imaginava que a demanda voltaria tão rapidamente”, destaca.

Porém, conforme afirma o presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Adriano Espeschit, a retomada das economias mundiais não foi o único fator que influenciou o aumento do minério de ferro. Ela veio acompanhada de paralisações de unidades da Vale por motivos diversos, diz, o que impactou a cadeia de fornecimento.

De acordo com ele, houve um delay em relação aos estoques existentes, já que os impactos da paralisação podem não ser imediatos e, nesse caso, não o foram. Além disso, minas na Austrália – grande exportadora para a China – também paralisaram suas atividades, sobretudo por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e suas formas de atuação. Essa realidade também refletiu no mercado internacional do minério de ferro.

“Houve uma maior demanda e nós tivemos problemas e paralisações. Com menos oferta, os preços sobem” avalia.

Tendência – O que se sabe até agora, conforme os dados que vêm sendo divulgados internacionalmente, é que os preços do minério de ferro têm subido. Mas como eles deverão se comportar ao longo do tempo?

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos – Macroeconomia, Pedro Paulo Silveira, ressalta que a expectativa é ainda de um aumento da demanda por minério de ferro por parte da China, o que fará com que os preços continuem a subir.

“A tendência que temos é de alta, até atingir um patamar elevado. Posteriormente, os preços vão desacelerar”, pondera ele.

Vale garante na Justiça a operação em Itabira

São Paulo – A Vale informou na sexta-feira (29) que conseguiu na Justiça a manutenção das operações do complexo de minério de ferro de Itabira (região Central), após obter decisão favorável em uma ação judicial, segundo comunicado enviado ao mercado.

A Vale disse que tomou conhecimento de um Termo de Interdição, expedido pela Superintendência Regional do Trabalho e, imediatamente, ajuizou a ação anulatória com pedido de liminar, o que foi deferido pelo juiz da 2ª Vara de Itabira, determinando a manutenção de todas as atividades da empresa no Complexo de Itabira.

A Vale disse ainda que, desde o início do surto de Covid-19, tem como “maior prioridade” a saúde e a segurança dos funcionários.

Garantias – Recentemente a Justiça deferiu parcialmente pedido de liminar contra a Vale e exigiu que a companhia apresente em prazo de dez dias garantias no valor de R$ 7,93 bilhões para assegurar eventuais pagamentos de multas, segundo fato relevante da empresa na última quarta-feira.

A decisão, sobre a qual a empresa disse ainda não ter sido intimada oficialmente, veio após ação promovida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG), que acusou a empresa de ter dificultado atividades de fiscalização em suas operações em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por meio de ações de seus funcionários. (Reuters)

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