Endividamento atinge mais de 70% da população de BH

20 de maio de 2021 às 0h28

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O aumento no uso do cartão de crédito provoca inadimplência | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Os belo-horizontinos estão cada vez mais endividados, em meio a todos os reflexos da pandemia da Covid-19. Em abril, o percentual de pessoas que moram na capital mineira e que têm dívidas chegou a 71,4%. O número corresponde a um avanço de 2 pontos percentuais (p.p.) em comparação a março (69,4%) e representa o quarto aumento consecutivo. Além disso, a inadimplência chegou a 32,5% da população de Belo Horizonte no mês passado.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O estudo também revela que o aumento da inadimplência em Belo Horizonte em abril (32,5%) na comparação com março foi de 1,2 p.p. O percentual de pessoas que afirmam não ter condições de quitar as suas dívidas chegou a 14,5% no mês passado. Na capital mineira, o endividamento corresponde a mais de 10% da renda das famílias em 80,9% dos casos e a 50% do orçamento mensal em 20,7% das situações.

De acordo com a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, o aumento do endividamento aponta para o crescimento do uso do crédito para que as famílias consigam manter o seu nível de consumo.

Diante das consequências da pandemia da Covid-19, ressalta ela, ainda existem muitas incertezas em relação ao mercado de trabalho, além do avanço da inflação. “Isso leva as pessoas a procurarem mais crédito para conseguir consumir bens essenciais”, afirma.

Os dados divulgados pela Fecomércio MG também mostram que o uso do cartão de crédito aumentou de 85,5% para 87,6% de março para abril, enquanto a utilização do cheque especial passou de 7,6% para 8,2%.

Outros aumentos foram verificados em financiamento de carro (de 10,6% para 10,7%), financiamento de imóveis (de 7,7% para 8,0%), crédito consignado (de 6,5% para 7,4%), crédito pessoal (de 5,5% para 7,2%) e cheque pré-datado (de 1,7% para 2,3%).

Endividamento e inadimplência nos próximos meses

No que diz respeito à tendência em relação ao endividamento e à inadimplência nos próximos meses, Gabriela Martins destaca que o novo auxílio emergencial pode contribuir positivamente nesse cenário. Ela lembra que serão injetados bilhões na economia e que isso é algo importante.

“O auxílio emergencial tem um papel importante. É a manutenção de uma renda mínima. Com o novo auxílio, é esperado que as pessoas o utilizem para pagar as suas dívidas”, afirma ela.

Caso as dívidas não sejam pagas e a inadimplência continue subindo, os efeitos serão diversos para a economia, segundo Gabriela Martins. Os resultados poderão ser vistos nas mais diferentes frentes.

“Se a inadimplência subir muito, as pessoas terão menos acesso ao crédito e consumirão menos. O consumo menor tem efeito direto no comércio, o que afeta a economia”, salienta ela.

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