Energia cara onera o setor produtivo e o consumidor residencial no País

Conclusão foi apresentada em evento da Fiemg

14 de julho de 2022 às 0h29

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Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

O encarecimento da energia no País gera impactos negativos nos setores produtivos e também na renda das famílias. Na indústria, dependendo do segmento, o custo com a energia chega a representar 40% do produto. Já para os consumidores, principalmente os de classe mais baixa, a conta de energia pode representar cerca de 20% do salário, o que compromete o poder de compra.

Dessa forma, há um impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Se a energia brasileira fosse mais competitiva, seria possível acrescentar uma alta de 2% ao ano no PIB e gerar, em cerca de 10 anos, em torno de 7 milhões de empregos. 

O assunto foi discutido, ontem, durante o Congresso de Energia promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O evento discutiu diversos temas, entre eles transição energética, descarbonização, políticas públicas e novas tecnologias.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ressaltou na abertura a importância do setor industrial discutir e se informar sobre os desafios e oportunidades no que se refere à energia. 

“Não existe indústria sem energia, seja qual for o seu segmento, a energia é muito importante no processo de transformação da matéria-prima em produtos. O evento visa fornecer informações atualizadas sobre as matrizes energéticas, apresentar soluções sustentáveis e mais limpas e as inúmeras oportunidades para a indústria que o mercado de energia tem a oferecer”, disse Roscoe.

Impacto representativo

Durante o evento, o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa,  apresentou o estudo “Os impactos dos preços de energia no desenvolvimento do País”. Segundo Pedrosa, é importante que ocorram mudanças no setor de energia. O estudo mostrou que, hoje, o custo com a energia retira 20% da renda de uma família de classe baixa no Brasil.

Além disso, o gasto com energia para algumas empresas chega a representar cerca de 40% do custo da produção, impactando, de forma direta, os setores produtivos.

“A crise industrial, parcialmente causada pelo aumento das despesas com energia, refletiu-se na perda de dinamismo do crescimento econômico. A queda da produção industrial não apenas conteve a taxa de expansão do PIB, como reduziu a demanda por bens e serviços intermediários não produzidos, deixando de gerar renda e emprego”, explicou.

Ainda segundo Pedrosa, o estudo mostrou que se o Brasil tivesse uma energia competitiva, cresceria 2% a mais por ano.

“Em 10 anos, seria como ganhar um outro estado de Minas Gerais no Brasil em termos de desenvolvimento. A energia cara custa o desenvolvimento do Brasil e retira empregos. Caso seja competitiva, seriam 7 milhões de empregos gerados em 10 anos”, disse. 

Mudanças capitais

Para que isso aconteça, será preciso fazer mudanças. Uma delas, segundo Pedrosa, seria tirar o debate sobre energia de dentro do setor de energia e trazer para o setor industrial, para a sociedade. Além de ampliar os setores discutindo a energia, para que o preço caia será necessário parar de adicionar novos custos à conta de energia. Também seria necessário retirar os subsídios concedidos.

“Isso não vai acontecer rápido, necessita de tempo. Mas é importante. Outra ação necessária é promover a eficiência e a competição entre as empresas. O setor de energia é cheio de cercadinhos vip’s. É preciso colocar as empresas para competir”. 

Por último, segundo Pedrosa, é preciso separar o papel do consumidor e do contribuinte.“Hoje, o consumidor está pagando na conta de energia coisas que são do governo, deveriam ser pagas por ele. São custos de políticas públicas escondidos na conta de energia e o certo é que estes custos ficassem no orçamento do governo”.

Caso as medidas fossem adotadas, seria possível reduzir em cerca de 28% o custo com a energia, o que geraria um aumento de 2% no PIB anual do País. 

Mas, caso nenhuma medida seja tomada, em um cenário pessimista para os próximos 10 anos, segundo Pedrosa, pode haver um aumento do custo de energia elétrica para a indústria de 48,9%, em média. O impacto no PIB, ao final de 10 anos, seria de R$ 472 bilhões a menos.

A gerente de Energia da Fiemg, Tânia Santos, explicou que o Congresso de Energia é importante para levar informações ao setor industrial.

“Durante o evento, os palestrantes explicaram o que compõem as tarifas, o que está embutido nos custos da energia. A cada R$ 1 de custo com energia, você paga R$ 2 no custo final do produto. Disseminar este conhecimento é importante para a sociedade entender que tem muito custo embutido na conta, que 50% do custo da conta não é de energia. São discussões que devem ser levadas a nível político para que subsídios não sejam pagos na conta de energia e sim por meio de políticas públicas e dentro do orçamento do governo”. 

Ainda segundo Tânia, levar esta discussão para os empresários é fundamental para que a indústria possa entender e encontrar alternativas para reduzir os custos. 

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