Estado pode virar polo de produção e fornecimento de hidrogênio verde

14 de julho de 2021 às 0h25

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Marcelo Veneroso vai coordenar o Conselho de Hidrogênio formado recentemente pela associação | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo Dc

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aposta em Minas Gerais como um promissor polo de fornecimento do chamado hidrogênio verde para o País. Também conhecido como hidrogênio renovável, o elemento desponta como alternativa a matérias-primas e combustíveis fósseis em setores de difícil descarbonização e pode ser importante aliado no desenvolvimento de uma economia com impacto neutro no clima. A entidade, porém, reforça a necessidade do aproveitamento de toda a cadeia no desenvolvimento do setor.

Para isso, criou há alguns meses o Conselho de Hidrogênio, que tem como diretor-coordenador o membro da Regional Minas Gerais, Marcelo Luiz Veneroso, que enfatiza os diferenciais do Estado para liderar a corrida pelo hidrogênio verde no País.

“Minas tem uma base de geração energética muito forte, além de consumidores muito próximos nas áreas de mineração, siderurgia e outros setores potenciais, fechando um ciclo de competitividade. A ideia é criar um programa chamado de “Minas do Hidrogênio”, aos moldes do famoso Vale do Silício (EUA), tão famoso por abrigar muitas empresas de tecnologia. A partir do Estado poderemos iniciar uma transformação na matriz energética do País“, afirmou.

O hidrogênio verde é produzido através da eletrólise da água, recorrendo a um processo eletroquímico que separa o átomo do hidrogênio do átomo do oxigênio. E, há alguns anos, começou a ser produzido a partir das energias renováveis solar e eólica e hídrica. Com recurso a eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, não tem emissões associadas à sua produção. Assim, é 100% sustentável, mas também mais caro que o hidrogênio tradicional.

De toda maneira, o diretor-coordenador pondera que é economicamente viável no Brasil. “Se o hidrogênio for produzido e consumido em sua base – como propomos para Minas Gerais -, o custo logístico é quase nulo. Então, equaliza-se as demais variáveis energéticas e o preço fica competitivo, principalmente pensando-se no longo prazo e no desenvolvimento de uma matriz ambientalmente amigável”, explicou.

Ainda segundo Veneroso, o hidrogênio renovável já tem sido objeto de estudos e investimentos mundo afora. “Aqui no Brasil temos algumas empresas que já dominam a tecnologia. Vislumbrando o potencial que haverá no futuro próximo, a Abimaq decidiu formar um conselho de mercado, visando orientar esse desenvolvimento, de maneira a não permitir que esses investimentos ocorram com ‘dinheiro carimbado’, restringindo a utilização de componentes e equipamentos de outros locais. Precisamos surfar na onda do hidrogênio, mas aproveitando toda a cadeia, fabricando máquinas e equipamentos, desenvolvendo tecnologias e fornecendo mão de obra especializada“, completou.

Assim, o Conselho de Hidrogênio se propõe a desenvolver estudos e empreender ações relacionadas ao desenvolvimento da cadeia, por meio da promoção de ações e eventos em vistas da difusão do elemento como alternativa de energia renovável e ecologicamente sustentável no âmbito da matriz energética brasileira e também de parcerias estratégicas que complementem e viabilizem o fortalecimento da indústria de máquinas e equipamentos neste setor.

Desafios – Porém, Veneroso admitiu que ainda existem obstáculos a serem superados, tais como: falta de referências nas diversas aplicações; pouca divulgação entre os potenciais usuários, investidores e fornecedores; necessidade de desenvolvimento de mão de obra técnica capacitada; falta de pesquisadores e engenheiros em grande escala para desenvolver as aplicações; crédito e financiamentos para o setor; e programas de transferência de tecnologia e acordos de cooperação científica e tecnológica.

Para reverter o cenário, a entidade propõe entre outras medidas, o estímulo da entrada de veículos a hidrogênio no mercado consumidor em concorrência com os combustíveis fósseis por meio de incentivos fiscais ou creditícios; a obrigatoriedade do hidrogênio verde nos novos projetos de refino no Brasil – segundo Veneroso, atualmente, este é o setor que mais faz uso do hidrogênio no País, mas ainda em sua pior versão, a cinza -; a contratação direta de projetos de hidrogênio pelo governo; e incentivos tributários para investimentos na geração de hidrogênio para utilização em energia.

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