Falta aporte em novos projetos de mineração

27 de julho de 2021 às 0h26

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ABPM aponta que sem novas pesquisas o País tende a manter uma dependência do ouro e do ferro | Crédito: RICARDO TELES

Projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) dão conta de um volume de US$ 38 bilhões em investimentos no setor mineral brasileiro de 2021 a 2025, dos quais, US$ 13 bilhões serão aplicados em Minas Gerais. Apesar das cifras elevadas, a Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) alerta para a falta de novos projetos e da consequente falta de diversificação dos negócios minerários no Brasil.

Para o presidente da ABPM, Luis Mauricio Ferraiuoli Azevedo, a combinação de alguns fatores, entre os quais a falta de regulamentação e orientação claras para a atividade e a baixa segurança jurídica, afastam investidores e prejudicam o desenvolvimento de novos projetos. Como o investidor de alto risco busca mercados de maior segurança, previsibilidade e atratividade, o País acaba ficando bem atrás dos maiores concorrentes: Austrália e Canadá.

“O ciclo não se completa. Devido à falta de atributos simples, não se desenvolve novos projetos, não se inicia pesquisas, não diversifica a base de commodities e ficamos num eterno depender do ouro, do ferro, do cobre e da rocha ornamental, enquanto os outros países têm uma cesta mineral muito grande”, comenta.

Para o dirigente, o setor deveria se espelhar no agronegócio nacional que, conforme ele, há alguns anos lidava com problemas semelhantes e era altamente dependente da pecuária e da soja. E que hoje abriga diversas frentes com representatividade, como o hortifruti e o cultivo de milho, por exemplo.

“A agricultura fez o dever de casa. Devemos olhar para o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) com inveja, pois a Pasta fez tudo o que a mineração deveria fazer e o setor, mesmo sendo altamente tecnológico, esbarra e não faz”, diz.

Para Azevedo, entre as transformações estariam a criação de uma agência de desenvolvimento “verdadeiramente voltada para a iniciativa privada” e de uma lei de incentivo para novos projetos. “No Brasil você pode plantar em qualquer lugar e não tem reserva de mercado. Na mineração tem que haver garantia quando já existe uma mina. Mas ela é necessária no momento do desenvolvimento do projeto”, justifica.

De toda maneira, vale dizer que os pedidos protocolizados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), que incluem requerimentos de pesquisa, licenciamento, lavra garimpeira e extração estão em ritmo acelerado. Apenas nos primeiros seis meses de 2021 somaram 8.831. Para se ter uma ideia, no decorrer de todo 2020 foram 10.746. Minas Gerais lidera o volume de projetos, com 1.311 documentos até o momento.

Receita da Vale deve dobrar

São Paulo – A mineradora Vale deverá registrar um aumento expressivo nas receitas trimestrais quando publicar seu balanço, em 28 de julho.

A média das estimativas de sete analistas para os resultados da empresa mostra expectativas de aumento de 123,8% em sua receita no segundo trimestre, para US$ 16,825 bilhões, acima dos US$ 7,52 bilhões vistos em igual período do ano passado, segundo dados da Refinitiv.

Conforme o levantamento, o lucro da Vale deve atingir US$ 1,50 por ação entre abril e junho, segundo a média de estimativas, ante US$ 0,23 por papel no mesmo período de 2020.

Atualmente, a avaliação média de analistas para as ações da empresa indica “compra”. São 20 recomendações de “compra forte” ou “compra”, duas de “manter” e uma de “venda” ou “venda forte.”

A média das estimativas de analistas para o lucro permaneceu inalterada nos últimos três meses.

O preço-alvo médio de 12 meses para a ação da Vale em Wall Street é de US$ 25,5, cerca de 13,9% acima do último fechamento, de US$ 21,95.

Preços – Os contratos futuros do minério de ferro negociados em Dalian e Cingapura avançaram ontem, interrompendo uma sequência de cinco dias de quedas, devido a uma recuperação nas margens do aço na China, maior compradora global da matéria-prima siderúrgica.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian, fechou em alta de 0,9%, a 1.136,50 iuanes (US$ 175,22) por tonelada.

O minério de ferro em Dalian havia registrado na sexta-feira (23) sua maior perda semanal em 17 meses, em função de temores relacionados às restrições aplicadas pela China à produção de aço.

Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo do minério de ferro avançava 0,7%, a US$ 198,75 por tonelada.

“A queda nos custos do minério de ferro e o aumento nos preços do aço resultaram em uma forte recuperação nas margens do aço”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities em Cingapura.

O vergalhão de aço e a bobina laminada a quente avançaram 0,4% cada na bolsa de futuros de Dalian. O aço inoxidável chegou a subir 2,9%, para uma máxima recorde de 19.755 iuanes por tonelada. (Reuters)

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