A bacia do Rio Doce foi degradada pelo rompimento de barragem em Mariana | Crédito: Fred Loureiro/ Secom ES

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou, ontem, o investimento de quase R$ 1 bilhão para ações integradas de reparação na bacia do Rio Doce devido aos prejuízos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.

Deste total, porém, foram homologados e detalhados ontem investimentos de R$ 416 milhões. Os recursos são resultantes de ações integradas e articuladas pelo governo de Minas Gerais e do Espírito Santo e o Fórum Permanente dos Prefeitos do Rio Doce. O repasse financeiro será feito pela Fundação Renova.

O valor de R$ 416 milhões será aplicado na estruturação de escolas estaduais e municipais, pavimentação de estradas, retomada das obras do Hospital Regional de Governador Valadares e a implantação de Distrito Industrial em Rio Doce, ação que será executada pelo município.

De acordo com o governador de Minas Gerais, os governos de Minas e do Espírito Santo vêm trabalhando para agilizar o desembolso de recursos para reparar os prejuízos causados pelo rompimento da barragem em Mariana.

“Hoje é um dia de celebração. Nós estamos falando de quase R$ 1 bilhão em investimentos da Fundação Renova na Bacia do Rio Doce e em cidades de Minas e do Espírito Santo. Desde o início do meu governo, procurei agilizar as compensações e reparações referentes à tragédia de Mariana, que afetou diversos municípios no nosso Estado e no Espírito Santo. Depois de 19 meses à frente do executivo do Estado, posso dizer que conquistamos avanços”, disse.

De acordo com os dados do governo de Minas Gerais, do montante, R$ 140 milhões serão destinados para a retomada das obras de pavimentação dos 40 quilômetros da LMG 760, rodovia que liga São José do Goiabal (entroncamento da BR-262) ao Parque do Rio Doce.

As obras serão iniciadas hoje, 5 de agosto. Os 18 quilômetros restantes da ligação até o município de Timóteo também serão pavimentados. Este último trecho não faz parte do acordo, mas será custeado com recursos que o governo de Minas obteve junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Pelo acordo firmado, também haverá obras na Estrada do Bispo, como é conhecida a rodovia AMG 900, que liga o entroncamento da LMG 760 a Marliéria, paralisadas em 2011. Serão nove quilômetros de pavimentação e outros sete quilômetros de melhorias em trecho já pavimentado. As obras beneficiarão direta ou indiretamente todos os municípios da Região do Vale do Rio Doce, que possui uma população superior a 1,7 milhões de habitantes. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em 2022.

“Os investimentos irão possibilitar uma logística muito melhor e também acesso ao Parque Natural, que, hoje, carece dessa facilidade”, disse Zema.

Outros R$ 188 milhões serão utilizados para promover melhorias em escolas estaduais e municipais localizadas nas cidades impactadas pelo rompimento da barragem. Os recursos beneficiarão 34 municípios e 210 escolas estaduais.

Entre as melhorias previstas nas escolas estão a aquisição de mobiliário, infraestrutura tecnológica, criação de laboratórios, bibliotecas e fomento à educação profissional. Também serão destinados recursos para as prefeituras, que irão promover melhorias nas escolas municipais.

“Com os recursos, iremos avançar em educação e beneficiar uma grande quantidade de alunos”, afirmou Zema.

Hospital de Governador Valadares – Pelo acordo, também serão retomadas as obras do Hospital Regional de Governador Valadares, paralisadas desde 2017. O investimento nas obras e em equipamentos será superior a R$ 75 milhões e a previsão de inauguração da unidade é para junho de 2022.

“Há alguns meses, já tínhamos anunciado obras no Hospital Regional de Governador Valadares, mas, que até o momento, infelizmente, não foram iniciadas. Mas, a partir de agora, já temos o recurso disponível para que as intervenções sejam agilizadas”, completou.

O governador de Minas Gerais ressaltou ainda que tem grande preocupação em relação à agilidade dos processos de compensação e reparação. Para ele, é preciso revisar o modelo de governança criado para definir as ações, considerado lento por Zema.

“Estamos falando de uma tragédia que aconteceu há cinco anos. Temos que lembrar que todos os envolvidos precisam ser escutados, mas o processo carece de melhorias. A Fundação Renova junto com o Comitê Interfederativo e as outras instituições estaduais e federais criaram um sistema de governança que precisa de melhorias. Estamos fazendo tudo que é possível para que a reparação e compensação sejam agilizadas. Queremos usar o caso da tragédia de Mariana como grande aprendizado no acordo que vamos celebrar com a empresa Vale em relação a Brumadinho. As empresas precisam ter interesse em agilizar as decisões e em cumprir o que foi acordado”.

Durante a coletiva, o diretor-presidente da Fundação Renova, André Freitas, explicou  que dentro dos recursos voltados para compensação também estão sendo investidos cerca de R$ 700 milhões em saneamento.