Ibovespa fecha em alta apoiado em blue chips e assegura 1º ganho semanal do ano

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62 %, a 128.967,32 pontos

26 de janeiro de 2024 às 18h56

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Crédito: Reuters/Amanda Perobelli

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, ultrapassando os 129 mil pontos no melhor momento, em desempenho apoiado particularmente na performance positiva das blue chips Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, o que assegurou o primeiro ganho semanal no ano.

A agenda do dia destacou números sobre inflação nos Estados Unidos e no Brasil, que, no final das contas, não mudaram as perspectivas para as reuniões de política monetária dos bancos centrais de ambos os países na próxima semana.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62 %, a 128.967,32 pontos, acumulando uma alta de 1,04% na semana. Na máxima do dia, chegou a 129.252,15 pontos. Na mínima, a 127.868,8 pontos. O volume financeiro somou R$ 17,9 bilhões.

No Brasil, o IBGE reportou antes da abertura do pregão uma alta de 0,31% para o IPCA-15 em janeiro, desacelerando frente a dezembro e ficando abaixo da previsão no mercado. Em 12 meses, acumulou avanço de 4,47%, também abaixo das estimativas.

Ainda assim, economistas avaliaram que, em razão de uma composição negativa, com destaque para o desempenho de alimentos e serviços, o IPCA-15 não muda a perspectiva em relação aos próximos passos do Banco Central, que deve manter o ritmo de cortes da taxa básica de juros nas próximas reuniões.

“O resultado de hoje deve trazer revisões baixistas em alguns itens fora do núcleo, possivelmente afetando a mediana no Focus para 2024. No entanto, não vemos uma melhora qualitativa do dado, especialmente por conta de serviços subjacentes”, destacaram economistas do Bradesco em nota a clientes.

Para a decisão da próxima semana, que será conhecida na quarta-feira, após o fechamento do mercado, a expectativa consensual em pesquisa da Reuters é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a Selic a 11,25%.

A inflação também ocupou os holofotes nos EUA, onde o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,2% no mês passado, após queda não revisada de 0,1% em novembro, segundo o Departamento de Comércio. Em 12 meses, o índice avançou 2,6%, também conforme as projeções.

Uma vez que os números ficaram dentro das expectativas, os contratos futuros de juros nos EUA continuaram apontando uma maior chance, de cerca de 90%, de um primeiro corte nos juros em maio. Para março, a probabilidade era um pouco menor do que 50%.

A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve será conhecida também na quarta-feira, mas com os mercados nos EUA e no Brasil ainda abertos. O foco estará nos sinais sobre os próximos movimentos.

Em Wall Street, o S&P fechou quase estável, enquanto o Dow Jones apurou um acréscimo discreto e o Nasdaq encerrou em baixa, conforme agentes financeiros também analisaram notícias corporativas, entre elas previsões da Intel e da Visa.

No mercado de dívida, os títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano marcavam 4,1412% no final da tarde, de 4,132% na véspera.

Destaques

– VALE ON subiu 1,67%, a R$ 69,50, acumulando um ganho de 2% na semana e dando uma trégua na pressão vendedora que tem marcado o primeiro mês do ano e que fez a companhia perder mais de R$ 40 bilhões em valor de mercado até a véspera. Em meio a ruídos recentes sobre os planos do governo de emplacar Guido Mantega na mineradora, repercutiu positivamente reportagem da Folha de S.Paulo de que o ex-ministro abriu mão de ir para a companhia. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também negou nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria tratado sobre sucessão na Vale. Até a véspera, as ações da mineradora acumulavam uma queda de 11,45% no ano.

– PETROBRAS PN fechou em alta de 1,73%, a R$ 39,96, renovando máximas históricas, endossadas pela melhora dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent, usado como referência pela companhia, subiu 1,36%, a US$ 83,55 – máxima desde o final de novembro do ano passado. Analistas do BTG Pactual reiteraram a recomendação de “compra” para as ações em relatório nesta semana, no qual afirmaram que ainda veem um cenário que apoia dividendos de US$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2023 e de R$ 12,2 bilhões em 2024. Na semana, o papel acumulou um ganho de quase 6,5%, ampliando a valorização no ano para mais de 7%.

– ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 1,48%, a R$ 32,81 eBRADESCO PN subiu 1,04%, a R$ 15,52, fornecendo um apoio positivo relevante, com todas as ações dos bancos listados no Ibovespa terminando a sessão no azul. O pior desempenho foi BTG PACTUAL UNIT, com variação positiva de 0,11%.

– GOL PN fechou em baixa de 8,07%, a R$ 5,92, após desabar até R$ 5,51 (-14,4%), com agentes ainda digerindo o pedido de recuperação judicial nos EUA pela companhia, embora não tenha sido exatamente uma surpresa após o noticiário recente envolvendo a aérea. Pela manhã, o CEO da Gol afirmou que o processo deve durar “substancialmente menos” que o prazo de 20 a 30 meses de outras empresas latino-americanas. Ele também afirmou que não espera demissões relacionadas ao “Chapter 11”. O Bradesco BBI cortou as ações da Gol para “underperform” e reduziu o preço-alvo de 10 reais para R$ 1,00, citando que, “com ou sem o ‘Chapter 11’, todos os cenários levam a uma enorme diluição do capital”. AZUL PN subiu 1,42%.

– USIMINAS PNA avançou 5,20%, a R$ 9,50, endossada por relatório do JPMorgan elevando a recomendação dos papéis para “overweight” e o preço-alvo de R$ 8,00 para R$ 11,00. Os analistas do banco também aumentaram o preço-alvo de CSN de 16 reais para 17 reais, mas mantiveram a recomendação “neutra”, enquanto Gerdau também seguiu com classificação “neutra”, mas teve o preço-alvo reduzido de R$ 26,00 para R$ 24,00. CSN ON valorizou-se 1,34%, a R$ 18,16, e GERDAU PN terminou com acréscimo de 0,28%, a R$ 21,84.

B3 ON cedeu 1,56%, a R$ 13,22, após o Itaú BBA cortar a recomendação dos papéis para “market perform” e reduzir o preço-alvo de R$ 17,00 para R$ 16,00.

– VULCABRAS ON, que não faz parte do Ibovespa, recuou 7,10%, a R$ 18,45, após anúncio de que pretende realizar uma oferta pública primária de pelo menos R$ 250 milhões, podendo atingir o dobro deste valor dependendo da demanda dos investidores. Os recursos serão destinados para pagamento de dividendos e reforço de caixa.

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