Ibram lança projeto para reduzir emissões de CO2 da mineração

A iniciativa do Ibram pretende identificar quais são as fontes que mais emitem CO2 na mineração para diminuir os lançamentos

27 de outubro de 2023 às 0h29

img
Objetivo é constatar na atividade minerária quais são as fontes de emissões de CO² e reduzi-las | Crédito: Adobe Stock

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) lançou, nessa quinta-feira (26), em sua sede em Brasília, o Projeto de Descarbonização do Setor Mineral. O principal objetivo da iniciativa é constatar nos processos industriais da atividade minerária quais são as fontes de emissões de CO2 para identificar oportunidades de mitigação ou redução dos lançamentos na atmosfera.

Inicialmente, 11 companhias já confirmaram participação no projeto, sendo Alcoa, Anglo American, CBMM, Gerdau, Hydro, Kinross, Lundin Mining, MRN, Samarco, Nexa e a Vale. Juntas, essas empresas vão formar o primeiro grupo da iniciativa, que deve ser fechado em 15 participantes. Posteriormente, o Ibram pretende abrir novos grupos, podendo participar tanto mineradoras associadas à entidade quanto não associadas. 

O projeto para descarbonizar a mineração brasileira é resultado de uma parceria entre o Ibram, o governo britânico no Brasil e o Mining Hub, braço de inovação da entidade. A iniciativa terá duração de 12 meses e, nesse período, será feito um levantamento da situação atual de cada mineradora no que diz respeito as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Aquelas que estão menos evoluídas, uma consultoria parceira da entidade vai aplicar ações para avançarem.

Além disso, serão analisadas as fontes dos processos minerários que mais lançam CO2 na atmosfera e as alternativas tecnológicas para substituí-las, reduzindo, assim, as emissões de carbono. Um exemplo é a troca de combustível fóssil para renovável e a utilização do hidrogênio verde.

Inventário de emissões de CO2 da mineração brasileira 

Paralelamente ao projeto de descarbonização da atividade minerária do País, o Ibram está elaborando o 3º Inventário de Gases e Efeito Estufa do setor mineral. Em conjunto, as duas iniciativas servirão de base para o instituto estruturar, a partir de 2024, um roadmap do carbono na mineração, o que irá permitir estipular metas setoriais de redução de emissões de CO2. 

“Há 10 anos não temos resultados, então, estamos atualizando. Já temos indícios que muitas ações foram feitas pelas empresas para reduzir as emissões, ou seja, o 3º inventário comparado ao de 2013, certamente, terá melhorias nos números. Vamos apresentá-lo até o início de 2024”, destacou o diretor de Assuntos Associativos e Mudança do Clima do Ibram, Alexandre Mello. 

“Com esse trabalho do inventário e o de descarbonização, ou seja, as oportunidades identificadas para reduzir as emissões, vamos começar no ano que vem um roadmap do carbono na mineração e construir a curva de abatimento das emissões do setor mineral, que é solicitado pelo governo e por vários investidores internacionais. Também vamos definir as metas de redução”, completou.

Artigos da Reforma Tributária podem prejudicar o setor, diz Ibram

Na última quarta-feira (25), o Ibram emitiu um comunicado sobre o novo relatório da Reforma Tributária, apresentado no mesmo dia pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A entidade pediu que dois artigos do texto sejam revistos: o 136, que se refere às contribuições para os fundos estaduais de financiamento da infraestrutura, que oneram produtos primários e semielaborados, e o 153, que cria um Imposto Seletivo (IS). 

O diretor de Relações Institucionais do Ibram, Rinaldo Mancin, destaca que a reforma tributária é vista pela entidade como um grande avanço para a sociedade. Ele ressalta, porém, que partes do documento colocam “jabutis” no caminho da mineração, podendo causar prejuízos ao setor. 

Conforme o dirigente, em qualquer lugar do mundo que se tenha IS, o imposto é voltado para a saúde pública, tributando, por exemplo, produtos como álcool e tabaco. No entanto, no texto apresentado por Eduardo Braga, pretende-se criar uma tributação especial sobre itens como petróleo e minério, o que, segundo Mancin, afetará todas as cadeias produtivas do País.

“Não existe setor na economia que não precise de petróleo. Então, o impacto de você cobrar o imposto sobre petróleo vai impactar desde o produtor de alface ao de carro sofisticado. O mesmo acontece para a mineração. São poucos setores econômicos em que a mineração não está presente. Ela está na construção civil, na indústria automobilística. Ou seja, vai elevar a carga tributária do Brasil em 2%, 1% do petróleo e 1% do minério, impactando todas as cadeias produtivas do País”, questionou.

Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail