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Inadimplência e endividamento registram queda na capital mineira

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Índice de inadimplência na Capital atingiu 39,4% em agosto, ante 41,6% no mês anterior | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

Pela primeira vez, o número de inadimplentes em Belo Horizonte diminuiu durante a pandemia do Covid-19. Enquanto em julho eles representavam 41,6% da população, em agosto somaram 39,4%, o que representa uma queda de 2,2 pontos percentuais (p.p.).

Isso é o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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Conforme destaca a economista da Fecomércio MG, Bárbara Guimarães, há pelo menos dois fatores que ajudam a explicar os resultados do último mês. Um deles tem a ver com a reabertura do comércio e o retorno de várias atividades que foram suspensas no início da crise na saúde. “Muitas pessoas voltaram a trabalhar, a ter o salário que elas tinham antes da pandemia, o que deu a elas condições para cumprirem com os pagamentos das dívidas”, pontua.

Além disso, o acúmulo do auxílio emergencial, medida do governo federal para aqueles que têm pouca ou nenhuma renda, também pode ter ajudado nesse processo, segundo Bárbara Guimarães. “Muitas famílias fizeram um planejamento com esse auxílio e o realocaram para pagar dívidas”, ressalta.

Endividamento – Os dados da pesquisa da Fecomércio MG também revelam queda no endividamento dos moradores da capital mineira. Em agosto, o indicador atingiu 77,7%, o que representa uma retração de 3,5 p.p. em relação ao mês anterior (81,2%).

A modalidade de dívida que puxa a lista é o cartão de crédito (80,9%), com um índice ainda mais expressivo entre as famílias cuja renda supera os dez salários mínimos (91,7%). Logo depois vêm os carnês (16,6%), o crédito pessoal (9,5%), o financiamento de carro (9,4%), o crédito consignado (9,3%) e o cheque especial (7,3%).

O recuo do endividamento, ressalta a economista da Fecomércio MG, está relacionado ao cenário de incertezas que se vive atualmente, com os consumidores mais cautelosos. Além disso, outro motivo pode ter influenciado a baixa nos números. “Pode ser que as pessoas estejam utilizando mais o dinheiro à vista”, diz.

Quitação de dívidas – Não foram somente o endividamento e a inadimplência que diminuíram em Belo Horizonte. Ainda segundo a pesquisa da Fecomércio MG, mais pessoas estão tendo condições de honrarem os seus compromissos financeiros. Enquanto em julho 20,5% disseram que não tinham condições de quitar as dívidas, em agosto foram 18,4%, uma redução de 2,1 p.p.

Na capital mineira, o endividamento representa 10% da renda de 83,8% das famílias. Já para 23,5% delas chega a 50%. O tempo de comprometimento da renda gira em torno de um período de sete meses.

Tendência – Os números de agosto mostram uma tendência para Belo Horizonte? Para Bárbara Guimarães, depende. “Se continuar a evolução da abertura do comércio e da economia, podemos dizer que, sim, é uma tendência”.

No entanto, lembra ela, não se tem certeza de que esse quadro é realmente o que vai se estabelecer. “Existem muitas incertezas em relação à vacina contra a Covid-19”, destaca. “Pode ser que aumentem os casos e o governo feche tudo novamente, pode ser que não”, pondera.

 

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