Indústria de confecções de Minas Gerais encerra 2023 em queda

A isenção da taxação das compras on-line de até US$ 50 foi o principal gargalo da indústria no período

19 de janeiro de 2024 às 5h13

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Sindivest-MG diz que reoneração da folha de pagamentos vai gerar gargalos | Crédito: Adobe Stock

A indústria mineira de confecções não teve um bom desempenho no ano passado. O cenário negativo já era esperado, uma vez que a isenção de imposto de importação para as compras on-line de até US$ 50 (cerca de R$ 246) prejudicou as vendas das empresas nacionais, em contrapartida, foram beneficiadas companhias companhias internacionais de e-commerce, como Shein, Shopee e AliExpress.

As vendas de verão, que, geralmente, impulsionam as negociações do setor, também não corresponderam, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Rogério Vasconcellos. Segundo ele, as empresas estão, inclusive, promovendo liquidações para tentar recuperar os prejuízos ocasionados pela dispensa da taxação. 

O executivo ressalta que a pauta de reonerar a folha de pagamento também gera gargalos à indústria de confecções. Neste sentido, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) chegou a emitir notas dizendo que a reoneração afetaria a competitividade do setor industrial, sobrecarregando os custos, gerando aumento de preços e impactando a capacidade de consumo da sociedade. Para a entidade, a desoneração contribui para a geração de empregos. 

Conforme informações extraoficiais divulgadas na imprensa nos últimos dias, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) chegaram, recentemente, em um consenso para cancelar a medida provisória (MP) do governo federal que propõe cobrar imposto dos 17 setores contemplados pela desoneração, o que inclui o setor têxtil. 

Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou um projeto que prorrogava a desoneração até 2027, o que beneficiaria o setor, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a proposta. Os parlamentares, no entanto, logo em seguida, derrubaram o veto do Executivo. Em contrapartida, o Planalto reagiu e editou uma MP para tributar todos os setores envolvidos.

A expectativa de Vasconcellos é de que tanto o problema da reoneração da folha de pagamento quanto do imposto de importação para as compras internacionais de até US$ 50 sejam resolvidos. Ele afirma que a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vem trabalhando para que isso aconteça. Vale dizer que a entidade argumenta que a taxação da importação dos produtos comprados de forma on-line asseguraria R$ 2,86 bilhões em receitas em 2024.

Impacto da reforma tributária

Promulgada em dezembro, a reforma tributária poderá trazer benefícios ou malefícios à indústria mineira de vestuário. Segundo o presidente do Sindivest, no momento não é possível afirmar se ela será positiva ou negativa para o setor, pois ainda serão apresentadas as regulamentações da proposta. Vasconcellos diz que, a princípio, parece que não terá uma redução de impostos. 

“Não posso dizer que ela não foi favorável porque ainda não sabemos como serão as alíquotas. Temos que acompanhar os processos dela efetivamente aplicada e trabalhar para que, realmente, tenha uma redução de impostos e não só uma descomplicação da forma de pagamento dos tributos, porque, a princípio, não teremos reduções e corremos riscos de pagar até mais”, disse.

Indústria de confecções de uniforme cresce em Minas Gerais

Embora a indústria de vestuário de Minas Gerais, de um modo geral, tenha apurado decréscimo nos negócios em 2023, especialmente o segmento de moda, as empresas de confecções de uniformes apresentaram bons resultados, observa o vice-presidente do Sindivest, Luciano Araújo. 

Ele, que também é presidente da Provest Uniformes, uma das maiores do Brasil no segmento, exemplifica dizendo que a companhia cresceu 68% no ano passado. Araújo explica, contudo, que foi algo extremamente atípico em relação aos outros segmentos. No caso da empresa em que é gestor, o crescimento se deu em razão de novos contratos fechados, aproveitando a crise de outras empresas do setor, especialmente, a Santanense, além da diversificação do portfólio de produtos. 

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