Lay-off na Fiat Betim impacta a indústria de autopeças em Minas

28 de setembro de 2021 às 0h29

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Hoje, no Estado, conforme Sacioto, há 110 empresas de autopeças que geram aproximadamente 25 mil empregos diretos | Crédito: Arquivo DC

A suspensão de contratos de trabalhos (lay-off) pelo grupo Stellantis (Fiat Betim) acordada com o Sindicato dos Metalúrgicos e Metalúrgicas de Betim e Região, por meio do Programa de Proteção ao Emprego e Renda com Qualificação Profissional, que terá início na próxima semana, vai afetar toda a cadeia de fornecedores da Grande BH. Empresas de autopeças já começaram a negociar com funcionários e representantes sindicais medidas para amenizar os prejuízos diante da baixa na produção da montadora.

A informação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Autopeças de Minas Gerais (Sindipeças-MG), Fabio Alexandre Sacioto. Segundo ele, as empresas foram pegas de surpresa com o anúncio da Stellantis na última semana e terão um impacto ainda maior do que os sentidos pela própria companhia.

“A Fiat estava produzindo uma média de 1.700 veículos por dia, mas recebendo apenas 1.400 chips. Isso gerou um estoque de carros inacabados. Com o lay-off, vão passar a produzir 1.100. Para as autopeças o impacto vai ser ainda maior, porque estavam entregando um volume de produtos, com ritmo elevado na produção e de repente estão tendo que renegociar não só os contratos de trabalho, mas a programação da compra de insumos importados, o que interfere também no fluxo de caixa das empresas“, explica.

Todas as medidas, assim como o programa instituído pelo grupo Stellantis, visam amenizar as perdas, principalmente no que se refere aos postos de trabalho. “A cadeia automotiva envolve uma mão de obra muito especializada. Demitir nunca é a melhor solução. E como a medida da Fiat é temporária, as empresas de autopeças trabalharão com o mesmo intuito de manter o quadro de funcionários”, diz.

Hoje, no Estado, conforme Sacioto, há 110 empresas de autopeças que geram aproximadamente 25 mil empregos diretos.

O dirigente lembra que o desabastecimento de componentes eletrônicos é um problema mundial e não deve se normalizar antes de 2022. Diante da escassez de chips semicondutores, multinacionais seguem em constante alerta e assim devem seguir até meados do próximo ano. Desde o ano passado, um desequilíbrio na oferta dos semicondutores tem afetado diversos setores da economia.

Em relação ao desempenho do setor, ele diz que em comparação ao ano passado – “que foi terrível” – existe uma recuperação. Já em relação a 2019 “ainda há uma queda importante”.

Em sua projeção mais recente, o Sindipeças nacional estima crescimento de 12,9% no faturamento líquido do setor, que deve chegar a R$ 142,6 bilhões, ante os R$ 126,3 bilhões do ano passado, obtidos a partir das vendas para montadoras, reposição, mercado externo e transações intersetoriais. A queda em 2020 sobre 2019, quando a receita ficou em R$ 153,1 bilhões, foi de 17,5%.

Lay-off em Betim

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos e Metalúrgicas de Betim e Região, a montadora informou que a primeira turma do lay-off será convocada até a próxima segunda-feira (4) e terá os contratos suspensos por 3 meses. A informação é de que 1.800 profissionais de setores diversos serão selecionados nesta primeira etapa do Programa de Proteção ao Emprego e Renda com Qualificação Profissional, que deve alcançar 6.500 funcionários da planta industrial de Betim.

Conforme publicado, o profissional que concordar em aderir ao programa ficará afastado por um período que varia de dois, três ou quatro meses. Está garantida a estabilidade pelo mesmo período do afastamento, após o retorno. O funcionário também não poderá ser convocado novamente pelo período de 16 meses.

Em relação aos salários, a remuneração, somando o subsídio do governo (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, do Ministério da Economia) e ajuda compensatória da empresa, terão perdas máximas de 15%.

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