Lítio para produção da Tesla e BYD sairá de Minas Gerais

Atlas Lithium fecha acordo com dois players chineses

5 de dezembro de 2023 às 0h29

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Chinesas são fornecedoras de lítio para gigantes do mercado mundial de veículos elétricos | Crédito: Adobe Stock

A Atlas Lithium fechou um acordo com dois players da China para venda de ações e de parte da primeira produção de concentrado de espodumênio para baterias no Vale do Jequitinhonha. As empresas que se tornaram sócias da mineradora e que receberão o mineral extraído e beneficiado em Minas Gerais são a Chengxin Lithium Group e Yahua Industrial Group, fornecedores de hidróxido de lítio para gigantes do mercado mundial de veículos elétricos, como a BYD e a Tesla. 

As companhias chinesas se comprometeram a pagar US$ 50 milhões para a mineradora, sendo US$ 25 milhões cada. Do total, US$ 10 milhões foram de aporte de capital a US$ 29,77 por ação, um prêmio de 10% em relação à média dos preços negociados nos últimos dias. Os outros US$ 40 milhões referem-se a um pré-pagamento não dilutivo em troca de 80% dos ativos da fase 1 da empresa no Vale do Lítio, cuja previsão é ser iniciada até o quarto trimestre de 2024.

Com os recursos, o primeiro fluxo de produção de lítio da Atlas em Minas Gerais, estimada em US$ 49,5 milhões, está financiada. Nessa etapa, serão produzidas 150 mil toneladas anuais do concentrado de espudomênio. Logo, a Chengxin e a Yahua receberão 60 mil toneladas cada mediante novas aplicações, visto que o pagamento antecipado concedem a elas o direito de receber o mineral por cinco anos, mas não totaliza todo o seu custo e será apenas abatido no valor final. 

“Esse é um acordo estrategicamente relevante para a Atlas Lithium, pois garante a relação comercial com duas fortes companhias do principal país comprador do produto (lítio), a China, pelo médio prazo de cinco anos. Isso foi importante para estabilizar a estratégia comercial da empresa”, destacou o advisor da mineradora estadunidense e listada na Nasdaq, Rodrigo Menck. 

“O espudomênio vai para a China direta ou indiretamente, pois só os chineses o processam. O que fizemos foi justamente firmar uma parceria com o país para poder garantir venda. Então, esse acaba sendo o primeiro projeto de elite no Brasil com parceria comercial com os chineses de médio e longo prazos, o que nos dá uma estabilidade para construirmos a empresa”, reiterou, ressaltando que mesmo com as oscilações do mercado, as vendas estarão garantidas. 

Projeto para explorar o lítio de Minas Gerais vem avançando significativamente

Em comunicado emitido nessa segunda-feira (4), a Atlas também informou que o cronograma de produção acelerado do empreendimento será alcançado por meio da contratação de operações iniciais de britagem e mineração com companhias locais, além da implantação da tecnologia de separação de meios densos (DMS). De acordo com a companhia, os dois primeiros módulos de processamento já estão em construção com previsão de entrega ao Brasil em abril de 2024. 

Vale dizer que o Projeto Neves vem ganhando corpo nos últimos meses com resultados positivos de testes metalúrgicos e de sondagens realizadas pela mineradora no Vale do Jequitinhonha. Há cerca de dois meses, a Atlas anunciou que cruzou mais mineralização de lítio de alto grau de pureza no Anitta 3, um dos seus quatro direitos minerais na região, que totalizam 26,84 quilômetros quadrados de terra, demonstrando o potencial significativo do empreendimento.

Hoje, a Atlas detém a maior área de concessão do Vale do Lítio, sendo que seu pacote de terras para exploração do mineral em Minas Gerais tem mais 50 km², totalizando 240 km² de extensão. 

O forte interesse da Atlas no Estado inclui um investimento de R$ 750 milhões no Projeto Neves, que alcançará uma produção anual de 300 mil toneladas de concentrado de lítio em 2025. E um aporte de R$ 250 milhões para extrações de minério de ferro e rochas ornamentais de quartzito na região Central. Ambos empreendimentos devem gerar, juntos, quase 1.300 postos de trabalho.

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