Lucro líquido da Gerdau, apesar de bilionário, cai 50% no segundo trimestre

Crescimento da economia chinesa aquém do esperado, aumento das importações e queda do consumo de aço no Brasil impactaram resultados

10 de agosto de 2023 às 0h19

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Crédito: Divulgação/Gerdau

O crescimento da economia chinesa aquém do esperado, associado ao aumento das importações e queda do consumo de aço no mercado nacional e a uma possível desaceleração da economia nos Estados Unidos, impactou os resultados da Gerdau. Apesar de bilionário, o lucro líquido ajustado da Gerdau, ao longo do segundo trimestre de 2023, caiu 50,1% e chegou a R$ 2,14 bilhões, ante os R$ 4,29 bilhões registrados em igual trimestre de 2022.

A queda trimestral fez com que a Gerdau encerrasse o primeiro semestre com retração de 37,4% no lucro, que apesar de menor chegou à cifra de R$ 4,53 bilhões. 

Apesar do cenário desafiador no Brasil e no mundo, os investimentos da Gerdau serão mantidos. Um dos principais está em Minas Gerais. Com um aporte de R$ 3,2 bilhões, a Gerdau está construindo uma nova plataforma de mineração sustentável.

Com o investimento – de recursos próprios – a expectativa é que a operação na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto, região Central de Minas Gerais, seja iniciada no fim de 2025. A operação será fundamental para impulsionar a produção e os resultados.

Dependendo dos rumos do mercado, pela competitividade do minério de ferro e a qualidade superior, o aporte vai permitir a soma de US$ 200 milhões a US$ 230 milhões no Ebitda da empresa por volta de 2026/2027.

Mesmo com os desafios enfrentados e uma redução na margem de lucro, os resultados alcançados pela Gerdau foram considerados sólidos e são sustentados pela diversificação de produtos e da atuação no mercado.

Os dados da Gerdau mostram que, ao longo do primeiro trimestre, o Ebitda ajustado chegou a R$ 3,79 bilhões, valor 12,3% menor que o gerado no primeiro trimestre e 43,2% inferior se comparado com o mesmo intervalo de 2022. Nos primeiros seis meses do ano, o ebitda chegou a R$8,1 bilhões, 35,1% menor. 

A receita líquida foi de R$ 18,3 bilhões no segundo trimestre, 3,2% menor quando comparada com o trimestre imediatamente anterior, resultado gerado pelo dólar mais depreciado frente ao real. Na comparação com o segundo trimestre de 2022, a queda foi ainda maior, de 20,5%. No semestre, a receita líquida da Gerdau caiu 14,2% e encerrou em R$ 37,13 bilhões.

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, explicou que o resultado – mesmo registrando queda – é considerado sólido. Além de uma base de comparação forte, há desafios mundiais, como um consumo aquém do esperado na China, aumento das importações e demanda retraída no Brasil e uma possível desaceleração da economia nos Estados Unidos.

“Concluímos estes seis primeiros meses de 2023 com resultados sólidos, mesmo em meio a um cenário global de menor consumo e com inflação resistente em diversos mercados, afetando diretamente a demanda. No trimestre, questões como o nível de atividade econômica na China, provável desaceleração da economia norte-americana e dificuldades de acesso ao crédito no Brasil, foram alguns dos fatores que marcaram o período, culminando em um cenário de maior atenção quanto ao consumo global por aço”.

Vendas e produção

Com uma demanda menor, as vendas da Gerdau alcançaram 2,9 milhões de toneladas de aço no segundo trimestre, queda de 1,5% frente ao primeiro trimestre e de 9,6% frente ao período de abril a junho de 2022. No semestre, a queda nas vendas é de 6,2%, com a negociação de 5,9 milhões de toneladas. 

A produção entre abril e junho foi de 3,07 milhões de toneladas de aço, 3% maior. Nos primeiros seis meses de 2023, a produção chegou a 6 milhões de toneladas, 11,3% de queda. 

Para os próximos dois ou três trimestres, as expectativas são cautelosas e é esperada estabilidade de demanda e também de preços.

“O cenário no Brasil se deteriorou no último trimestre, mas, acreditamos que tende a ficar estável nos próximos meses. Não temos expectativas de muitas mudanças, de crescer demanda ou preços. Também não temos fatores que prejudiquem ainda mais o cenário, que deve durar mais um ou dois trimestres”, explicou Werneck.

A recuperação do mercado, que foi bastante afetado pelo aumento considerável das importações e demanda reprimida, deve ocorrer somente em 2024.

O cenário mais favorável para o aço no País pode ser fomentado pelo anúncio do Plano Anual de Contratações (PAC), que será lançado esta semana pelo governo federal e tem previsão de R$ 240 bilhões em recursos públicos federais para os próximos quatro anos. Mesmo sendo lançado por agora, o pacote deve trazer resultados para o setor somente a partir de 2024.

Outros fatores que podem promover uma retomada do mercado do aço são o aumento dos lançamentos imobiliários (estimulados pela perspectiva de maior redução do juros e da melhoria do acesso ao crédito), a construção de novas linhas de transmissão de energia, que demandam um bom volume do produto siderúrgico, e a reforma tributária. A reforma tributária é vista como uma possível solução para a falta de competitividade do aço para a exportação.

Investimentos

Pensando no crescimento futuro e no ganho de competitividade, a Gerdau segue investindo, principalmente, em Minas Gerais. Um dos investimentos mais relevantes da empresa é na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto. De 2023 a 2026, serão US$ 3,2 bilhões aportados na mineração sustentável. O investimento é considerado estratégico para ampliar as operações e avançar nas estratégias socioambientais.

A estimativa é produzir 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. A mina tem uma reserva certificada para 40 anos, o que é fundamental para garantir os aportes. Estudos da certificadora independente SRK Consulting mostraram que a Gerdau tem 476 milhões de toneladas de reservas de minério de ferro na unidade. 

“Nosso investimento é muito direcionado e estamos preparando a Gerdau para o futuro. A certificação das reservas é muito relevante diante de um investimento de US$ 3,2 bilhões. Precisamos ter garantia de reserva para que o investimento seja implantado. Fomos certificados e teremos minério para os próximos 40 anos”, explicou o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck.

Com o aumento da capacidade de produção por meio de um minério de alta qualidade, com teor de 65%, e competitividade, o aporte vai permitir a soma de US$ 200 milhões a US$ 230 milhões no ebitda da empresa por volta de 2026/2027. 

Também é esperada redução das emissões de carbono. O investimento inclui a aplicação de tecnologias mais modernas, uso de mineroduto, e contará com o método de empilhamento a seco para disposição de 100% dos rejeitos gerados pela operação.

De acordo com o CFO da Gerdau, Rafael Japur, do desembolso de R$ 3,2 bilhões, 60% serão aplicados na parte de lavra, britagem e concentração para a produção dos 5,5 milhões de toneladas ao ano, incluindo a parte de filtragem do rejeito para  fazer o empilhamento a seco. 

Outros 20% da carteira de investimento correspondem a periféricos, como linhas de transmissão e infraestrutura dentro do complexo de mineração.

Os 20% restantes são para a logística, incluindo investimentos também na usina de Ouro Branco, como a construção de pátios, planta de reconcentração do mineroduto, o próprio mineroduto e o rejeitoduto.

O mineroduto que será construído terá 13 quilômetros e vai ligar a mina Miguel Burnier a Usina de Ouro Branco, com isso, serão eliminados uma série de caminhões que transportam o minério da mineração para Ouro Branco, reduzindo a emissão de CO2 e de gases que provocam o efeito estufa.

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