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Minas recua na taxa de desocupados, mas novos postos de trabalho estão em segmentos precarizados

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Trabalho intermitentes, como em aplicativos de mobilidade, contribuem para subutilização da mão de obra - Crédito: Pixabay
Trabalhos intermitentes, como em aplicativos de mobilidade, contribuem para subutilização da mão de obra - Crédito: Pixabay

A Fundação João Pinheiro (FJP) e a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais (Sedese) divulgaram, na última quinta-feira (2), o Informativo do Emprego e Renda, que foi baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). 

O destaque do relatório está na taxa de desocupação do Estado no segundo trimestre de 2021, que registrou recuo de 1.3% em relação ao primeiro trimestre do ano, o que movimentou o indicador de 13,8 % para 12,5 %. Em números de postos de trabalho, o recuo significa que, no comparativo, havia 130 mil desocupados a menos no estado entre abril e junho em Minas Gerais. 

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Apesar do declínio na taxa de desocupação em relação ao trimestre passado (janeiro a março de 2021), esse é o maior valor do indicador registrado no segundo trimestre de um ano em toda série histórica da Pnad, que é realizada desde 2012. Vale ressaltar, ainda, que o número de desocupados hoje no estado ainda é de 1,352 milhão de pessoas, conforme dados analisados e que constam no Informativo. 

Postos em segmentos de trabalho precarizados

Além disso, os números apontam para uma tendência de criação de postos de trabalho em segmentos mais precarizados, como é o caso dos empregados do setor privado, empregados(as) domésticos(as) que atuam sem carteira assinada, pessoas que trabalham por conta própria e trabalhadores familiares auxiliares — aqueles que ajudam em negócios de parentes. 

Segundo a pesquisadora em ciência e tecnologia da FJP, Nícia Raies Moreira de Souza, o aumento da ocupação mostrado pela Pnad nesses segmentos e a subutilização das horas trabalhadas, nos casos de trabalhos intermitentes, acendem um alerta.

“Nós precisamos prestar atenção no tipo de trabalho que estamos gerando. E o que estamos percebendo é que muitos estão em trabalhos sem carteira, sem proteção social e em relações de trabalho mais instáveis”, indica a pesquisadora. 

Ainda segundo Nícia Raies, quando as pessoas estão em trabalhos por conta própria, nos “bicos” ou trabalhos de aplicativos de entrega, por exemplo, elas dependem da renda gerada na economia como um todo e também da demanda desses trabalhos. Por isso, quando há aumento na subutilização das horas de trabalho, toda a cadeia produtiva da economia fica prejudicada. 

“O cenário que temos é que as pessoas se ‘viram’ com o que tem no mercado. Elas tentam conseguir uma renda e encontram nichos de trabalho mais precarizados, que demandam menos horas de trabalho. Nós estamos com a inflação crescente, redução da renda média e da massa salarial. E, apesar de termos mais gente trabalhando, o dinheiro que está circulando é menor, porque os postos de trabalho criados pagam menos ”, explica. 

A pesquisadora lembra, ainda, que a subutilização da mão de obra e os trabalhos precários são parte da preocupação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) há algum tempo, sobretudo com o início da pandemia da Covid-19. 

Pesquisadora Nícia Raies fala sobre emprego em Minas Gerais – Crédito: Arquivo Pessoal

Em seu mais recente relatório, “Perspectivas Sociais e do Emprego: Tendências 2021”, a OIT demonstra que as quedas no emprego e no número de horas trabalhadas resultam também na redução da renda e aumento da pobreza, panorama esse que impede até mesmo o alcance do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que diz respeito à erradicação da pobreza. 

Setores da economia e municípios

Ainda de acordo com o Informativo do Emprego e Renda em todas as Regiões Geográficas Intermediárias (RGInt) – conforme divisão de territórios realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, houve saldo líquido positivo de empregos. No mês de julho, especificamente, o destaque para geração de postos está nas RGInt Belo Horizonte (14.133), Divinópolis (3.262) e Juiz de Fora (2.603). 

Da mesma forma, em todos os setores da economia houve geração líquida de empregos. Após a retração do setor de serviços em 2020, quando as atividades foram afetadas pelas políticas de distanciamento social e controle da crise sanitária, a recuperação na criação de postos de trabalho agora supera, até mesmo, o saldo de novos empregos da indústria. Em julho, o setor de serviços fechou o mês com saldo positivo de 12.276 empregos. 

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