Minério de ferro atinge a menor cotação dos últimos cinco meses

Preço do insumo siderúrgico apresenta uma retração de US$ 128 por tonelada em janeiro para US$ 105

25 de abril de 2023 às 0h30

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O caso de Singapura é explicado em parte pela exportação de um produto específico, "bunker", óleo combustível para navios | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

A cotação do minério de ferro apresentou uma queda significativa nas últimas semanas. Entre março e abril foram mais de US$ 20 de diferença. Nesta segunda-feira (24), o mineral atingiu o menor patamar dos últimos cinco meses, o que derrubou as ações das mineradoras mundo afora.

O preço do insumo siderúrgico no mercado internacional passou de US$ 128 a tonelada em janeiro para cerca de US$ 105 nos últimos dias, uma queda de 13% nos primeiros meses deste exercício.

A reportagem do DIÁRIO DO COMÉRCIO conversou com especialistas do setor e do mercado financeiro para entender o comportamento dos preços da commodity. Em suma, as avaliações dão conta de que os valores refletem a situação da economia chinesa, a menor demanda pelo mineral e os elevados patamares dos juros em todo o mundo, cenário que deverá ser mantido, pelo menos, até o fim do primeiro semestre.

Vale dizer que a combinação da fraca demanda por aço na China, em função das restrições de produção de siderúrgicas induzidas por medidas de proteção ambiental, com as últimas divulgações das principais mineradoras sinalizaram ampla oferta do ingrediente siderúrgico, contribuiu para a derrubada dos preços.

O analista da Terra Investimentos, Luis Novaes, recorda que logo no início do ano, a cotação do minério de ferro entrou em uma tendência de alta refletindo o otimismo dos investidores quanto à retomada econômica potencial da China e a expectativa de reposição dos estoques no setor industrial do país asiático. E que, como esperado, o fim da sazonalidade acarretou uma correção nos preços do insumo siderúrgico, somado à uma deterioração nas expectativas quanto ao crescimento econômico do gigante asiático.

“O otimismo dos investidores foi um fator importante para a valorização do minério de ferro, com o objetivo de se adiantar a um movimento de retomada no crescimento. Entretanto, os dados econômicos do país, principalmente o recuo na produção industrial divulgado há algumas semanas, demonstram que a realidade está distante das expectativas, intensificando esse movimento de correção que já era previsto”, diz.

Segundo ele, após esse movimento, o minério de ferro opera em um patamar mais condizente com o atual cenário. “Mas a incerteza permanece alta, o que pode trazer mais volatilidade ao minério”, pondera.

Da mesma forma, o analista de investimentos da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, explica que embora a China tenha dado sinais de melhoria após o fim do programa Covid 0, o Norte do país passa novamente por um período de poluição pesado e, diante de orientação do governo, tem ocorrido um movimento de redução de produção de aço. Porém, ele classifica o movimento como pontual.

A siderurgia no mundo todo busca pela descarbonização. Por isso, continuo com a visão de que US$ 100/tonelada é um piso aceitável. Os preços podem até cair abaixo deste patamar, mas fatalmente vão retornar”, antecipa.

E o sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga, recorda os patamares próximos a US$ 130 a tonelada atingidos pelo minério de ferro no começo do ano, muito por influência da expectativa de reabertura do mercado chinês. Depois disso, a demanda pelo mineral começou a ficar estagnada.

“Passados alguns meses, o cenário atual é de grande oferta de minério disponível versus uma demanda bastante reprimida, até mesmo pela expectativa de menor crescimento global”, explica.

Neste contexto, mineradoras inglesas e australianas apresentam boas perspectivas de produção, mas a demanda segue muito baixa. Juntamente a isto surgem os esforços da China no quesito emissão de gases, que implica em maior controle do consumo de minério de ferro por aquele país. “Tudo isso elevou o preço da commodity próximo a US$ 105 a tonelada”, diz.

Valor do minério de ferro deve continuar a cair

Para os próximos períodos, segundo Madruga, os preços devem diminuir ainda um pouco mais em virtude de uma taxa de juros bastante elevada globalmente, uma vez que a inflação global também permanece em patamares superiores e isso tende a trazer um crescimento global menor em 2023, o que também afeta o minério de ferro.

“Existe uma demanda mais fraca pelo minério de ferro, ao mesmo tempo em que há oferta bastante representativa no mercado e isso deve permanecer pelo menos até o fim do primeiro semestre”, conclui.

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