Mobilidade urbana na Grande BH necessita de R$ 25 bilhões até 2042

Aporte é preciso para que a infraestrutura da região alcance os melhores padrões da América Latina

13 de maio de 2023 às 0h30

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Crédito: Alessandro Carvalho/Diário do Comércio

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) precisa investir R$ 25,103 bilhões até 2042 em infraestruturas de mobilidade urbana para poder se equiparar à infraestrutura de transportes ao padrão da Cidade do México e de Santiago, cidades que são referências na oferta de transportes urbanos na América Latina. A estimativa está no estudo inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI): “Mobilidade Urbana no Brasil: Marco Institucional e Propostas de Modernização”.

No País, o valor necessário para o mesmo período é de R$ 295,27 bilhões ou cerca de 3% do PIB de 2022, para atender as necessidades das 15 principais regiões ;metropolitanas do país: Brasília; São Paulo; Rio de Janeiro; Curitiba; Belo Horizonte; Goiânia; Belém; Fortaleza; Natal; Salvador; João Pessoa; Maceió; Porto Alegre, Recife e Teresina.

A maior parte dos recursos – R$ 271 bilhões – deve ser destinada à expansão de linhas de metrô. O montante equivale ao necessário para mais do que dobrar a extensão da malha vigente. Em seguida, estão os investimentos para ampliação das estruturas de rede de trens (R$15 bilhões) e de BRTs (R$ 9 bilhões).

De acordo com o levantamento, o gasto de 3% do PIB do País seria factível considerando sua diluição ao longo de 20 anos ou um investimento anual na ordem de R$ 14,75 bilhões (cerca de 0,12% do PIB) entre 2023 e o ano-meta, 2042. 

O valor projetado para a RMBH é o quarto maior entre as localidades que estão no levantamento. A Região Metropolitana de São Paulo precisa de recursos de R$ 89,847 bilhões, seguido pelo Rio de Janeiro (R$ 50,869 bilhões) e Curitiba (R$ 25,475 bilhões). A maior parte dos investimentos na Grande BH seria para o metrô, com R$ 20,018 bilhões, seguido de  R$ 3,616 bilhões para o modal trem e R$1,469 bilhão para o BRT. 

A professora dos cursos de arquitetura e urbanismo da Una, Natália Achcar, destaca que é essencial um sistema metropolitano de transporte intermodal que permita a conexão entre meios de transporte variados e entre os municípios. Para ela, é necessário propor soluções integradas entre os diversos municípios.

“Também é importante diminuir os recursos destinados ao transporte individual. Se observarmos nossas cidades, as principais obras são de alargamentos de vias, projetos de viadutos, alças viárias etc. Se os recursos se voltassem para transporte coletivo eficaz e de qualidade, paulatinamente, haveria o incentivo ao uso dele”, diz. 

Considerando apenas a capital mineira, a situação de Belo Horizonte de fato não é das melhores, já que a pesquisa internacional “TomTom Traffic Index 2022” colocou Belo Horizonte em 39° lugar no ranking das cidades com o trânsito mais lento entre 390 de todo o mundo.

Para a professora, Belo Horizonte tem problemas sérios de mobilidade, que envolvem o transporte público com baixa eficiência associado ao custo alto das passagens. Dessa forma, as pessoas que podem acabam optando por veículos particulares o fazem. “Em análise de dados recentes, Belo Horizonte é a capital do País com maior quantidade de veículos por habitante, passa de 1,7”, frisa.

De acordo com a pesquisa da CNI, entre o início da década de 2000 e 2010, Belo Horizonte, Campinas e Manaus apresentaram aumentos significativos na participação dos transportes motorizados individuais – de 10 pontos percentuais (p.p.), 10,6 p.p. e 15 p.p., respectivamente, compensados pela queda no uso de transportes coletivos, nos casos de Manaus e Belo Horizonte.

O levantamento mostra ainda que o preço da gasolina é um balizador da escolha modal. Nos últimos 15 anos, excluindo o período mais recente, o aumento do preço da gasolina foi inferior ao aumento das tarifas de transporte público coletivo, o que, na prática, sinaliza um barateamento relativo das viagens com transporte privado em detrimento das viagens com meios de transporte públicos.

Recursos

O levantamento da CNI constatou que os investimentos em mobilidade urbana no Brasil têm sido historicamente de responsabilidade do setor público e, dessa forma, sujeitos às restrições fiscais do estado brasileiro, o que impõe limitações de primeira ordem para atender às necessidades da população.

Para o especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, é necessário que o governo busque novas formas de ampliar os investimentos na área de mobilidade urbana, o que pode acontecer por meio de parcerias público-privadas em um modelo de PPP que agrupe a construção do sistema, da operação e da manutenção, em contratos de concessão de duração relativamente longas, em torno de 30 anos. 

Ele observa que o processo de urbanização no País foi acelerado e desordenado e que o tempo excessivo gasto no deslocamento no espaço urbano tem impactos no bem-estar da população, no meio ambiente e na competitividade.   

De acordo com o estudo, as evidências apontam que o Brasil não apenas diverge de experiências internacionais de sucesso na mobilidade urbana sustentável como também deteriorou sua posição de referência na América Latina. Um exemplo é que o País aparece entre as economias com a menor parcela de veículos elétricos. As cidades de Santiago e Bogotá têm três vezes mais ônibus elétricos em operação que em todo o território brasileiro.

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