A Musa colocará um fim no ciclo das barragens no processo de beneficiamento de minério em Itatiaiuçu | Crédito: Leandro MPerez

A Mineração Usiminas (Musa) será um dos primeiros grandes empreendimentos do País a adotar um sistema de disposição de rejeitos filtrados.

Sob investimentos da ordem de R$ 160 milhões, a subsidiária da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) iniciou a implantação do método Dry Stacking na unidade localizada em Itatiaiuçu, na região Central, que vai dar fim ao ciclo de uso das barragens no processo de beneficiamento de minério por parte da companhia.

Segundo informou a empresa, os aportes contemplam a construção de uma planta de filtragem, bem como as estruturas necessárias para conectar o novo sistema ao processo de beneficiamento da mineradora.

O montante também engloba a preparação da área que irá receber os rejeitos, formando uma pilha, e o transporte do material entre os dois pontos.

As operações com o novo método estão previstas para fevereiro de 2021 e a expectativa é de gerar mais de 400 postos de trabalho diretos e indiretos, com oportunidades que serão, prioritariamente, ofertadas na região de Itatiaiuçu, a partir do começo das obras.

O projeto é resultado de um trabalho iniciado em 2016, com os primeiros estudos, para alinhamento das operações da Musa às novas tecnologias e padrões de excelência nacionais e internacionais que gerassem mais conforto e segurança para a população da região.

Em 2018, a companhia protocolou o pedido de licenciamento ambiental na Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram) do governo do Estado. Na época, a empresa informou que o objetivo do projeto era aprimorar técnica e ambientalmente a destinação dos rejeitos do processo produtivo do minério de ferro da unidade por meio de um método já utilizado em outros países.

O processo de empilhamento a seco dos rejeitos tem custos de implantação e de operação superiores aos das barragens de rejeitos convencionais. Entretanto, conforme a Musa, os ganhos ambientais, os padrões de segurança e o conforto das comunidades vizinhas são ainda maiores.

Vale destacar que, além de eliminar a necessidade de construção de novas barragens, o processo de empilhamento a seco também permite um maior reaproveitamento da água utilizada no processo mineral. É que parte da água que terminava seguindo para as barragens junto com os rejeitos, agora será drenada e recirculada, reduzindo a necessidade de captação em poços ou rios.

O novo processo também demanda menor área para disposição, permite ainda mais segurança no processo e possibilita ações imediatas de controle de impactos. À medida que vai sendo formada, a pilha vai simultaneamente sendo revegetada para fins ambientais e geotécnicos. A nova metodologia apresenta, ainda, maior vida útil da estrutura, bem como oferece maior controle e estabilidade das estruturas de disposição.

Resultados – De acordo com o balanço financeiro da Usiminas, o desempenho dos negócios da Musa puxou os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2020. A unidade registrou elevação de 5,6% no volume de produção, atingindo 2,2 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a março deste ano contra 2 milhões de toneladas produzidos no último trimestre de 2019.

Com isso, a receita líquida, de R$ 581 milhões, mostrou-se estável em relação ao quarto trimestre de 2019, quando chegou a R$ 575 milhões. O Ebitda Ajustado da unidade atingiu R$ 214 milhões, também estável frente ao trimestre anterior (R$ 209 milhões).

A margem Ebitda Ajustado foi de 36,8% no primeiro trimestre de 2020 contra 36,4% no trimestre anterior.