Implementação de energias renováveis é urgente, mas ainda enfrenta desafios

KPMG elenca dez barreiras que preocupam as empresas

19 de janeiro de 2024 às 15h44

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Crédito: Gil Leonardi/Imprensa MG

A implementação de energias renováveis é vista como uma estratégia promissora para atingir as metas globais de redução de emissão de gases poluentes, como também uma ação de marketing e geração de valor, já que os consumidores e investidores têm cada vez mais se preocupado com a situação ambiental e climática do planeta. 

Neste cenário, 80% das empresas já compreendem que adotar ações sustentáveis no campo energético é urgente e fundamental para o cumprimento das metas do Acordo de Paris. Ao mesmo tempo, 84% delas relatam que os desafios atuais do mercado estão causando atrasos significativos e, em alguns casos, até o abandono de projetos de energia renovável.

É o que diz a pesquisa Turning the Tide in Scaling Renewables (Mudando a Trajetória para Escalar as Energias Renováveis), feita pela KPMG com 110 respondentes de 24 países e jurisdições. No Brasil, a produção de energia renovável é crescente e, atualmente, representa 90% de toda a energia produzida em território nacional.

Minas Gerais também se destaca neste cenário. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que o avanço da produção do setor no Estado foi de 57,14% na comparação com 2022. Esse número colocou Minas em primeiro lugar no ranking de crescimento da geração solar, produzindo 19,95% de toda a energia fotovoltaica do País.

Mas, embora alguns dos dados nacionais sejam animadores, o ritmo das implementações renováveis não é suficiente para contribuir de modo significativo e alcançar o proposto pelo Acordo de Paris mundialmente, explica o sócio-líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Brasil, Anderson Dutra.

“A combinação de barreiras antigas e recentes representa um risco significativo para manter, e ainda mais para acelerar, o impulso necessário para cumprir o compromisso do G20 de triplicar a capacidade de energia renovável até 2030. Tal déficit teria repercussões globais, colocando em sério risco o cumprimento das metas do Acordo de Paris”, explica.

Dez desafios para a implementação de fontes renováveis

A partir do levantamento que realizou com empresas em todo o mundo, a KPMG listou 10 barreiras mais comuns neste mercado. Confira!

  1. Estrutura de mercado: muitos mercados de energia foram projetados para incentivar a geração convencional de energia, como o carvão e o gás natural, o que dificulta a implantação de alternativas renováveis. Incentivos para armazenamento de longa duração, podem ajudar a acelerar a transição;
  2. Acesso ao capital: Financiar a transição energética exige volume considerável de capital, sendo que as altas taxas de juros e a inflação na cadeia de suprimentos dificultam a atração de investimentos. É importante que governos, operadores de sistema e reguladores estabeleçam mecanismos e incentivos que facilitem a colaboração entre os stakeholders das empresas;
  3. Investimento em infraestrutura de rede: Investimentos em redes que facilitem a rápida integração de energias renováveis podem potencializar a flexibilidade da demanda elétrica;
  4. Planejamento e permissão: A implementação de projetos de energias renováveis consome tempo, desde a concepção até as fases de licenciamento, implantação e desenvolvimento da infraestrutura necessária. Agilizar os processo burocráticos de planejamento e licenciamento pode ajudar nesse processo;
  5. Soluções de armazenamento: O armazenamento de energia é necessário para suprir a ausência de sol e vento, garantindo fornecimento elétrico confiável. Essas soluções, porém, precisam ser financeiramente viáveis;
  6. Cadeia de suprimentos: Assegurar cadeias de suprimentos é fundamental para a rápida expansão das energias sustentáveis;
  7. Acesso a matérias-primas: É importante obter acesso competitivo a matérias-primas essenciais, como cobalto, níquel, grafite, cobre e lítio. A expansão da capacidade de mineração e a diversificação das fontes pode ser complementar;
  8. Natureza e biodiversidade: É essencial reconhecer e mitigar os potenciais impactos negativos das energias renováveis no meio ambiente e na biodiversidade;
  9. Licença social de operação: Além das autorizações governamentais, os desenvolvedores necessitam cada vez mais de licenças que levem em consideração a aceitação de projetos pelas comunidades;
  10. Mercados emergentes: A dependência prolongada de combustíveis fósseis nos mercados emergentes pode comprometer o cumprimento das metas climáticas do Acordo de Paris. Dai a importância da aceleração da implementação de energias renováveis nesses mercados.

*Estagiária sob supervisão da edição

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