Oferta de insumos apresenta melhora no Vale da Eletrônica

Empresas de Santa Rita do Sapucaí registram queda no custo operacional, mas o cenário ainda é de incertezas

27 de maio de 2023 às 0h30

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Gargalos como a insegurança jurídica e a retração no consumo no Brasil ainda afetam as empresas em Santa Rita do Sapucaí | Crédito: Polinize/ Divulgação

A reorganização da cadeia mundial e a valorização do real frente ao dólar estão contribuindo para a normalização da oferta de insumos eletrônicos e queda dos custos das indústrias do Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas.

Apesar da normalização da oferta de insumos, as indústrias ainda enfrentam desafios com a insegurança jurídica, um consumo enfraquecido e receio em investir. 

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, o problema relacionado à falta de componentes eletrônicos, principalmente os chips, foi solucionado. 

“O abastecimento de matéria-prima – que estava escassa devido aos problemas causados na cadeira produtiva em função da pandemia de Covid-19 – foi normalizado”. 

Com o aumento da oferta dos insumos, também houve uma redução dos preços, contribuindo para a queda dos custos. Outro fator que tem favorecido a indústria eletroeletrônica é a valorização do real frente ao dólar, isso porque, boa parte dos insumos é importada. Por ser uma indústria bastante variada, o representante do Sindvel, não consegue estimar em quanto os custos já foram reduzidos. 

“Boa parte da matéria-prima para os produtos eletroeletrônicos é importada, e o dólar mais barato reduz os custos. Em um produto eletrônico, em média, 38% do que vai nele é importado. O impacto do dólar mais barato e da regularização da oferta dos insumos também é sentido na logística, que ficou mais barata”

Ainda segundo Souza Pinto, a queda dos custos gera produtos mais competitivos, inclusive para os consumidores. Porém, as empresas do segmento, assim como as demais indústrias do País, vem enfrentando um cenário com o consumidor mais cauteloso e retraído, o que impacta de forma negativa na demanda pelos produtos do Vale da Eletrônica.

A insegurança jurídica também afeta a decisão dos empresários, que no setor precisam investir constantemente na inovação. 

“Nós temos o problema da insegurança jurídica, o Brasil anda mais devagar no todo, inclusive no consumo. Hoje, o Brasil não é comprador e nem vendedor. Os empresários estão preocupados e retraídos em tudo. O setor depende de empresas âncoras, de investidores, inclusive externos, que seguem retraídos e segurando os investimentos”. 

Cenário ainda é incerto

Em relação ao desempenho em 2023, Souza Pinto explica que o cenário vivido nos últimos anos e a falta de clareza dos rumos do País, impedem a estimativa de resultados. 

“Desde 2014, último ano em que o Vale da Eletrônica cresceu 30% no ano, trabalhamos fazendo de tudo para manter o resultado alcançado naquele período.  Mas, de lá pra cá, tudo parou. Estamos fazendo de tudo para manter os resultados e empregos, mas é difícil”, disse. 

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