Passagem de ônibus pressiona e IPCA sobe 2,12% em Belo Horizonte

Considerando a importância relativa de cada bem e serviço, além da tarifa do transporte público, também contribuíram os custos com empregado doméstico e excursões

6 de fevereiro de 2024 às 17h33
Atualizada em 6 de fevereiro de 2024 às 23h55

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Crédito: Alisson Silva/Arquivo Diário do Comércio

Devido ao reajuste da passagem de ônibus e as contínuas pressões dos alimentos in natura, no primeiro mês de 2024, Belo Horizonte registrou uma alta significativa no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No período, a inflação na capital mineira foi de 2,12%. Esse resultado representou uma aceleração tanto em relação a dezembro (0,77%) quanto em comparação a janeiro de 2023 (2,04%), época em que os efeitos sazonais eram os mesmos.

Os novos valores do transporte público que entraram em vigor no fim de dezembro em Belo Horizonte encareceram a tarifa de ônibus urbano em 15,12%, em média. Logo, em termos de produtos/serviços específicos analisados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), o item teve a maior variação positiva. 

Considerando a importância relativa de cada bem e serviço na composição da inflação, a tarifa de ônibus urbano foi o terceiro item que mais contribuiu para a elevação do indicador geral, com impacto de 0,36 ponto percentual. As maiores contribuições, neste caso, vieram dos itens empregado doméstico (0,44 p.p. e alta de 6,97%) e excursões (0,41 p.p. e aumento de 13,24%).

Por outro lado, segurando uma aceleração ainda maior do IPCA em Belo Horizonte, os serviços de táxi baratearam 13,29% em janeiro e apresentaram, além do maior recuo percentual, a maior influência negativa sobre a inflação, de -0,08 p.p. Na sequência, os maiores impactos foram de automóvel novo (-0,05 p.p. e baixa de 1,01%) e material de pintura (-0,03 p.p. e queda de 9,58%).  

Resultado dos grupos que compõem o índice

Já com relação aos grupos observados no levantamento, o de alimentação teve uma alta de 1,93% no custo médio na medição do primeiro mês deste ano. O subgrupo alimentação na residência foi o principal responsável por esse resultado, visto que avançou 2,84% no período, enquanto o de alimentação fora da residência apresentou um crescimento menor, de 0,74%. 

Os alimentos in natura compõem justamente o subgrupo de alimentação na residência e contribuíram com 0,19 p.p. na variação de janeiro. A pressão desses alimentos é consequência de um encarecimento mensal de 13,54%, mas se arrasta por um longo tempo, uma vez que a elevação média dos preços, nos últimos 12 meses, alcançou o patamar de 13,84%. 

Além de alimentação, o segmento de produtos não alimentares registrou um aumento de 2,16% no mês de janeiro, colaborando para a inflação belo-horizontina. A maior elevação dentro do grupo veio do subgrupo pessoais (2,63%), seguido por produtos administrados, que inclui transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis, água e IPTU e apresentou um crescimento considerável (2,55%), e habitação, que encerrou o período estável (0,06%).

Expectativa para os próximos meses

Para os próximos meses, o consultor da Fundação Ipead, Diogo Santos, afirma que existe a possibilidade de que, no caso dos alimentos, as safras se normalizem e a oferta se regularize conforme a demanda. Isso poderia acarretar uma desaceleração inflacionária na Capital.

Ele explica que, nos últimos tempos, além das mudanças de preços normais de itens que variam ao longo do ano, o que fica mais claro ao observar-se a cesta básica, os efeitos das mudanças climáticas foram importantes para reduzir a oferta dos produtos alimentícios. 

“Com a redução da oferta e mantendo-se a mesma demanda, há uma pressão sobre os preços. Então, esse é um fator que, ao longo dos últimos meses, tem mantido a inflação de Belo Horizonte pressionada. Por exemplo, no último mês, o aumento do preço da batata inglesa, que Minas Gerais é um dos maiores produtores, foi de mais de 30%. O mesmo aconteceu com o tomate. Esses fatores somados têm provocado um aumento forte na inflação e na cesta básica”, explicou.

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