Pequenas empresas migram para mercado livre de energia

Em Minas, dos 934 consumidores de média e alta tensão confirmados, 881 são de pequeno porte, aponta Aneel

30 de janeiro de 2024 às 5h13

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Dados da Aneel mostram que, em todo o País, mais de 14,6 mil consumidores já informaram às distribuidoras que vão migrar | Crédito: Cemig/Divulgação

Em Minas Gerais, dos 934 consumidores de média e alta tensão confirmados para ingressar no mercado livre de energia elétrica, 94% são empresas de pequeno porte, segundo dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). São 881 pequenos empreendimentos que entram na categoria de consumo menor de 500 quilowatts (kW), o chamado Grupo A, beneficiados pela Portaria 50/2022, que entrou em vigor em janeiro deste ano. Agora, eles poderão escolher o próprio fornecedor.

Os dados da Aneel mostram que, em todo o País, mais de 14,6 mil consumidores já informaram às distribuidoras de energia que vão migrar para o mercado livre entre 2024 e 2025. A grande maioria é empresas. Como em Minas, 94% delas são de menor porte. Os números da migração mineira são superiores ao previsto registrado em dezembro. Os pequenos negócios buscam um novo mercado de preços mais competitivos, fontes renováveis e condições de fornecimento personalizadas às suas necessidades.

Vice-presidente de Estratégia e Comunicação da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Bernardo Sicsú aponta boas perspectivas para o mercado livre após a portaria entrar em vigor. A entidade espera muitas migrações dos consumidores do Grupo A. “Agora, se abre um universo de consumidores com uma conta de luz acima de R$ 10 mil por mês. É uma parcela significativa do comércio e da indústria, que consegue ter um acesso a uma energia mais barata, com melhores condições, produtos e serviços”, disse.

Antes da portaria, apenas consumidores do Grupo A com demanda maior do que 500 kW, ou seja, a uma conta de luz de R$ 150 mil, eram autorizados a migrar para o mercado livre.

Ele aponta que o limite acima de 500 kW era a última barreira para empreendimentos de pequeno porte conseguirem negociar o fornecimento de energia fora do mercado regulado. Há um grande movimento em curso de migração dos pequenos negócios para esta nova modalidade. O crescimento de unidades consumidoras é acima de 50%/ano no País. “Os números são impressionantes. O que mostra o apetite das empresas e a vontade delas por esse acesso por energia mais barata, renovável, por de fato você sair do monopólio regulado em busca de melhores condições”, ressalta.

Orientação para negócios no mercado livre de energia

O diretor da Abraceel explica que a entidade orienta os empreendedores que se interessem pelo mercado livre de energia. No site da entidade há uma lista com as 110 empresas associadas e uma cartilha, uma espécie de guia para o chamado “consumidor livre”, para que ele possa buscar fornecedores para uma negociação direta. “A pequena empresa que queira migrar para o mercado vai encontrar uma série de informações desse mundo que se abre e que vai certamente trazer competitividade para a indústria, para o comércio e consumidores em geral”, declara Sicsú.

O Grupo A tem cerca de 202 mil unidades consumidoras, em sua maioria empresas, que recebem energia em média e alta tensão. Mais de 37 mil desses negócios já estão no mercado livre. O potencial de migração é de aproximadamente 165 mil unidades consumidoras a partir deste ano. A Abraceel estima que o mercado livre possa atender aproximadamente 48% do consumo elétrico do país nos próximos anos. A associação considera essa abertura do mercado de energia elétrica brasileiro como a maior da história.

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