Petrobras planeja avançar no setor de transição energética em 2024

22 de janeiro de 2024 às 23h20

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Crédito: Reuters/Paulo Whitaker

Rio de Janeiro – A Petrobras planeja avançar este ano na transição energética com a aquisição de participações em ativos de energia renovável, disse à Reuters o CEO da empresa, Jean Paul Prates, acrescentando que a petroleira espera formar inicialmente um portfólio de cerca de 2 gigawatts de ativos de geração eólica e solar em terra no Brasil.

Segundo Prates, a petroleira fará parcerias com outras empresas em projetos já consolidados e que não enfrentam dúvidas sobre o sucesso do negócio. “Tem muito projeto bom aí de portugueses, espanhois, franceses e brasileiros, tudo onshore (em terra) e já rodando. Esses 2 gigawatts devem ser de solar e eólica em terra”, afirmou o executivo, em uma entrevista por telefone no fim de semana.

“Este ano vamos mostrar que nossa reta é firme e que estamos olhando para o futuro e sabemos o que queremos, vamos começar a por de pé o portfólio de renováveis. Ele vai mostrar que tem qualidade e é consolidado, além de firme. Não é coisa besta, nem pequenininha”, acrescentou, mencionando também oportunidades de negócio em projetos de hidrogênio verde, sem especificar.

O foco em projetos renováveis atende anseios do governo em relação à companhia, cuja gestão que tomou posse após a eleição do presidente Lula busca aliar geração de empregos locais com um protagonismo no processo para a transição energética brasileira.

Prates frisou acreditar que os papeis da empresa deverão se valorizar diante do movimento. “Acho que o mercado vai ver que a transição será feita de forma firme e responsável e vai reconhecer isso”, afirmou. O CEO destacou ainda que a empresa aguarda com expectativa a aprovação de um marco regulatório para uma indústria eólica offshore (marítima) no Brasil, que atualmente aguarda apreciação do Senado.

A Petrobras apresentou seus primeiros estudos para projetos eólicos offshore em 2023, em uma carteira que soma cerca de 30 gigawatts (GW) na costa brasileira, entre projetos próprios e em conjunto com a norueguesa Equinor. “Quando sair (o marco regulatório), vamos reinar praticamente sozinhos nesse mercado. Essa é nossa grande aposta e vamos aí fazer a diferença”, disse Prates.

O primeiro plano estratégico da estatal no terceiro governo Lula prevê investimentos de US$ 102 bilhões entre 2024 e 2028, alta de 31% frente ao previsto no plano quinquenal anterior, com até US$ 11,5 bilhões para projetos de baixo carbono.

A companhia trabalha ainda em diversas frentes para avançar com investimentos em baixo carbono, incluindo iniciativas para a produção de combustíveis verdes. A matriz elétrica brasileira, que possui mais de 80% de participação de fontes renováveis, cresceu 10,3 gigawatts (GW) em capacidade instalada em 2022, para quase 200 GW, em expansão recorde praticamente dominada pelas usinas eólicas e solares, segundo a Aneel. Os parques eólicos contribuíram em grande medida para o recorde em 2023: as 140 unidades que passaram a operar somaram 4,9 GW, ou 47,65% da expansão da matriz no ano. Também entraram em operação no ano 104 centrais solares fotovoltaicas (4.070,9 MW), 33 termelétricas (1.214,9 MW), 11 pequenas centrais hidrelétricas (158,0 MW) e três centrais geradoras hidrelétricas (11,4 MW).

Diesel cooprocessado

A Petrobras também planeja ampliar a produção de diesel coprocessado com óleos vegetais, por meio de rota tecnológica que permite a produção do combustível fóssil já com um percentual renovável, chamado de diesel R, a ser vendido para distribuidoras.

Prates voltou a defender a inclusão do diesel R no mandato de biocombustíveis do Brasil, em complementação ao mandato já existente para o biodiesel. “Não vamos tomar o mercado de ninguém.

Vamos ser no futuro um grande comprador do agronegócio brasileiro de óleo vegetal. Vamos ter mandato, mas vai ser um mandato em paralelo do biodiesel”, disse ele, defendendo que o diesel R tem uma qualidade superior.

“O biodiesel é mais perecível, forma borras se fica parado e decanta. Tem desafios e até tem um limite técnico para motorização. Ou seja, tem questões de qualidade e estabilidade do produto que o R não tem”, reiterou.

A petroleira trabalha com planos para alcançar um percentual de 20% a 30% de diesel R dentro de 30 anos.

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