PIB de Minas cresce 7,3% no segundo trimestre

Agropecuária foi o setor que mais contribuiu para crescimento no período

14 de setembro de 2022 às 0h29

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Cultivo do café responde por 34,9% do valor de produção da agricultura no Estado | Crédito: Marcelo Andre

A economia mineira cresceu, percentualmente, seis vezes mais do que a nacional no segundo trimestre de 2022. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado teve alta de 7,3% em comparação com o primeiro trimestre. Já o PIB do Brasil subiu 1,2% no mesmo período. É a quinta alta consecutiva no desempenho econômico do Estado, de acordo com a Fundação João Pinheiro.

No acumulado do ano, a atividade econômica em Minas registrou um aumento de 4,1%. O percentual também é maior do que o brasileiro, que cresceu 2,5% em 2022. A agropecuária foi o setor que mais impulsionou o resultado mineiro, com uma alta de 11,8% na comparação entre os dois trimestres e 14,6% neste ano. No cenário nacional, o destaque foi o setor de serviços, que variou positivamente 4,1%.

Quando se compara o segundo trimestre de 2022 com o mesmo período do ano passado, houve variação real do PIB de Minas Gerais de 6,4%, enquanto a economia nacional cresceu 3,2%. Em termos anualizados, isto é, quando se comparam os últimos 12 meses completados em junho de 2022 com os quatro trimestres imediatamente anteriores, o índice de volume do PIB de Minas Gerais apresentou crescimento de 3,4% e da economia brasileira, de 2,6%.

O PIB mineiro no segundo trimestre de 2022 foi estimado em R$ 244,4 bilhões e representou 10,2% do PIB nacional. Segundo o governo do Estado, estes resultados sinalizam a relevância que a economia mineira vem ganhando no contexto brasileiro. Em 2021, o Estado teve a maior participação do PIB do Brasil em 20 anos: 9,3%, com expansão de 5,1% em comparação com 2020. Em 2020, ficou em 9%, e em 2019, foi de 8,8%.

A atividade econômica mineira não só retomou como superou os índices pré-pandemia. O índice de volume do PIB mineiro no segundo trimestre de 2022 ficou 8,2% acima do nível do quarto trimestre de 2019 e atingiu o valor mais elevado da série dessazonalizada de Minas Gerais, tendo superado em 2,6% o pico anteriormente alcançado no primeiro trimestre de 2014.

O que impulsionou estes números, segundo a Coordenação de Contas Regionais da FJP, responsável pelo cálculo do PIB de Minas Gerais, foi o crescimento do volume de produção nas atividades agropecuárias, das indústrias extrativas e do conjunto de serviços privados, com exceção do comércio e transportes. “Foram essas atividades que, dado o seu peso na economia e crescimento da produção, mais contribuíram para o resultado total do PIB no segundo trimestre (na série com ajuste sazonal). Juntas, explicaram cerca de três quartos da variação total do PIB”, informou em nota.

Ainda segundo a FJP, as atividades com mais destaque foram o cultivo de soja, café e cana-de-açúcar na agropecuária, extração de minério de ferro nas indústrias extrativas e serviços prestados às famílias e atividades turísticas no segmento “outros serviços”.

Para os técnicos da fundação, o resultado da participação do produto agregado estadual no total brasileiro está relacionado à expansão, em volume, do PIB mineiro no período e ao ganho de participação da agropecuária de Minas Gerais na totalidade da atividade nacional em função da “quebra” de safra da soja do País.

Café alavanca o Agro 

Em Minas Gerais, a cafeicultura foi a principal responsável pelo resultado da agropecuária estadual, que apresentou expansão no volume de VAB de 11,8% no segundo trimestre de 2022 em relação ao primeiro trimestre do ano e de 22,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2021. O VAB (Valor Adicionado Bruto) é a forma de calcular o PIB pela ótica da oferta, adicionando os impostos indiretos (líquidos de subsídios) que incidem sobre produtos para chegar ao número exato do PIB.

A relevância do café no desempenho mineiro se deve ao fato de que o grão representa 34,9% do valor de produção da agricultura mineira, além de ter colheita relevante no segundo trimestre. Vale ressaltar também que, no caso de Minas Gerais, as quatro principais culturas com importância no resultado agregado (café, soja, cana-de-açúcar e milho) apresentaram ganhos de produtividade e aumento no volume de produção em 2022.

A mineração, por sua vez, teve a produção afetada no primeiro trimestre pelo forte volume de chuvas em janeiro. No segundo trimestre, a indústria extrativa mineral do Estado apresentou expansão de 9,2% no volume de VAB em relação aos três primeiros meses do ano e foi outra atividade que contribuiu para o desempenho positivo do produto agregado mineiro na análise dos resultados da série com ajuste sazonal.

Em termos anualizados, a indústria de extração mineral de Minas Gerais encerrou os últimos quatro trimestres completados em junho de 2022 com índice de volume do VAB 4,4% superior aos doze meses imediatamente anteriores. Segundo os técnicos da Coordenação de Contas Regionais da FJP, a queda nos preços internacionais do minério de ferro impactou os resultados em valores nominais, mas não a variação no volume da produção.

A atividade de energia e saneamento, em Minas Gerais, apresentou crescimento de 6,8% no volume de VAB no segundo trimestre de 2022, comparativamente ao trimestre imediatamente anterior. No Brasil, na mesma base de comparação, a expansão observada foi de 3,1%.

Os serviços de transporte apresentaram resultado de 6,3% em Minas Gerais e de 3,0% na economia nacional quando se compara o segundo trimestre de 2022 com o primeiro trimestre do ano. A expansão no Estado está relacionada ao aumento nos serviços de transporte rodoviário e ferroviário de carga necessários ao escoamento da produção mineral e do setor agropecuário. Além disso, os serviços de transporte de passageiros no modal aeroviário no Estado, associados ao consumo das famílias, continuaram sofrendo expansão neste segundo trimestre de 2022 em relação ao trimestre anterior.

O agrupamento formado pelos “outros serviços” em níveis nacional e estadual, que, em certa medida, contém um conjunto de atividades também vinculadas ao comportamento das famílias, apresentaram expansão no volume de VAB de 2,7% em Minas Gerais e 2,1% no cenário nacional, na comparação dos dois primeiros trimestres do ano.

Em Minas, algumas atividades cresceram em moldes semelhantes ao do desempenho nacional. É o caso do comércio, que expandiu o volume de VAB em Minas Gerais em 1,7% neste período. Um crescimento, segundo a FJP, influenciado pelo mercado de trabalho, pela liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e pela antecipação do 13° de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O desempenho no setor de administração pública em Minas Gerais (-0,7%) também foi similar ao observado para a economia nacional (-0,8%).

Construção civil retoma trajetória de crescimento

Já a construção civil, que vinha desacelerando seu ritmo de crescimento nos últimos trimestres, cresceu, mas teve em Minas uma performance menos robusta que a nacional. O acréscimo no volume de VAB foi de 1,8% em Minas Gerais e de 2,7% no cenário nacional na comparação do segundo trimestre de 2022 com o trimestre imediatamente anterior. Da mesma maneira, a indústria de transformação cresceu 1,7% em termos nacionais e 0,5% no Estado, na comparação dos meses de abril, maio e junho com os três meses anteriores de 2022.

Segundo o coordenador da seção mineira da Associação Brasileira dos Economistas pela Democracia (Abed), Paulo Bretas, a expansão da economia mineira acontece a partir de fatores de mercado. “As atividades econômicas em Minas estão funcionando atreladas à dinâmica de uma economia mundial que saiu da Covid com muita demanda nos setores de mineração, metal-metálico e agropecuária”, relata.

“Os números do segundo trimestre são comparados a uma base fraca. A agropecuária, por exemplo, estava vindo de uma série de taxas negativas e mesmo crescendo em mais de 20% não tem a capacidade de dinamizar a economia como a indústria de transformação. Já a mineração está muito dependente dos humores da China. Pelo lado do consumo, o PIB vai bem, contudo é muito dependente de repasses sociais e liberações de recursos para os mais pobres, o que não deve continuar depois das eleições”, acrescenta o economista. 

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