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Polo calçadista de Nova Serrana espera recuperação de empregos

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Em 2020, pelo menos 3 mil trabalhadores perderam o emprego em Nova Serrana | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Após eliminar cerca de 3 mil postos de trabalho no ano passado por conta da pandemia de Covid-19, o polo calçadista de Nova Serrana vem apresentando recuperação. A estimativa é que cerca de metade dos empregos perdidos seja recuperada em função da melhora no cenário, impulsionado pela reabertura do comércio em diversas cidades do País. 

De acordo com o  presidente do  Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Ronaldo Andrade Lacerda, as vendas caíram entre 15% e 20% no ano passado.  Em consequência desse fato, no polo de Nova Serrana, pelo menos 3 mil trabalhadores dos 20 mil empregos diretos e 22 mil  indiretos desse segmento foram para a rua.

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“Com a queda de  20% das vendas, as indústrias calçadistas tiveram que diminuir o número de funcionários. Mas este ano, o número de funcionários está estável. Não estamos demitindo mais”, informou.

A reabertura do comércio e o retorno da promoção de eventos em muitas cidades do País, ainda conforme o presidente do Sindinova, imprime ao segmento potencial para recuperar pelo menos 50% das perdas contabilizadas em 2020.

“Acredito que, no segundo semestre deste ano, possamos recuperar pelo menos 10% das perdas sofridas em 2020 e retomar a oferta de, pelo menos, 1.500  empregos perdidos no ano passado”, afirmou.

Chinelos

As medidas de restrição das atividades econômicas que tiveram como objetivo a prevenção da contaminação pelo coronavírus, não só reduziram o volume de vendas e do faturamento, mas também obrigaram as indústrias do segmento a enfrentar problemas como a falta de matérias-primas constituídas por PVC.

Como cerca de 90% da produção já era direcionada para o mercado interno de calçados, com os fabricantes de Nova Serrana vendendo para estados do Nordeste, Sul e Sudeste do País, o segmento teve que se adequar à nova situação em que boa parte dos trabalhadores  passou a trabalhar em home office .

“Como essa mudança na estrutura do trabalho implementada pelas medidas de isolamento social,  boa parte dos trabalhadores passou a trabalhar dentro de casa  no ano passado. Tivemos, então, o crescimento das vendas de chinelos e calçados mais confortáveis que os usados para o trabalho fora de casa”, informou.

E-commerce

Embora muitos industriais e comerciantes do segmento calçadista já tivessem certa expertise na venda digital, ainda conforme Lacerda, a compra de calçados pela web  ainda não faz parte do hábito dos brasileiros, mesmo os dos consumidores mais novos. 

“As pessoas querem experimentar o calçado, ver como fica no pé, se está confortável. Vender calçados é diferente de comercializar produtos do segmento de informática, por exemplo.  As vendas presenciais continuam sendo mais comuns”, contou.

Alta de preços

A falta de insumos, conforme Lacerda, já não é o maior obstáculo enfrentado pelo setor calçadista, como ocorreu  no ano passado. O maior contratempo sofrido por este tipo de indústria, neste momento, é a alta de preços de commodities como o algodão, cujo preço está muito valorizado no mercado internacional.  

Ainda conforme o presidente do Sindinova, embora a indústria  calçadista do polo de Nova Serrana tenha pelo menos seis empresas fornecedoras de resinas, usadas na produção de solas dos sapatos, a maioria dos provedores deste insumos depende de matérias-primas fornecidas por uma única empresa: a Braskem. 

De acordo com Lacerda, a Braskem é uma das maiores indústrias do ramo petroquímico, produzindo resinas termoplásticas usadas na fabricação de matérias-primas, atuando como fornecedoras dos fornecedores de insumos necessários  à  produção dos solados e das partes superiores de calçados. 

“Dessa forma, ela tem muito poder na negociação. Os preços destes insumos praticamente dobraram do ano passado para cá”, contou. 

China 

O aquecimento da economia chinesa, um dos maiores consumidores de matérias-primas do mundo, também acaba por conturbar ainda mais o mercado, contribuindo  para o aumento de preços de commodities necessárias à fabricação de sapatos. “Como eles compram muito, os preços sobem, pelo fato de a demanda ser muito alta e a oferta diminuir, elevando os preços”, informou.

Repasse 

Embora os calçados devam chegar com preços um pouco mais salgados neste segundo semestre, pois, conforme o presidente do Sindinova, os industriais do segmento calçadista vão tentar utilizar novos materiais, buscando usar novas fibras sintéticas que, embora tenham boa qualidade, sejam mais baratas. 

A ideia é garantir que o repasse do reajuste dos  preços dos insumos para os consumidores não seja integral. “Não podemos fazer o repasse integral dos preços. Os consumidores estão perdendo o poder aquisitivo devido à alta de preços dos alimentos, do gás e da energia elétrica. Todos temos que colaborar”, afirmou.

Empresas apostam na otimização

Cortar gastos, mudando a forma de gerenciamento da indústria, tentando adotar medidas que garantam mais economia e otimizem a produção. Essa deve ser uma das estratégias adotadas pelo polo calçadista de Nova Serrana para  recuperar os níveis de faturamento pré-Covid. 

Uma das medidas é a revisão da forma de produção, buscando alternativas mais baratas e investindo na economia de energia, por exemplo, por meio da substituição de  energia elétrica pela energia fotovoltaica. 

“Montamos na minha empresa, a Lynd Calçados, uma fazenda produtora desse tipo de energia que está proporcionando 80% de economia no gasto energético. Temos que adotar medidas como estas para voltarmos ao nível de produção pré-pandemia” 

9 milhões de pares

Ainda conforme Lacerda, antes de março de 2020, eram produzidos cerca de 10 milhões de pares por mês pelo polo calçadista de Nova Serrana. “Em 2020, foram cerca de 8 milhões. Devemos voltar pelo menos a  produzir cerca de 9 milhões este ano”, disse.

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